Mostrar mensagens com a etiqueta fumar atrás do pavilhão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta fumar atrás do pavilhão. Mostrar todas as mensagens

11 de fevereiro de 2014

Benfiquite aguda

Não vou dizer que já sabia que íamos perder mas… eu sabia que muito dificilmente conseguiríamos empatar na Lixeira, quanto mais ganhar. E ainda por cima com a equipa completamente transfigurada devido às ausências de Jefferson, Carvalho e… Capel e Carrillo. Sim, para mim, foram quatro ausências daquela equipa-tipo que nos iludiu durante as primeiras jornadas da Liga e não apenas duas.

 Quando finalmente parecia que o Jardim estava, finalmente, a “domar” o génio do Carrillo e a ensiná-lo a “como se deve jogar na Europa” e onde vimos o peruano, por exemplo, a ajudar a defesa como nunca até aqui o tinha feito, eis que, subitamente, saem da equipa o jogador que conseguia meter a cabeça em água ao Maxi (Capel) e o Carrillo mais “europeu” que já tínhamos visto até agora. Mas pronto, são opções técnicas, não sou treinador e portanto não vou dizer que o Dier devia ter jogado ao lado do Maurício, o Rojo a defesa-esquerdo e o Adrien a “trinco”. Não.



O que quero falar é da doença que o Sporting começou a desenvolver desde há décadas e que só nos últimos anos, perante os sintomas evidentes, se chegou a um diagnóstico conclusivo e que resultou no tratamento de choque de março passado. Tal como o puto que começou a ir p’ra trás do pavilhão dar umas passas nos primeiros cigarros, deslumbrado com súbita aceitação no grupo mais cool do recreio da escola, o Sporting também se deixou deslumbrar com os milhões da Liga dos Campeões que começaram a cair nos cofres de Alvalade e com a entrada no gang mais in da Europa do futebol. Os efeitos adversos daquelas idas para trás do pavilhão (e depois na rua, no bar, em casa…) e das épocas de Filipe Soares Franco, Paulo Bento e JEB, estão agora a fazer-se sentir. O fumador que descobriu que tinha cancro do pulmão deixou de fumar em março passado, é verdade, mas não é por isso que se sente melhor agora. 

Com a quimio e radioterapia com que é obrigado a levar todos os dias para se manter vivo, admira é como ainda se consegue levantar todos os dias para ir à luta. O Sporting, após os anos de ilusão da Champions e a gastar o que não devia, viu-se obrigado também em março passado a iniciar um tratamento tão drástico quanto necessário. E mesmo que o Sporting esteja, lentamente, a curar-se da grave doença que o aflige, o que é certo é que vai levar anos e anos até vermos de novo um Sporting forte e saudável, tal como era aquele puto antes de começar a fumar e que só pensava em jogar à bola.



Tens lume?



Um dos sintomas da grave doença que o Sporting padecia e ainda padece é a forma como começou a encarar os jogos com o Benfica. Desenvolvemos uma benfiquite aguda. Deixaram de ser jogos para serem ganhos por si mesmo, pelo valor intrínseco que tem um derby e começaram, com FSF e PB, principalmente, a serem encarados como um meio para alcançar um fim: um lugar na Liga dos Campeões. 

 Aos poucos e poucos, os derbies deixaram de ser jogos diferentes para passarem a ser um jogo como outro qualquer. Aquele Sporting que aprendi a ver e que ia jogar à Luz ou às Antas como se estivesse a jogar em Alvalade (o Sporting de Pedro Barbosa ou Sá Pinto, por exemplo), deu lugar a um Sporting mais pragmático, menos corajoso, mais temerário… e o resultado está à vista: 8(!) anos sem ganhar na Lixeira. E não sei quantos sem marcar um único golo.


É... Isto ainda vai levar uns anos a curar e é por isso que, para mim, o mais importante não é saber qual a equipa que o Jardim pôs hoje a jogar ou se o Capel devia ter jogado de início ou se o Piris devia ter ficado em casa, nada disso. Neste momento, mais importante é saber se a maior parte destes jogadores estarão cá para o ano

Só assim conseguiremos acabar com esta benfiquite aguda; com dois, três, quatro anos seguidos a jogar com a mesma equipa-base, com o mesmo grupo de jogadores a enfrentar o ambiente adverso na Lixeira de modo a que, finalmente, o nosso equipa consiga desenvolver os anti-corpos necessários para combater esta maleita que nos aflige há anos. 

O que eu espero é que o Sporting se mantenha nos tratamentos e não tenha uma recaída que o leve começar a "fumar" novamente...