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11 de julho de 2015

Planetas alinhados

É muito difícil ser campeão, especialmente para clubes com menos dinheiro que os outros. Para se ser campeão, tem tudo de correr bem. TUDO. O Sporting que o diga. Quando temos um grupo de bons jogadores e um treinador razoável, falta uma direção forte e algum dinheiro (Paulo Bento-Soares Franco) e quando temos um bom grupo de bons jogadores e dinheiro, falta um treinador e uma direção fortes (Domingos-Godinho Lopes). Nos últimos dois anos tivemos um bom grupo de jogadores, bons treinadores, boa direção mas mesmo assim faltou qualquer coisa. (Leonardo-Marco Silva-Bruno de Carvalho). Na primeira época faltou dinheiro (não havia substituto de William, lembram-se?) e melhores árbitros (golo anulado ao Slimani contra o Nacional...). Na segunda, faltou confiança. Faltou confiança aos jogadores, ao treinador, e confiança entre treinador e direção. Ninguém confiou em ninguém. Assim é difícil.

Diego Simeone, treinador campeão pelo Atlético Madrid há duas épocas, disse ontem numa entrevista ao jornal argentino El Clarín, respondendo à pergunta "Porque é que a Argentina não ganha nada há 22 anos?", que "Porque não é fácil ganhar. Tens de ter todos os planetas alinhados. O que corre, o que ataca, o que marca os golos... Tens de os ter a todos. Lembra-te daquele jogo em Barcelona na última jornada do campeonato, em Nou Camp. Temos de beijar aquele fiscal de linha, porque assinala o que tem de assinalar, mas era um fora de jogo ao limite... e ao Messi! E se ele faz aquele golo, perdíamos a Liga!"


O Ewerton é o segundo planeta, a contar da direita!




É muito, muito difícil o Sporting ser campeão. É preciso um alinhamento cósmico, daquele que apenas ocorre de dez em dez anos, para que tal suceda. Pelo menos, para clubes que têm menos dinheiro (como nós!) do que os principais rivais. Parecia que os planetas se estavam a alinhar nesta nova época: sorteio de árbitros (a última vez que houve sorteio, fomos campeões), treinador bi-campeão, sportinguista de gema e vindo do eterno rival, um excelente grupo de jogadores consolidado desde há dois anos, alguma margem negocial (leia-se, dinheiro) para contratar jogadores experientes (Bryan Ruiz e Gutiérrez, aparentemente) e uma direção, apesar de tudo, estável e forte... O problema é que os planetas têm de se manter alinhados durante uns nove meses. Nove. E nem quinze dias passados, Ewerton lesiona-se. E é operado. Vai ficar de fora durante três meses, pelo menos. Um planeta desalinhado. É muito difícil ser campeão.


18 de maio de 2014

"Ou estão connosco ou contra nós"

"The Great Seal of the United States of America" ou "Esta merda faz-me lembrar qualquer coisa!..."



Excerto do episódio #10 da série documental "The Untold History of the United States", produzida, realizada e narrada por Oliver Stone:




"E no entanto, é a compaixão pelo outro que, afinal, tem distinguido os nossos líderes excepcionais… seja ele Washington, Jefferson, Lincoln, Roosevelt ou em outras frentes, pessoas como Martin Luther King.

George Bush, ao invés, colocou o mundo de sobreaviso: “Cada Nação, cada região tem agora uma decisão a tomar. Ou estão connosco ou estão com os terroristas.”

E justificando o seu direito de o fazer como uma luta monumental entre o bem e o mal. Imaginem um qualquer cidadão de um qualquer país que um homem como este lhes diga “ou estão connosco ou contra nós.” E imaginem como vocês se sentiriam em relação à América.

O povo americano estava ainda sem saber porque tinham sido atacados ou porque é que o Departamento de Estado começou a avisá-los sobre terrorismo numa lista de países estrangeiros que não parava de aumentar. Mas uma parte crescente do povo finalmente começou a perceber o que a maioria dos não-americanos já sabiam que tinham experienciado na metade final do século passado.

Nomeadamente de que os Estados Unidos eram outra coisa do que professavam ser, que eram na realidade como que um monstro militar que tencionava dominar o mundo.

Em vez de explicar as verdadeiras razões por detrás dos ataques - a forte oposição da Al Qaeda à presença de tropas americanas na Arábia Saudita e o apoio americano a Israel na sua luta continua contra os Palestinianos – Bush balbuciava “Porque é que nos odeiam?”

(os negritos são meus, obviamente)







"Porque nos odeiam", perguntava Bush. Só há dois clubes em Portugal, o Benfica e o anti-Benfica, vocifera Rui Gomes da Silva (e os milhões de lampiões que crêem que foram, propositadamente, roubados na final da Liga Europa porque o Platini assim o decretou).

Isto chegou a um ponto em que, ou estamos com eles ou estamos contra eles. Ou somos do Benfica ou somos anti-Benfica. Esqueçam a rivalidade centenária, esqueçam os derbies, esqueçam os very-lights (Descansa em Paz, Rui Mendes.). Ou Benfica ou anti-Benfica. Parolos do caralho.




Na espuma da ejaculação produzida pelas dezenas de directos dedicados à lampionice nestas últimas semanas, passaram despercebidas várias pequenas notícias e informações.

- O Porto emitiu (mais) um empréstimo obrigacionista no valor de 15 milhões e que pode aumentar de valor consoante a procura. Trocando por miúdos, precisam de guita.

- O Benfica, já disse antes, lançou uma mega-campanha de spam, com o intuito de arranjar mais sócios. Basicamente, a banca fechou a torneira e precisam de guita.

- Nesta semana, surgiram os castigos aplicados ao Man City devido ao fair-play financeiro. Basicamente, "só" têm 60 milhões para gastar esta época mas, como vão se libertar de dois ou três "home grown players", serão obrigados a contratar os respectivos substitutos, ou seja, jogadores ingleses. Portanto, esqueçam Mangala e Fernando no Porto por 55 milhões (como diz hoje o CM). É impossível.

- E como a UEFA vai estar de olho bem aberto aos gastos dos clubes nesta época e nas próximas, esqueçam também os 45 milhões da cláusula do William. Ou os 347939445 milhões do Zenit por Garay, Gaitan, Enzo Perez, André Gomes e C.ia.



Tem pinta de "leão"!




Sobre o triângulo Sporting, Jardim e (Marco) Silva, que dizer, excepto que "só sei que nada sei"?

Custa-me, claro, ver o Sporting iniciar outra época com novo treinador, novamente a reconstruir algo em vez de continuar a construir o projecto desenhado há tempos. Se é verdade que mais importante que o destino, é a própria viagem, às vezes sinto que o Sporting anda perdido no meio das perigosas estradas do Peru, arriscando cair a qualquer momento no fundo da ravina, enquanto procura alcançar o "El Dorado", isto é, os títulos.

Ontem, enquanto via o Atlético de Madrid sagrar-se campeão ao fim de 18 anos, em casa do Barcelona, pensei várias vezes que, mais do que orçamentos, "estruturas" ou presidentes, o que interessa realmente é a crença em ganhar. Vontade. E o Diego Simeone incutiu essa vontade de ganhar nos jogadores do Atlético. Eu quero um Diego Simeone no Sporting aos anos. O Sá Pinto parecia que podia trazer essa vontade toda mas saltar dos júniores do Sporting para a equipa principal não é o mesmo que iniciar a carreira de treinador no Racing, passar por Estudiantes, River Plate, San Lorenzo e Catania, antes de chegar ao Atlético de Madrid.

Sinto falta de títulos no Sporting. A brincar, a brincar, já passaram 12 anos depois do último título de campeão. Não exijo - não sou capaz - o título na próxima época mas - lamento, Jardim - quero um treinador que eu saiba que, mesmo não o dizendo publicamente, está pensar mesmo em ser campeão. Como o Simeone, que mesmo com a conversa pública do "partido a partido", nós sabíamos, ou pelo menos, dava a entendê-lo, que o gajo estava mesmo a pensar em ser campeão.

Com o Leonardo Jardim eu sei que era mesmo "jogo a jogo" e depois logo se via. E viu-se. Au revoir.