Não vou dizer que já sabia que íamos perder mas… eu sabia
que muito dificilmente conseguiríamos empatar na Lixeira, quanto mais ganhar. E
ainda por cima com a equipa completamente transfigurada devido às ausências de
Jefferson, Carvalho e… Capel e Carrillo. Sim, para mim, foram quatro ausências
daquela equipa-tipo que nos iludiu durante as primeiras jornadas da Liga e não apenas duas.
Quando finalmente
parecia que o Jardim estava, finalmente, a “domar” o génio do Carrillo e a
ensiná-lo a “como se deve jogar na Europa” e onde vimos o peruano, por exemplo,
a ajudar a defesa como nunca até aqui o tinha feito, eis que, subitamente, saem
da equipa o jogador que conseguia meter a cabeça em água ao Maxi (Capel) e o
Carrillo mais “europeu” que já tínhamos visto até agora. Mas pronto, são opções
técnicas, não sou treinador e portanto não vou dizer que o Dier devia ter
jogado ao lado do Maurício, o Rojo a defesa-esquerdo e o Adrien a “trinco”.
Não.
O que quero falar é da doença que o Sporting começou a
desenvolver desde há décadas e que só nos últimos anos, perante os sintomas
evidentes, se chegou a um diagnóstico conclusivo e que resultou no tratamento
de choque de março passado. Tal como o puto que começou a ir p’ra trás do
pavilhão dar umas passas nos primeiros cigarros, deslumbrado com súbita
aceitação no grupo mais cool do recreio da escola, o Sporting também se
deixou deslumbrar com os milhões da Liga dos Campeões que começaram a cair nos
cofres de Alvalade e com a entrada no gang mais in da Europa do futebol. Os
efeitos adversos daquelas idas para trás do pavilhão (e depois na rua, no bar,
em casa…) e das épocas de Filipe Soares Franco, Paulo Bento e JEB, estão agora a
fazer-se sentir. O fumador que descobriu que tinha cancro do pulmão deixou de
fumar em março passado, é verdade, mas não é por isso que se sente melhor agora.
Com a quimio e radioterapia
com que é obrigado a levar todos os dias para se manter vivo, admira é como ainda se consegue levantar todos os dias
para ir à luta. O Sporting, após os anos de ilusão da Champions e a gastar o
que não devia, viu-se obrigado também em março passado a iniciar um tratamento tão
drástico quanto necessário. E mesmo que o Sporting esteja, lentamente, a
curar-se da grave doença que o aflige, o que é certo é que vai levar anos e anos até vermos de novo um Sporting forte e saudável, tal como era aquele puto antes de começar a fumar e que só pensava em jogar à bola.
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| Tens lume? |
Um dos sintomas da grave doença que o Sporting padecia e ainda
padece é a forma como começou a encarar os jogos com o Benfica. Desenvolvemos
uma benfiquite aguda. Deixaram de ser jogos para serem ganhos por si mesmo,
pelo valor intrínseco que tem um derby e começaram, com FSF e PB, principalmente, a serem
encarados como um meio para alcançar um fim: um lugar na Liga dos Campeões.
Aos
poucos e poucos, os derbies deixaram de ser jogos diferentes para passarem a
ser um jogo como outro qualquer. Aquele Sporting que aprendi a ver e que ia
jogar à Luz ou às Antas como se estivesse a jogar em Alvalade (o Sporting de
Pedro Barbosa ou Sá Pinto, por exemplo), deu lugar a um Sporting mais
pragmático, menos corajoso, mais temerário… e o resultado está à vista: 8(!)
anos sem ganhar na Lixeira. E não sei quantos sem marcar um único golo.
É... Isto ainda vai levar uns anos a curar e é por isso
que, para mim, o mais importante não é saber qual a equipa que o Jardim pôs
hoje a jogar ou se o Capel devia ter jogado de início ou se o Piris devia ter ficado em casa, nada disso. Neste momento, mais
importante é saber se a maior parte destes jogadores estarão cá para o ano.
Só
assim conseguiremos acabar com esta benfiquite aguda; com dois, três, quatro
anos seguidos a jogar com a mesma equipa-base, com o mesmo grupo de jogadores a
enfrentar o ambiente adverso na Lixeira de modo a que, finalmente, o nosso equipa consiga desenvolver os anti-corpos necessários para combater esta maleita que nos aflige há anos.
O que eu espero é que o Sporting se mantenha nos tratamentos e não tenha uma recaída que o leve começar a "fumar" novamente...
