15 de junho de 2018

putos

Um dos maiores erros de BdC e da maioria dos presidentes que o antecederam foi o menosprezo que demonstraram sempre ter pelos putos vindos da formação. Há ali algo de pensamento 'colonialista' na forma como os presidentes sempre encararam os putos da formação na hora de (re)negociar contratos. Já tinha pensado nisto muito antes de ter acontecido o que aconteceu mas, infelizmente, nunca perdi algum tempo para o escrever.

É uma evidência. Os putos da formação têm de estar constantemente a provar que merecem receber mais do que aquilo que os presidentes estão dispostos a pagar. Há uma ideia generalizada de que, se se tiver de poupar em algo, poupa-se nos ordenados dos putos da formação. Por exemplo, não me recordo de uma notícia do género "Puto maravilha sobe aos séniores e será um dos mais bem pagos do plantel". Nunca. É sempre o contrário "Puto maravilha é dos mais mal pagos do plantel e só receberá Y se fizer X jogos ou Y golos". Aliás, até acredito que se tal acontecesse, que se o puto começasse logo a ser um dos mais bem pagos do plantel,  a grande maioria dos Sportinguistas olharia de lado para tal situação e questionaria imediatamente o porquê de se pagar tanto a um puto da formação. A tal mentalidade 'colonialista', que não é exclusiva dos presidentes. Os jogadores são nossos, fomos nós que os criámos, eles até deviam estar a pagar por poder jogar no Sporting!


Ora, é aqui que está o problema. Os putos (já) não se alimentam de aplausos e cânticos que lhe são dedicados. Os putos de hoje em dia, isto é, os nossos putos da formação, só se alimentam de likes em fotos tiradas ao volante da máquina ou da piscina na casa. Não pode ser coincidência que foi no seio da seleção, rodeado por "emigrantes" bem sucedidos em Espanha, Inglaterra, França ou China, onde recebem salários milionários, que tenha surgido esta rebelião protagonizada, precisamente, por 2 ex-putos da formação. Por exemplo, até há 2 meses, os jogadores mais bem pagos do plantel teriam de ser precisamente, Rui Patrício e William. E teriam-no de o ser, não à custa de duras e longas negociações, mas por exclusiva iniciativa do Sporting.

Daniele De Rossi, jogador com uns 15 anos de clube e atual capitão da Roma, era, em 2015, o jogador mais bem pago de Itália.

(Duas coisas: não sei quem são os jogadores mais bem pagos do plantel, creio que houve um "leak" qualquer há uns tempos que mostrava quem eram, mas creio não estar errado em dizer que, provavelmente, o Bas Dost será o jogador mais bem pago, talvez seguido de Rui Patrício. Mas Mathieu também deve ter recebido um prémio chorudo para assinar pelo Sporting... Bas Dost, dois anos de clube. Mathieu, um. Lembro-me, por exemplo, de ter saído cá para fora, há um ano e tal, o valor do salário (pornográfico) do Alan Ruiz, um estrangeiro dois anos mais novo do que o William (já então campeão europeu por Portugal) e que chegava aos treinos num Ferrari.)




estrangeiros rotulados de "craque", os ídolos dos presidentes...



Li que o Sporting tinha acionado, há duas semanas, em plena "guerra civil", uma cláusula qualquer no contrato do Gelson que permitiria-lhe receber mais uns milhares de euros por mês e aumentar, automaticamente, o valor da sua cláusula de rescisão. Porquê só agora? O Gelson tem sido, nestas duas últimas épocas, o único extremo real da equipa do Sporting. O único com "golo" (mesmo assim pouco, para aquilo que preconizo sempre para uma equipa do Sporting). É esta falta de proactividade em recompensar os putos da formação que, invariavelmente e há décadas (Futre...), leva o Sporting a perdê-los e em perpetuar esta eterna pergunta que ecoa nas bancadas de Alvalade: porque raio formamos bons jogadores e péssimos homens?


A minha resposta: como são putos vindos da formação, temos preconceito em pagar-lhes mais, pois achamos sempre que são "eles" quem devem estar gratos ao Sporting e não nós por eles terem escolhido o Sporting. Não somos campeões há 16 anos. Como querer impedir que estes putos de hoje em dia, embebidos no capitalismo desde o dia em que nasceram, não aceitem outros clubes, mais vencedores e que lhes pagam melhor? Só há uma resposta: pagar-lhes mais. Poupar nos estrangeiros e recompensar os putos.

Temo, no entanto, que com isto que se passou, a mentalidade predominante nos próximos tempos seja, precisamente, o inverso: castigar os putos da formação, expiar neles os "erros" cometidos pela geração antes da deles. Vai custar, claro que vai, mas acredito que nesta altura, o melhor que temos - adeptos e direção, seja ela qual for - a fazer, é demonstrar publicamente todo o nosso carinho pelos que cá ficaram. Nas bancadas e no cheque.



P.S. Não estou, com este texto, a validar ou dar "razão" ou o caralho, aos cabrões que se aproveitaram de uma forma imunda de um mau momento no clube e fugiram do clube rumo aos contratos milionários que lhes acenaram. Isso é outra coisa. Quis apenas encontrar uma razão "sociológica" ou explanar a minha opinião por que falhamos tanto na formação de "homens", entendido?

SL

12 de junho de 2018

James Dean

Defender BdC e o seu projecto faz-me lembrar uma aldeia localizada num pequeno vale ameaçado de submersão, devido ao anúncio de construção de uma barragem, projeto liderado por grandes multinacionais, de eletricidade, financeiras e de construção. Todos nós, ou quase todos, nos solidarizamos com aquela luta justa e leal, de uma aldeia que pretende sobreviver às condições impostas pela globalização e que pretende continuar a viver sem se subjugar a nada nem a ninguém, mantendo a sua independência e modo de vida. Da mesma forma que BdC pretendia que o Sporting vivesse sem ter de ceder as percentagens habituais a empresários ou a ter que dar o braço a torcer em reuniões da Liga, FPF ou outras negociações que implicassem exigências e... cedências.

Cedências. É isto que, visto de fora, mais me parece que BdC raramente ou quase nunca esteve disposto a fazer. Chegados a este ponto, com rescisões de jogadores em cima da mesa e com um futuro sombrio à nossa espera, pergunto-me, como foi possível chegar a isto? É evidente que, nesta vida de hoje, embrenhada em capitalismo, é impossível viver-se sem ter de se dar algo em troca. Ou corremos o risco de vermos a nossa casa submersa pelas águas retidas pela nova barragem sem ter uma casa alternativa para dormir ou dinheiro para construir outra. Esta luta de ideais que BdC iniciou contra empresários, clubes rivais, jornalistas ou arbitragem, é muito bonito até ao momento em que constatas que não tens casa para dormir, isto é, jogadores para construir uma equipa. Ao final do dia, custa admiti-lo, BdC foi derrotado (pelas evidências). Haveria muito para dissecar sobre as culpas dos outros, o papel dos media mas seria chover no molhado, pois há muito que eu sei - e BdC, mais do que ninguém, também o deveria saber! - que todos querem e gostam de ver o Sporting no chão, na lama. É por isso que me custa perceber como foi possível termos chegado a este ponto. Precisamente, por o Sporting ser o clube mais escrutinado e visado pelos media e rivais, que BdC tinha a obrigação de evitar qualquer deslize que pudesse ser aproveitado, à primeira oportunidade, para o derrubar. Empresários, rivais, jornalistas, comentadores, dirigentes, políticos, todos! Todos! Todos aproveitaram esta "tempestade perfeita". Tendo em conta os precedentes e generalizada antipatia granjeada nos primeiros anos de mandato, BdC tinha de ter percorrido os corredores desta época em bicos de pés, como se o chão fosse feito de cascas de ovo e com cuidado para não partir nenhum. Ao invés, o que tivemos foi um elefante chamado BdC a correr desenfreado numa loja de porcelana. Posts Facebook, declarações estapafúrdias, omissões, passividade, tudo aquilo que BdC (e o Sporting) não se podia dar ao luxo de fazer, fê-lo.

Muitas vezes me lembrei, nesta época, de uma cena que LFV disse num programa do Herman José, na SIC, creio que em 2005, após ter sido campeão. Às tantas, LFV confidencia que, numa operação Stop da polícia, temeu que o tivesse tramado, que tivessem colocado droga no carro e que levasse a polícia a prendê-lo e que, desde aí, tem estado sempre atento a este tipo de situações. A ideia com que fico de BdC e o seu mandato é que, à medida que os anos se passaram, mais desleixado BdC se tornou, o que é péssimo, para não dizer "suicida". BdC tinha de estar à espera de "armadilhas" todos os dias, a partir do momento em que acordasse até ao momento em que se deitasse na cama.

Para piorar, ainda mais, a situação, lembrar que estávamos a disputar uma época em que o Benfica, por força da falta de investimento financeiro na equipa (em janeiro, não fizeram uma única contratação) e do impacto que o caso dos "emails" estava a ter, estava mais enfraquecido como há muito não estava, desde que LFV se tornou presidente dos lampiões. É completamente absurdo como conseguimos ocupar o pódio mediático e ofuscar completamente o Benfica e a sucessão de casos que têm sofrido (Lex, toupeira, mails, saco azul, corrupção jogadores). Absurdo!! E numa época espetacular a nível de modalidades, onde fomos campeões em andebol, hóquei e voleibol!!! De 170 mil sócios, da melhor época de assistências em Alvalade... Meu Deus. Se isto não é um fracasso...


Se isto fosse um jogo de futebol, diria que estamos a perder 4-0, aos 80m de jogo e a jogar com menos 4 jogadores. Mais um jogador expulso e acaba-se o jogo. Seria preciso um milagre daqueles, como eu nunca vi antes no futebol, para que BdC conseguisse aguentar-se e ganhar o jogo 5-4 (ou, pelo menos, empatar) nos últimos 10m de jogo. Impossível.


E é com este sentimento de impotência e tristeza, por mim, pelos meus, por BdC, pelos Sportinguistas e até pelos tipos da Juve Leo que decidiram ir bater nos jogadores à Academia (é preciso estar a sentir muita angústia para decidir participar num acto daqueles e isso, sentir que tamanha angústia desceu à 'psique' dos adeptos, entristece-me), que digo que estou farto do futebol português e, por inerência, do Sporting. Esta "derrota" vai-me abalar muito mais do que os 6-3 de 1994 (era puto, chorei nesse dia, única vez que chorei por causa de um jogo de futebol) ou os 12-1 do Bayern. Isto é outra coisa, mais traumatizante.

A derrota de BdC será a derrota de um ideal, de um Sporting rejuvenescido, que tinha quase morrido em 2013 e que renasceu por si só, apenas com a ajuda dos Sportinguistas, e que se despistou e espetou de forma espetacular contra um poste em 2018, qual James Dean. Surreal.




29 de maio de 2018

Oh, the Sporting irony

Uma das poucas coisas que me fazem sorrir no meio desta "crise" do Sporting, é observar a ignorância de grande parte dos Sportinguistas, aqueles que sentem "vergonha" e sentem falta do "glamour" de outrora.

Meus amigos, o Sporting nasceu a brigar, no meio de demissões e discussões.




in "Sporting Clube de Portugal, Uma História Diferente, de Marina Tavares Dias"

22 de maio de 2018

bolso

Um presidente de um clube só tem 'moral' para fazer frente a um jogador se tiver uma de duas coisas no bolso: dinheiro ou títulos. Seria relativamente fácil encontrar vários exemplos públicos de relações tensas entre presidentes de clubes e jogadores, principalmente após derrotas ou acusações de falta de empenho... Desde cortar no salário, críticas públicas, castigos, tudo isto já aconteceu antes no futebol, nacional e internacional. Porém, uma coisa é o presidente do Porto descer ao balneário e dizer que para a semana não há folgas, nem o tal prémio que tinha sido combinado no princípio da época, ou o presidente do Nápoles, ficar fodido após uma derrota no domingo e ordenar que a equipa fique "in ritiro" até final da época, isto é, um castigo aos jogadores equivalente a obrigar o filho ficar o fim de semana enfiado no quarto depois de mau resultado no teste de português. Pinto da Costa pode fazê-lo porque tem Taças dos Campeões Europeus, Taças UEFA e campeonatos no "bolso" e Aurelio De Laurentiis pode fazê-lo porque é um produtor de cinema milionário. Bruno de Carvalho não tem nada.

Tem uma mísera Taça de Portugal (para mim, a Taça Lucílio não conta para nada) e recebe menos por mês de salário do que a maior parte dos jogadores do Sporting. Se, para os adeptos, Bruno de Carvalho pode até parecer um presidente "vencedor" ou "milionário", para os jogadores ele é um zé-ninguém. É injusto? Talvez, mas é a realidade com a qual BdC nunca soube lidar. Está à vista de todos. Quis dominar, torcer, castigar os jogadores, na esperança que isso os fizesse corresponder às expetativas dos adeptos Sportinguistas, que têm e sempre tiveram a ideia generalizada de que os jogadores do Sporting não correm tanto como os de Benfica e Porto, que têm menos "atitude" (e eu sou um desses adeptos), mas nunca conseguiu, em 5 anos de mandato, alterar essa "psique" colectiva dos jogadores, bem pelo contrário. Lembrei-me agora do episódio em Chaves, derrotas seguidas de discussões, com uma "entrevista" de Adrien e William na SportingTV, quais meninos mal comportados, a pedir desculpa por qualquer coisa que já não me lembro o que era. A cada episódio destes, BdC foi perdendo liderança.

É por estes sistemáticos erros de avaliação e gestão de "balneário" que BdC conseguiu chegar ao 3º ano de desilusões de JJ, com o treinador e jogadores a serem poupados e, inclusive, aplaudidos (!) e BdC percepcionado, pela comunicação social e por uma já vasta parte dos Sportinguistas como o grande culpado (que o é, embora de forma "indireta") do fracasso . Enquanto não perceber isto, e continuo a duvidar que terá mais oportunidades para o fazer, nunca conseguirá ganhar o respeito do "balneário", bem pelo contrário.

19 de maio de 2018

Uma merda

O meu cérebro manda dizer "Bruno, já acabou. Por favor, sai do Sporting. Deixa-nos, finalmente, ter paz. Termina esta agonia, demitindo-te. Não há hipótese. Foste derrotado, eles ganharam. Obrigado por tudo mas está na hora de saíres. Bruno, já acabou."

O meu coração grita "Aguenta, Bruno! Mostra a esses filhos da puta toda a nossa fúria! Aguenta, Bruno! Firme! Não lhes dês esse prazer! Este país de merda, de lampiões em todo o lado - jornalistas, políticos, polícia - a salivarem com a nossa queda! Aguenta, Bruno! Mostra-nos que tudo isto é mentira e que o que querem é foder-nos! Aguenta, Bruno!"



É isto. Uma merda.

25 de abril de 2018

guerra

Sempre ouvi falar sobre a "Grande Depressão de 1929" e sabia apenas o que, creio, a maior parte de nós sabe: um dia, vá se lá saber porquê, a Bolsa de Nova Iorque começou a cair e caiu, caiu, caiu tanto que arrastou a economia norte-americana e mundial numa espiral negativa de falência, desemprego e que deixou milhões de pessoas na miséria total. Era, mais ou menos, isto que eu sabia. Há um par de semanas, por altura da mais recente "crise" no Sporting, vi no melhor sítio da net para sacar documentários (BBC, Arte, ZED, etc) um título que me chamou a atenção e saquei-o. E vi-o. "1929.Series.1.1of2.The.Crash", um documentário dividido em duas partes.



Nos anos 20, com a produção industrial idealizada por Henry Ford, a classe média norte-americana, bem antes da europeia, podia ter acesso a produtos que hoje nos são banais: automóveis, eletrodomésticos, etc. Na primeira parte do documentário, é explicado como era, então, fácil "investir" na bolsa. Qualquer dona de casa podia fazê-lo. O crédito providenciado pelos bancos para se poder investir era rápido e fácil de se adquirir. Com 10 dólares, podia-se pedir emprestado 90 e investir 100. Easy peachy. "100 milhões"*.

O presidente dos Estados Unidos de então era Herbert Hoover, republicano, apoiado pelos banqueiros e empresários foi eleito com o slogan "Prosperidade está mesmo ao virar da esquina". Era tempo de dizer ao mercado para se parar com com a loucura especulativa da bolsa e por um fim ao investimento louco e irracional, porém, Hoover não o fez, o que conduziu, irremediavelmente, à "terça feira negra" de outubro de 1929.

O que se passou depois, toda a gente, mais ou menos, sabe. A Bolsa de Nova Iorque colapsou, os preços baixaram drasticamente, muita gente perdeu dinheiro, ações e, sobretudo, o emprego. São infames as histórias dos suicídios em massa, atirando-se de prédios, de gente que perdeu dinheiro nesses dias. A "Grande Depressão" teve consequências devastadoras, em todo o mundo, sobretudo na Europa (Alemanha) e em 1932, apesar dos esforços de Hoover, este foi derrotado nas eleições americanas pelo democrata Franklin Roosevelt. Nos anos seguintes, fortemente apoiado por aqueles que mais sentiram na pele os efeitos da "Grande Depressão", os desempregados, Roosevelt implementou um plano nacional de desenvolvimento da economia, o "New Deal", em que grandes projetos nacionais (barragens, estradas, edifícios públicos, etc) foram projetados, de forma a providenciar trabalho aos milhões de desempregados que havia na altura. Roosevelt devolveu o ânimo aos norte-americanos, especialmente os de classe média e baixa e, sobretudo, a esperança de um futuro melhor. Mas o caminho era difícil. A meio do projecto "New Deal", por os resultados ainda não serem totalmente positivos, algumas dúvidas e críticas começaram a surgir, primeiro lançadas pelos banqueiros e empresários, para serem prontamente seguidas pela classe trabalhadora. Ou vice-versa. Houve greves, tumultos e até mesmo cenas de violência entre trabalhadores e o "Estado" (polícia). Por esta altura, Roosevelt foi completamente atacado, por ambos os lados, banqueiros e trabalhadores.



Steve Fraser, historiador.


"Os líderes políticos do país de ambos os partidos, Republicano e Democrata, estavam receosos quando viram a agitação que havia no país. E quando notaram que um terço da mão de obra estava desempregada. E quando viram as greves e tumultos que aconteciam. As corporações ricas estavam contra Roosevelt. Estavam com dúvidas de que o sistem capitalista sobreviveria. E os grupos financeiros e empresarial começaram a ser muito hostis. Trataram-no nas formas mais horrendas possíveis. Chamaram-lhe deficiente, um Judeu, comunista, homossexual. Chamaram-lhe de tudo."




Para cut a long story short, como dizem os anglo-saxónicos, a coisa estava preta para o Roosevelt. Dificilmente escaparia à rejeição do povo americano. (In)Felizmente, aconteceu aquilo que ninguém no mundo desejaria mas que lhe acabou por salvar a pele e o lugar: a 2ª Guerra Mundial. Com a iminente entrada dos Estados Unidos na frente de guerra, Roosevelt mobilizou todo um país no esforço de guerra, dando trabalho a todos, homens e mulheres, nas fábricas de armamento. A produção e economia nacional começou a crescer e o desemprego (e miséria) a diminuir. Um mindfuck à americana. O resto é história: com o final da guerra, consequente vitória dos Aliados e uma economia próspera em solo natal, Roosevelt conseguiu imortalizar o seu nome junto dos maiores da História, eternamente lembrado como um dos melhores presidentes dos Estado Unidos da América.

BdC precisa urgentemente de uma "guerra" mas duvido que seja contra os jogadores que o fará ganhar um lugar na História (dos vitoriosos).

1 de abril de 2018

kaput(a)

Sobre o jogo:

Fizemos dos melhores primeiros 20 minutos desde há muito tempo, porém, como sempre, faltou o golo. É o paradoxo deste Sporting atual de JJ. Tudo está programado para não sofrermos golo e marcarmos o tal golinho da ordem que nos dará a vitória... O problema é quando não marcamos e quando, ainda por cima, marcam os outros primeiro... acabou-se. Kaput(a).


Não há (bolas para o) Bas Dost, não há golo. É patético ver uma equipa top tão refém de um sistema, táctica, como queiram chamar. O lance do Bas Dost é duvidoso mas não é escandaloso, aceito a decisão de não se marcar penalty. Quanto ao golo anulado, parece haver um toque no joelho de Gelson mas também digo que, se tem sido ao contrário, ficaria fodido se me têm anulado o golo... Mesmo depois daquela injeção de moral, de ter caído no precipício e ter acordado do pesadelo a meio da queda, não se vislumbrou na equipa do Sporting qualquer vontade de contrariar o destino. O golo do Braga iria aparecer a qualquer momento e apareceu. Claro que qualquer lance na segunda parte mais duvidoso iria cair para o lado do Braga, claro que sim. É a segunda regra não-escrita mais famosa das leis do jogo, a lei da compensação. Tínhamos de entrar na segunda parte com a faca nos dentes e correr direito ao inimigo. Jogava-se ali o campeonato, alguém tinha dúvidas? E o que eu vi foi um patético jogo, amorfo, lento, nojento por vezes. Ao tempo que digo isto e volto a dizer: para ganhar jogos (e campeonatos) na #LigaMickeyMouse não basta jogar melhor, temos de ter mais vontade do que os outros. E nós não temos essa vontade, essas ganas de matar, de lutar, de morrer em campo. Digam-me o último jogador do Sporting a sair do campo com a cabeça em sangue. Não existe esse espírito no Sporting. Pelo menos, dentro da equipa profissional de futebol masculino, isto é, não me refiro ao Facebook. Não existe. Quando o jogador mais inconformado da equipa é um tipo que está há 8 meses no Sporting, emprestado pelo Real Madrid e com passagem pelo Benfica... A tranquilidade de Alcochete roubou testosterona ao Sporting.



Odeio o Chiellini mas adorava tê-lo na minha equipa. ;(


Lembrei-me agora do bate-boca durante a semana entre Sporting e Braga, entre BdC e Salvador. Surreal. Vamos acabar a época a lutar com o Braga e com sérias possibilidades de terminar a época em quarto lugar. À medida que JJ tem mais poderes de decisão na equipa e no plantel, parece que pior estamos. Lembro-me da primeira época de JJ, a melhor dele. Como é possível estarmos em março, com dezenas de contratações, milhões gastos e termos um plantel/equipa completamente fatigada, remendada, podre? Vou deixar aqui o que escrevi em dezembro passado, após o jogo com o Braga em Alvalade. Continua actual:




JJ monta bem o onze inicial, sem dúvida, é dos melhores a fazê-lo mas... há muito a fazer (ainda) no Sporting em termos de prospeção e formação. Por cada bom jogador contratado, vêm dois ou três que são uma merda. JJ parece obsoleto, "seco", sem estamina. Normalmente, quando um treinador deste gabarito atinge a idade de JJ, é para relaxar, para ir para um campeonato milionário (China, Turquia, Arábia) ou para um seleção. Não vejo "fome" de títulos em JJ. E se terminarmos a época em 3º ou em 4º, como parece que vai acontecer, vamos entrar numa espiral que pode ser muito negativa. Sem dinheiro da Champions, com "craques" pagos a peso de ouro ainda com contrato, cheira-me que a Sra. Austeridade estará de volta ao Sporting... e, desta vez, sem a qualidade das "jóias" como tínhamos há uns anos, como Dier, João Mário, Cédric, William, etc. Puta que pariu esta merda.


(a única salvação é mesmo a utópica Liga Europa. Vencendo um título europeu, acedendo diretamente à Liga dos Campeões na próxima época e tudo seria completamente diferente... Ou quase tudo.)

13 de março de 2018

wet, windy night in Chaves

A meio da primeira parte, reparei que estávamos a jogar com um onze que consistia em ex-jogadores dos seguintes clubes: Portimonense, Braga, Vancouver Whitecaps, Rijeka e Rio Ave. Tínhamos ainda o Bryan Ruiz. Se retirássemos as camisolas listadas verde e brancas e colocássemos umas outras quaisquer nos nossos jogadores, poderíamos muito bem pensar que estaríamos a assistir a um jogo de uma eliminatória da extinta Taça Intertoto, em vez de um outro Chaves-Sporting disputado em pleno inverno. Mais um.

Começamos o jogo como normalmente temos começado os jogos esta época: devagar e devagarinho, a ver o que 'isto' vai dar. Ainda antes da única real oportunidade de golo, em que os jogadores do Sporting se esforçaram para oferecer a hipótese de rematar à baliza ao pior jogador que o faz lá na frente, o Gelson, já o Chaves tinha tido uma ou duas chances de golo, uma das quais superiormente defendida por Rui Patrício, que, afinal, ainda lhe falta uns quantos jogos para se tornar o jogador do Sporting com mais jogos oficiais disputados. Dica: porque raio o Sporting não faz uma parceria com a competentíssima WikiSporting e começam a trabalhar em conjunto?

Começou a segunda parte e não levou muito tempo até JJ perceber que a única maneira de alguém conseguir meter a bola dentro da baliza seria colocar em campo o homem que o faz de forma quase tão natural como respirar, o mortal Bas Dost. Dez minutos após ter entrado, culminando uma jogada iniciada com um passe longo e brilhante de Coates para Ruben Ribeiro, oeste fez aquilo que costumámos vê-lo fazer no Rio Ave, quando, com uma técnica sedosa, contornou o adversário e centrou uma bola teleguiada para a cabeça do holandês voador, que no meio de três jogadores do Chaves, guarda-redes incluído, conseguiu chegar mais alto que eles todos e enfiar a bola dentro da baliza. O Chaves sentiu o golo e, nos três, quatro minutos seguintes, podíamos ter matado o jogo com oportunidades seguidas de Bryan Ruiz (3 remates falhados em 3 segundos), Battaglia e, finalmente, Coates, numa cabeçada a sair a rasar a barra.


Pai Dost



'Matar' o jogo logo aos 60 e tal minutos? Isso seria demasiado fácil para o Sporting. Claro que tínhamos de sofrer, pelo menos, até aos 86 minutos, quando o 'Manel' Battaglia, do alto do seu posto de lateral direito, rouba a bola perto da área do Chaves e a endossa para o matador Dost, que faz um passe para a baliza e colocando um ponto final na aventura em Chaves... ou ainda não? Claro que não. O inevitável golo adversário no final do jogo tinha de acontecer, pois claro. E claro que, para mim, o maior culpado do golo não foi o árbitro, que assinalou o penalty, nem Coates que o cometeu. O maior culpado foi mesmo Gelson que deixou o tipo do Chaves ir com a bola para o interior, direito à nossa área, sem que tivesse sequer tentado fazer uma útil falta junto à linha lateral, evitando assim o amarelo, mesmo que tal não fosse estritamente necessário, pois Gelson ainda não tinha visto nenhum. E claro que tínhamos de sofrer mesmo até ao apito final, para podermos depois comemorar uma saborosa vitória que nos valeu três pontos numa noite "fria e ventosa" de inverno...

Paços e Chaves, o Stoke City da #LigaMickeyMouse. Sporting e Man. City sobreviveram, o Porto, não.