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10 de janeiro de 2019
14 de novembro de 2018
"terrorismo" #3
"terrorismo" #2
(14/11/2018)
Rui Pedro Braz, comentador TVI24:
"Como é que se explica que o Ministério Público avance para esta tipificação de acto de terrorismo na acusação?"
Alexandre Guerreiro, jurista, investigador e comentador TVI24:
"Eu tenho uma tese: é que isso surgiu por proposta de um professor também de Direito Penal e existem determinadas pessoas que têm um determinado grau de proximidade que, talvez, as leve a identificarem-se com esta tese desse professor de Direito Penal, que foi o que sugeriu o crime de terrorismo.
Pedro Sousa, comentador TVI24:
"Pode dizer o nome?"
AG:
"Posso dizer. É o professor Rui Pereira. É o professor Rui Pereira e basta, de facto, perceber quem é a procuradora do processo para nós percebermos que, de facto, existe uma certa ligação, pelo menos, a nível académico, intelectual... e que conseguimos perceber qual é que é a motivação. Foi a primeira pessoa a avançar que isto seria um acto de terrorismo e logo no dia a seguir..."
RPB:
"E a partir daí, fez escola."
AG:
"Fez escola. Exatamente."
Rui Pedro Braz, comentador TVI24:
"Como é que se explica que o Ministério Público avance para esta tipificação de acto de terrorismo na acusação?"
Alexandre Guerreiro, jurista, investigador e comentador TVI24:
"Eu tenho uma tese: é que isso surgiu por proposta de um professor também de Direito Penal e existem determinadas pessoas que têm um determinado grau de proximidade que, talvez, as leve a identificarem-se com esta tese desse professor de Direito Penal, que foi o que sugeriu o crime de terrorismo.
Pedro Sousa, comentador TVI24:
"Pode dizer o nome?"
AG:
"Posso dizer. É o professor Rui Pereira. É o professor Rui Pereira e basta, de facto, perceber quem é a procuradora do processo para nós percebermos que, de facto, existe uma certa ligação, pelo menos, a nível académico, intelectual... e que conseguimos perceber qual é que é a motivação. Foi a primeira pessoa a avançar que isto seria um acto de terrorismo e logo no dia a seguir..."
RPB:
"E a partir daí, fez escola."
AG:
"Fez escola. Exatamente."
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"terrorismo" #1
(13/11/2018)
Isabel Horta, jornalista e Editora de Sociedade da SIC:
"Sei de arguidos que não falaram, não são da Juve Leo mas que foram convidados a participar e quem os convidou a participar também não é arguido. E se calhar nunca vai ser. Ou seja, quem os instigou a formarem aquele grupo e a juntarem-se, continua à vontade!"
Isabel Horta, jornalista e Editora de Sociedade da SIC:
"Sei de arguidos que não falaram, não são da Juve Leo mas que foram convidados a participar e quem os convidou a participar também não é arguido. E se calhar nunca vai ser. Ou seja, quem os instigou a formarem aquele grupo e a juntarem-se, continua à vontade!"
5 de outubro de 2018
#NacionalBenfiquismo ou 3 vídeos que mostram que o benfica jamais será castigado na justiça portuguesa
Domingo é dia de #Reconquista! 🔴⚪#CARREGABENFICA pic.twitter.com/aQMzvQmCWs
— SL Benfica (@SLBenfica) 4 de outubro de 2018
7 de julho de 2018
31 de janeiro de 2017
As diferenças #2 (ou um vislumbre do #EstadoLampiânico)
Já escrevi uma vez sobre a importância de quem narra e comenta os jogos de futebol. São eles os "professores primários" da iliteracia desportiva que assola os posteriores comentários ao jogo, sejam eles nas esplanadas, recreios da escola ou mesmo na própria tv, nos habituais e populares programas "desportivos", tipo Dia Seguinte e Prolongamento. Não menosprezem o poder do que diz o Freitas Lobo ou o Pedro Henriques, principalmente no que diz respeito à arbitragem. São eles que, na prática, decidem o que é um lance polémico ou inócuo. Eles e os realizadores da Sporttv/Benfica TV...
Normalmente, a Sporttv escolhe para comentar os jogos do Benfica fora (e a sul do país e ilhas) o seu ex-jogador, Pedro Henriques. É uma experiência engraçada comparar o que diz Pedro Henriques durante os comentários a jogos estrangeiros (Liga espanhola, inglesa, etc) sobre a arbitragem e depois ouvi-lo a comentar os jogos do seu Benfica. Parece o Dr. Jekyll e Mr Hyde, tal é a transformação. A benevolência e compreensão perante os erros dos árbitros espanhóis e ingleses desaparece para dar lugar a constantes críticas impiedosas aos erros dos árbitros portugueses, sobretudo quando prejudicam o Benfica.
Para os jogos do Sporting, a Sporttv 'convoca', normalmente, o João Aroso, ex-preparador do Sporting durante várias temporadas, no tempo de Paulo Bento. Não sei se o Aroso é Sportinguista mas é evidente a preocupação da Sporttv em escolher comentadores mais 'simpáticos' para os clubes grandes. Mas é tão grande a diferença entre uns e outros... Ficou-me na memória os minutos finais do Marítimo 1-0 Benfica, em dezembro passado. A irritação do Pedro Henriques, perante o resultado e a actuação do árbitro... delicioso. :)
Quando o Sporting jogou na Madeira há uma semana e ouvi o João Aroso comentar o flagrante erro arbitral que impediu o Sporting de levar os 3 pontos do estádio do Marítimo, lembrei-me imediatamente do Pedro Henriques e no que diria ele se o Alan Ruiz fosse do Benfica e lhe tivessem anulado aquele golo. Na impossibilidade de essa hipótese alguma vez se tornar realidade, limitei-me a gravar as reações de Pedro Henriques e João Aroso aos lances que, na altura, foram os mais polémicos dos jogos de Benfica e Sporting contra o Marítimo, de modo a comparar a 'isenção' de ambos. São evidentes as diferenças.
As diferenças #2 (ou um vislumbre no #EstadoLampiânico) от Com quem joga o Sporting? на Rutube.
O #EstadoLampiânico é isto: personagens-chave em todos os sectores da nossa vida, dentro e fora do campo, que não têm pudor em transfigurar-se da sua imagem pública neutra e 'isenta', para, na altura certa, tomar partido pelo Benfica, sem que isso lhes traga dissabores ou problemas. Duvido muito que um comentador mais afecto ao Sporting pudesse ter expressões irritadas perante erros dos árbitros como aquelas que Pedro Henriques produz. Primeiro, não teria coragem para expor assim tanto a sua "parcialidade" e, segundo, porque se o fizesse muitas vezes, o mais provável era a Sporttv dispensar os seus serviços logo de seguida.
É também a isto que Bruno de Carvalho se refere, quando fala na falta de militância dos Sportinguistas. O pudor que sentimos em tornar públicas as nossas cores, a incapacidade de moldar a nossa moral em prol do Sporting. O exemplo-mor disso mesmo é Vítor Pereira, sócio cinquentenário do clube e que durante toda a sua carreira preferiu ser visto como alguém "isento" aos olhos dos outros, mesmo que isso tenha implicado, na prática, o prejuízo do Sporting...
P.S. Ontem, no tal lance do Carrillo, foi evidente a dúvida que o lance suscitou ao narrador e comentador da Sporttv (Pedro Henriques, claro) mas, ao final do dia, o ex-jogador do Benfica não teve pejo nenhum em afirmar que era penalty. Mesmo que as imagens pareçam suscitar a dúvida se não foi o Carrillo a lançar-se para cima do jogador do Setúbal. Viva o Benfica, que se foda o resto.
Foi o Carrillo quem forçou a queda em Setúbal! от Com quem joga o Sporting? на Rutube.
Normalmente, a Sporttv escolhe para comentar os jogos do Benfica fora (e a sul do país e ilhas) o seu ex-jogador, Pedro Henriques. É uma experiência engraçada comparar o que diz Pedro Henriques durante os comentários a jogos estrangeiros (Liga espanhola, inglesa, etc) sobre a arbitragem e depois ouvi-lo a comentar os jogos do seu Benfica. Parece o Dr. Jekyll e Mr Hyde, tal é a transformação. A benevolência e compreensão perante os erros dos árbitros espanhóis e ingleses desaparece para dar lugar a constantes críticas impiedosas aos erros dos árbitros portugueses, sobretudo quando prejudicam o Benfica.
Para os jogos do Sporting, a Sporttv 'convoca', normalmente, o João Aroso, ex-preparador do Sporting durante várias temporadas, no tempo de Paulo Bento. Não sei se o Aroso é Sportinguista mas é evidente a preocupação da Sporttv em escolher comentadores mais 'simpáticos' para os clubes grandes. Mas é tão grande a diferença entre uns e outros... Ficou-me na memória os minutos finais do Marítimo 1-0 Benfica, em dezembro passado. A irritação do Pedro Henriques, perante o resultado e a actuação do árbitro... delicioso. :)
Quando o Sporting jogou na Madeira há uma semana e ouvi o João Aroso comentar o flagrante erro arbitral que impediu o Sporting de levar os 3 pontos do estádio do Marítimo, lembrei-me imediatamente do Pedro Henriques e no que diria ele se o Alan Ruiz fosse do Benfica e lhe tivessem anulado aquele golo. Na impossibilidade de essa hipótese alguma vez se tornar realidade, limitei-me a gravar as reações de Pedro Henriques e João Aroso aos lances que, na altura, foram os mais polémicos dos jogos de Benfica e Sporting contra o Marítimo, de modo a comparar a 'isenção' de ambos. São evidentes as diferenças.
As diferenças #2 (ou um vislumbre no #EstadoLampiânico) от Com quem joga o Sporting? на Rutube.
O #EstadoLampiânico é isto: personagens-chave em todos os sectores da nossa vida, dentro e fora do campo, que não têm pudor em transfigurar-se da sua imagem pública neutra e 'isenta', para, na altura certa, tomar partido pelo Benfica, sem que isso lhes traga dissabores ou problemas. Duvido muito que um comentador mais afecto ao Sporting pudesse ter expressões irritadas perante erros dos árbitros como aquelas que Pedro Henriques produz. Primeiro, não teria coragem para expor assim tanto a sua "parcialidade" e, segundo, porque se o fizesse muitas vezes, o mais provável era a Sporttv dispensar os seus serviços logo de seguida.
É também a isto que Bruno de Carvalho se refere, quando fala na falta de militância dos Sportinguistas. O pudor que sentimos em tornar públicas as nossas cores, a incapacidade de moldar a nossa moral em prol do Sporting. O exemplo-mor disso mesmo é Vítor Pereira, sócio cinquentenário do clube e que durante toda a sua carreira preferiu ser visto como alguém "isento" aos olhos dos outros, mesmo que isso tenha implicado, na prática, o prejuízo do Sporting...
P.S. Ontem, no tal lance do Carrillo, foi evidente a dúvida que o lance suscitou ao narrador e comentador da Sporttv (Pedro Henriques, claro) mas, ao final do dia, o ex-jogador do Benfica não teve pejo nenhum em afirmar que era penalty. Mesmo que as imagens pareçam suscitar a dúvida se não foi o Carrillo a lançar-se para cima do jogador do Setúbal. Viva o Benfica, que se foda o resto.
Foi o Carrillo quem forçou a queda em Setúbal! от Com quem joga o Sporting? на Rutube.
27 de setembro de 2016
O "problema" dos 4 Campeonatos de Portugal e dos 4 Campeonatos da Liga (experimentais)
Antes de mais nada, se querem perceber, rápida e eficazmente, o problema dos "quatro campeonatos roubados ao Sporting", leiam este post publicado no Bola na Rede. Está lá tudo explicado. O que eu vou fazer aqui é dar a minha opinião sobre o "problema" dos 4 Campeonatos de Portugal (e dos 4 Campeonatos da Liga (experimentais) e acrescentar alguns itens que acho úteis à discussão.
De 1921 a 1934, havia uma competição nacional de futebol chamada "Campeonato de Portugal" que servia para apurar o campeão nacional. Esta competição era disputada por eliminatórias, tal como a actual Taça de Portugal. Era assim que também era encontrado o campeão de Itália, Alemanha e mesmo França, nos inícios do desporto-rei. O primeiro campeão italiano de futebol, por exemplo, foi o Genoa CFC (vulgo Génova), em 1898, após ter disputado apenas dois (2) jogos: uma meia-final e a final. Tal título continua oficial e completamente válido, conforme se pode verificar no site da Liga Italiana e do próprio Genoa.
Em França, apenas contabilizam os títulos das ligas profissionais (de 1932 em diante) mas a FIFA reconhece algumas das entidades que regiam o futebol francês em 1904 (U.S.F.S.A) e 1908 (U.S.F.S.A), logo, há "moral" para os clubes vencedores de então reivindicarem os seus títulos ganhos numa competição disputada em eliminatórias. O clube francês Standard Athletic Club não tem pejo em escrever, no seu site oficial, que em 1894 "(...) against all odds, it won a momentous final to become the first ever football champions of France."...
Na Alemanha, o panorama é idêntico e também já li que noutros países (Bélgica, Bulgária, etc) também era assim, em formato de eliminatórias, que se encontravam os respectivos campeões nacionais de futebol. Na página Wikipedia da "Lista dos campeões de futebol alemão", lê-se:
"Before the formation of the Bundesliga in 1963, the championship format was based on a knockout competition, contested between the winners of each of the country's top regional leagues."
E no site oficial da Federação Alemã de Futebol (Deutscher Fußball-Bund), encontramos a lista de todos os campeões alemães de futebol, antes e depois do aparecimento da Bundesliga (futebol profissionalizado).
Enquanto andava a ler sobre este assunto, encontrei um site de um pseudo-jornalista português que, para considerar válida a transformação do Campeonato de Portugal em Taça de Portugal, foi comparar a FA Cup (Football Association Cup) e o surgimento da Liga Inglesa (The Football League), afirmando "Da mesma forma, em Inglaterra, o vencedor da FA Cup foi considerado campeão nacional até ao aparecimento da First Division". Ora, a FA Cup, competição disputada em forma de eliminatórias, nunca serviu para apurar o campeão inglês, logo a comparação é estúpida. Como é que sei? Enviei um email ao tipo responsável pelo site "Welsh Football Data Archive". A pergunta que fiz ao senhor Mel Thomas foi se "Alguma vez o vencedor da FA Cup, entre os anos 1872 (ano da primeira edição da FA Cup) e 1888 (surgimento da The Football League), foi considerado como sendo "Campeão de Inglaterra", seja pelos media ou entidades oficiais?" A resposta do senhor Mel Thomas: "It's not something I've come across. I've checked a lot of newspapers between 1872 and 1888 and found one example of "champions of England". This is from the Liverpool Mercury 2 April 1883. See attached. But I can tell you that it's not a common title."
A FA Cup servia para apurar o vencedor de uma competição chamada The Football Association Cup, apenas e só, e o vencedor do Campeonato de Portugal servia para apurar o Campeão de Portugal, apenas e só. Misturar os dois conceitos de competição é absurdo. Continuando.
Além destes países, também em Espanha havia um "Campeonato de España", que funcionava, tal e qual, como o nosso Campeonato de Portugal. Porém, com a inevitabilidade do profissionalismo no futebol, em 1928-29 surgiu a "Primera División de España", mais conhecida por "La Liga", tornando-se esta a principal competição em Espanha - a que define o campeão - e o "Campeonato de España" passou a ser a "Copa del Rey". Os "Campeonatos de España" ganhos antes de 1928 passaram a ser considerados como títulos da "Copa del Rey". Tanto quanto sei, em Espanha não houve (não há?) problemas em reconhecimento de títulos. Pelo menos, nunca me apercebi de tal. Mas em Espanha também não aconteceu o mesmo que em Portugal: não andaram quatro anos a disputar, "a título experimental", Campeonatos da Liga...
Ora, o "problema" dos Campeonatos de Portugal que o Sporting reivindica não pode ser resolvido sem antes se resolver o problema dos títulos da "Liga Experimental", que o Benfica reclamou a certa altura da década passada (2005) como sendo títulos nacionais de futebol.
A minha teoria é que, em 1938, quando se decidiu alterar o quadro competitivo do futebol português, deu-se início a um pacto "não-assinado" de "não-agressão" entre os clubes portugueses, dirigentes, jornalistas, etc, onde "decidiram" manter os seus palmarés, tal como estavam até então, ao contrário do que se fez em Espanha. Por exemplo, seguindo a lógica de nuestros hermanos, os Campeonatos de Portugal conquistados antes de 1938 (ou 34...) passariam a fazer parte do palmarés da Taça de Portugal mas não foi isso que aconteceu. Não houve essa junção de provas. O Campeonato de Portugal era uma prova distinta, a Taça de Portugal idem e o Campeonato Nacional 1ª Divisão (actual Liga) também. É por isso que hoje vemos no site do Belenenses, Benfica e Porto distinção entre competições no seu palmarés. (Já lá vamos ao Sporting...)
Campeonatos de Portugal não são Taças de Portugal. E Campeonatos da Liga (experimentais) não são Campeonatos Nacionais 1ª Divisão.
No livro oficial de comemoração do 1º centenário do futebol português, editado pela Federação Portuguesa de Futebol, em 1989, além de explicar bem o surgimento e relevância dos Campeonatos da Liga de 1934 até 1938, também demonstra, claramente, que os Campeonatos da Liga (experimentais) não podem ser considerados como títulos de Campeonatos Nacionais da 1ª Divisão (como o Benfica e Porto consideram).
Até finais dos anos 90, início deste século, era assim que os palmarés dos clubes estavam divididos: Campeonato de Portugal, Taça de Portugal, Campeonato da Liga e Campeonato da 1ª Divisão. É por isso que em 1994, o jornal Record considerava que o Benfica ainda só tinha 27 títulos (e não 30, pelas contas de hoje).
E não era só o Record que o dizia. A Panini também:
E mesmo A Bola, na sua obra literária mais importante da sua história, "Glória e Vida de Três Gigantes", editado algures nos anos 90, também considerava que Campeonatos da Liga (experimentais) são uma coisa e os Campeonatos da 1ª Divisão são outra:
No livro escrito "50 Anos de Benfica-Sporting" (1954), escrito por dois benfiquistas (Mário de Oliveira e Rebelo da Silva) e prefaciado por outro (Ribeiro dos Reis), os títulos também estão diferenciados. Campeonatos de Portugal (1922-1938), Campeonatos da Liga (1934-1938), Campeonatos Nacionais 1ª Divisão (1938-1959) e Taça de Portugal (1938-1959).
Portanto, na minha opinião, a contagem dos títulos deveria ser a mesma que era feita há 20, 30, 40 anos. Títulos do Campeonato Nacional da 1ª Divisão e Taça de Portugal num lado, Campeonato de Portugal e Campeonato da Liga (experimental) no outro. O problema é que, a certa altura, o Benfica começou a contar os títulos do Campeonato da Liga (experimental) como sendo títulos nacionais e juntou-os à contagem dos títulos do Campeonato Nacional 1ª Divisão. Não sabia como e quando esta alteração de contagem tinha ocorrido mas graças à indicação de um grande militante Sportinguista (obrigado, @tonicasubtonica!), finalmente descobri a origem da mudança da história do nosso futebol. Conforme se pode ler no interessante blog "Em Defesa do Benfica", autoria de um historiador benfiquista que peca por ser demasiado... lampião, tal decisão foi tomada em 2004/05, momento em que a rivalidade Benfica-Porto estava ao rubro, com os portistas a vencerem títulos atrás de títulos e com o Benfica a tentar repor a diferença de modo a não perder distância no "campeonato dos palmarés". Aliás, o próprio autor do blog revela que ele foi uma das pessoas que esteve por trás dessa decisão. Sobre esta "guerra", lembro-me bem que, a certa altura, havia uma discussão nos cafés e nas tvs sobre quem teria mais títulos - se o Porto já tinha apanhado o Benfica ou se o Benfica ainda liderava - e até se discutia se as Taças Latinas, cuja competição o Benfica vencera por uma vez nos anos 50, seriam títulos oficiais ou não... Portanto, é neste ambiente do "futebol-português-que-só-tem-espaço-para-dois-grandes" que o Benfica decide, junto com a conivência da FFP gerida pelo daninho Gilberto Madaíl, acrescentar 3 títulos de campeão nacional, perfazendo 31 títulos, razão mais que perfeita para o Benfica liderado pelo megalomaníaco Luís Filipe Vieira mandar colocar 3 estrelas junto ao símbolo da camisola, simbolizando cada estrela, dez títulos.
Como é normal em Portugal, em estado #EstadoLampiânico* desde, pelo menos, os anos 30, ninguém se questionou sobre esta torpe jogada do Benfica, nem mesmo o Sporting da altura, que estava entregue ao "croquettismo" e certamente mais interessado em saber quanto valiam os terrenos de Alvalade do que propriamente preocupado com esta coisa chata do "futebol". Até o proponente historiador-lampião escreveu que a adição dos 3 títulos aos 28 "Acabou por ser mais fácil do que imaginava"...
Chegados aqui, sendo eu a favor da contagem separada dos títulos, e deparando-me com esta sórdida jogada do Benfica, em considerar títulos que, na altura em que foram disputados, não eram considerados nacionais, só posso concordar com a decisão do Sporting em voltar ("voltar" é a palavra chave aqui) a considerar os Campeonatos de Portugal ganhos em 1923, 1934, 1936 e 1938 como seus títulos nacionais de futebol. Novamente no tal blog do historiador lampião, lê-se, num post acerca deste tema, uma referência a um livro escrito - em três volumes - pelo avô do actual presidente do Sporting, Eduardo de Azevedo. Diz o blogger lampião que, a certa altura no dito livro ("História e Vida do Sporting Club de Portugal"), na contagem dos títulos de futebol, o autor diferencia os títulos dos Campeonatos de Portugal dos títulos dos Campeonatos da Liga, o que é verdade, mas, lá está, também não os junta aos títulos da Taça de Portugal. A verdade é que, nos anos 1960s-1970s, altura em que o livro foi escrito, era mais ou menos assim que os títulos estavam divididos, tal como demonstrei acima, no início do post. Mas o historiador lampião esqueceu-se de mencionar a página 638 do Volume II, onde é mostrado um gráfico de 1940/41 do Sporting Clube de Portugal com os títulos ganhos pelo clube até então. E são cinco os "Campeonatos Nacionais de foot-ball" que o Sporting contabiliza em 1941, ou seja, dois anos depois do fim dos Campeonatos da Liga (experimentais). Cinco e não um, como o Sporting contabilizava até à época passada.
Mais. Em 1956, por altura da inauguração do antigo estádio de Alvalade, o Sporting edita e publica um livro oficial intitulado "50 Anos ao Serviço do Desporto e da Pátria". Não é um livro sobre a história do Sporting Clube de Portugal propriamente dito mas tem, no entanto, alguns factos sobre a génese do clube e dados sobre as modalidades do clube até então, entre as quais, o palmarés de cada uma. Na secção de futebol, o Sporting contabilizava, em 1956, treze (13) Campeonatos Nacionais de futebol, ou seja, o Sporting "juntava" os títulos do Campeonato de Portugal com os títulos do Campeonato Nacional. Portanto, a decisão desta direção de 2016 voltar ("voltar", a tal palavra-chave) a considerar os títulos do Campeonato de Portugal como títulos de campeão nacional de futebol não é uma decisão estapafúrdia e extemporânea. O Sporting Clube de Portugal tem toda a moral para considerar ter 22 títulos de campeão nacional em vez de 18. A RSSSF, por exemplo, concorda com o Sporting.
Entretanto, deixo uma pergunta aos lampiões que se deram ao trabalho de ler até aqui. Como decerto saberão, os principais clubes europeus e vários grupos económicos (chineses, americanos...) estão interessados em transformar a actual Liga dos Campeões, disputada em forma de fase de grupos e eliminatórias (e já antes transformada de uma prova apenas a eliminar...), numa nova "Super Liga Europeia", fechada e, imaginemos, disputada em forma de «poule», ou seja, jogos de ida e volta. Se se confirmar o surgimento de uma "nova" competição, deixarão de contar como seus os títulos europeus de 1960/61 e 1961/62, tal como não querem que o Sporting Clube de Portugal conte com os títulos nacionais de 1922/23, 1933/34, 1935/36 e 1937/38?
"O melhor dos títulos portugueses"
Num país como o nosso, é a moral da "coisa" que me interessa, mais do que qualquer aspecto legal relacionado com a oficialização dos títulos. Por exemplo, interessa-me mais o conteúdo das escutas do Apito Dourado do que saber se elas foram obtidas de forma "ilegal". E interessa-me muito mais tentar perceber se os jogadores da época davam mais atenção ao Campeonato de Portugal ou ao Campeonato da Liga (experimental). Seria interessante sabê-lo. Mas também é deveras interessante saber que, em 1936, os jornalistas da época consideravam o Campeonato de Portugal como o melhor dos títulos portugueses do que saber que, em 2005, a FPF achava que era o Campeonato da Liga (experimental). Seja como for, mesmo no aspecto legal, o Sporting Clube de Portugal não tem motivos para se embaraçar neste desígnio de reivindicação dos títulos do Campeonato de Portugal como sendo títulos oficiais de campeões nacionais de futebol.
"O público desportivo tem os olhos postos no campeonato de Portugal de football. A competição tem um interesse enorme. Quer dizer, o campeonato das Ligas não esgotou o entusiasmo da massa desportiva. Aproxima-se o fim da competição, pois estamos nas meias finais. Apenas 3 domingos e conhecer-se-á o campeão de Portugal, aquele que ostentará durante uma temporada inteira o melhor dos títulos portugueses." (Diário de Lisboa", #4513, 12 de junho de 1935)
No livro "As Origens do Futebol", de Manuel Sousa, encontramos, além da prova de que o Campeonato de Portugal, em termos de importância, era superior ("ficou resolvido promover a título experimental os campeonatos da Liga, I e II Divisões, sem prejuízo dos campeonatos distritais, nem do Campeonato de Portugal"), o confinamento e especificidade dessa competição limitada aos anos de 1934-1938.
Mas é no livro oficial "Federação Portuguesa de Futebol, 1914-1989, no 1º Centenário do Futebol Português, Os Anos de Diamante" que podemos perceber bem que, de facto, entre 1934 e 1938, anos da alteração do modelo competitivo do futebol português, era o Campeonato de Portugal que definia quem era o campeão nacional. Lê-se assim na página 111:
"Analisada a questão, ponderados os prós e os contras, a direcção federativa aprovou o regulamento e decidiu, finalmente, organizar os campeonatos da Liga, deixando bem expresso em acta... ficou resolvido promover a título experimental os campeonatos da Liga, I e II Divisões, sem prejuízo dos campeonatos distritais, nem do campeonato de Portugal. (...)
Na remodelação global para encaixar os torneios da Liga na programação anual portuguesa teve de se recorrer a indispensáveis reajustamentos (...) 2- Ao campeonato da Liga da I Divisão - também em «poule» - houve que limitar a entrada a oito clubes de um reduzido número de Associações (4) - Lisboa, Porto, Coimbra e Setúbal -, o que o impedia, por restrição territorial, de ter o estatuto Nacional.
3- O campeonato de Portugal (embora continuando pelo sistema de sucessivas jornadas de eliminação, abrangia, praticamente, todo o território português, daí a justeza da sua denominação) viu-se obrigado a reduzir o número de jogos e, para isso, a solução encontrada foi acabar com a fase prévia do Torneio de Classificação, em vigor nos anos anteriores, passando os campeonatos da Liga a servir de trampolim na qualificação de todos os clubes para a prova máxima. E assim se estabeleceu e ficou regulamentado: No Campeonato de Portugal - prova máxima do nosso futebol - participam 15 clubes, a saber: os oito qualificados através dos regionais para a 1ª Liga; os vencedores (4) das quatro zonas do campeonato da 2ª Liga; mais os dois apurados entre os 2ºs classificados das mesmas zonas e, ainda, o representante das ilhas, apurado entre Madeira/Açores.
Assim regulamentou a Federação Portuguesa de Futebol e só por isso o Campeonato da Liga - prova subjacente do Campeonato de Portugal para a qualificação das equipas com direito a disputá-lo - nunca pôde ser equiparado aos nacionais, iniciados em 1938/39, com a nova regulamentação que extinguiu os antigos campeonatos de Portugal."
Na página 116, lê-se:
"E, a seguir, justificava-se pormenorizadamente a regulamentação das novas provas, os Campeonatos Nacionais de I e II Divisões e a Taça de Portugal, dizendo-se a dada altura que... para por em prática toda esta realização há que acabar com os campeonatos das 1ª e 2ª Liga e substituir o Campeonato de Portugal das jornadas em sucessivas eliminações, por um campeonato de maior rigor e regularidade pelo sistema de «poule» em duas voltas."
Página 118:
"O sistema adoptado foi de facto o mesmo dos anteriores campeonato da Liga, mas esta prova, ainda no dizer dos legisladores... restrita a oito clubes de quatro Associações, não tinha dimensão nacional, por isso a solução encontrada, na impossibilidade de momento de se ir mais longe, é a da abertura de uma porta de acesso aos dois Campeonatos Nacionais das I e II Divisões."
Repitam em voz alta: "Não tinha dimensão nacional". "Não tinha dimensão nacional". "Não tinha dimensão nacional".
E, respondendo à dúvida sobre o que fazer aos títulos ganhos de 1938 para trás, efectuada por um dos próprios mentores de então à alteração do formato de competição, o anteriormente referido Ricardo Ornellas, leiamos o que tinha a dizer a Federação Portuguesa de Futebol (em 1939), na mesma página 118:
"E, assim, como dizíamos atrás, os campeonatos nacionais foram, efectivamente, tornados oficiais a partir de 1938, mas... o da I Divisão, sem a perfeição desejada pelos seus criadores, capitão Maia Loureiro, capitão Ribeiro dos Reis e Cândido de Oliveira.
Nem tão-pouco pelo homem que mais se bateu pela criação de um campeonato nacional em «poule», o jornalista Ricardo Ornellas, que, dois dias antes da nova prova começar, na edição nº 2132 de «Os Sports», de 7 de Janeiro de 1939, escreveu: Ficou-se, assim, com um campeonato injustificadamente fechado. Mas no final de contas, recordando bem as coisas, não há que admirar porque, no que respeita a nomes dados às várias competições organizadas no nosso país, é pecha antiga a impropriedade das designações. Este novo campeonato nacional é, pois, mais um torneio impropriamente intitulado. E tão próprio que até custa tomá-lo como seguimento dos anteriores campeonatos de Portugal. De resto, é questão a colocar à Federação. Da prova que depois da amanhã começa sai o 18º campeão de Portugal, cujo nome se inscreverá a seguir ao do Sporting na lista dos vencedores do torneio começado em 1922 [O Campeonato de Portugal], ou, apenas, primeiro vencedor do campeonato nacional, prova nova. Vale, realmente, a pena fazer-se esse esclarecimento."
Portanto, em 1939, a maior sumidade intelectual do futebol português de então, o influente Ricardo Ornellas, nem sequer colocava a hipótese dos vencedores do Campeonatos da Liga (experimentais) de 1934-38 poderem ser considerados como campeões nacionais!
Continuando na página 118:
"A questão nunca se levantou pondo em causa os campeonatos da Liga, que foram importantes, tiveram a sua história, mas nunca foram considerados, oficialmente, nacionais. Nas quatro épocas em que se realizaram, a prova número um foi o Campeonato de Portugal. E, claro, que não podia de modo algum proclamar-se, na mesma época, um campeão de Portugal e um campeão nacional. Seria um absurdo.
Isso nunca esteve em causa a nível oficial. Em causa esteve, sim, o esclarecimento pedido por Ricardo Ornellas, no momento oportuno, e, posteriormente, por outras entidades a que a Federação respondeu, acabando com todas as dúvidas e confusões: São campeões de Portugal todos os clubes que ganharam esta prova, propriamente dita, de 1921/22 até 1937/38 e serão campeões nacionais os clubes que vierem a ganhar a competição, organizada em novos moldes, a partir de 1938/39."
Depois de se ler o que está sublinhado, ainda há dúvidas? Para terminar, o autor do livro ainda acrescenta:
"Depois de tudo isto que se passou e se encontra documentado, como o mais válido testemunho nos arquivos da Federação e nos jornais da época, ninguém pode alterar ou desviar o curso da história da prova, oficialmente regulamentada pelo organismo máximo, mandatado pelas Associações para gerir os destinos do futebol português"
... Excepto se se tratar do Benfica, acrescento eu.
Em outubro de 1938, dois meses após a alteração oficial do modelo competitivo em Portugal, realizou-se, no campo das Salésias, o I Congresso Nacional de Futebol, organizado pela FPF e com o propósito de comemorar os 50 anos do futebol em Portugal. Nesse ano de 1938, tínhamos então o Benfica vencedor do 4º e último Campeonato da Liga (experimental) e o Sporting Clube de Portugal, vencedor do 17º Campeonato de Portugal. O Benfica reivindica como seu, o título de campeão nacional desse ano; o Sporting Clube de Portugal, idem.
Quem foi, afinal, o campeão de 1937/38? A quem chamariam "Campeões de Portugal" os homens desse tempo? Quem tem mais moral para se considerar campeão?
De 1921 a 1934, havia uma competição nacional de futebol chamada "Campeonato de Portugal" que servia para apurar o campeão nacional. Esta competição era disputada por eliminatórias, tal como a actual Taça de Portugal. Era assim que também era encontrado o campeão de Itália, Alemanha e mesmo França, nos inícios do desporto-rei. O primeiro campeão italiano de futebol, por exemplo, foi o Genoa CFC (vulgo Génova), em 1898, após ter disputado apenas dois (2) jogos: uma meia-final e a final. Tal título continua oficial e completamente válido, conforme se pode verificar no site da Liga Italiana e do próprio Genoa.
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| O extenuante percurso que o Genoa CFC teve de trilhar para ser tornar o 1º campeão italiano de calcio, em 1898. |
Em França, apenas contabilizam os títulos das ligas profissionais (de 1932 em diante) mas a FIFA reconhece algumas das entidades que regiam o futebol francês em 1904 (U.S.F.S.A) e 1908 (U.S.F.S.A), logo, há "moral" para os clubes vencedores de então reivindicarem os seus títulos ganhos numa competição disputada em eliminatórias. O clube francês Standard Athletic Club não tem pejo em escrever, no seu site oficial, que em 1894 "(...) against all odds, it won a momentous final to become the first ever football champions of France."...
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| O percurso do Standard Athletic Club até se ter tornado o 1º campeão francês de football, em 1894 |
Na Alemanha, o panorama é idêntico e também já li que noutros países (Bélgica, Bulgária, etc) também era assim, em formato de eliminatórias, que se encontravam os respectivos campeões nacionais de futebol. Na página Wikipedia da "Lista dos campeões de futebol alemão", lê-se:
"Before the formation of the Bundesliga in 1963, the championship format was based on a knockout competition, contested between the winners of each of the country's top regional leagues."
E no site oficial da Federação Alemã de Futebol (Deutscher Fußball-Bund), encontramos a lista de todos os campeões alemães de futebol, antes e depois do aparecimento da Bundesliga (futebol profissionalizado).
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| O percurso do VfB Leipzig até se ter tornado o 1º campeão alemão de football, em 1903, depois de bater o DFC Prag na final por 7 bolas a 2. |
Enquanto andava a ler sobre este assunto, encontrei um site de um pseudo-jornalista português que, para considerar válida a transformação do Campeonato de Portugal em Taça de Portugal, foi comparar a FA Cup (Football Association Cup) e o surgimento da Liga Inglesa (The Football League), afirmando "Da mesma forma, em Inglaterra, o vencedor da FA Cup foi considerado campeão nacional até ao aparecimento da First Division". Ora, a FA Cup, competição disputada em forma de eliminatórias, nunca serviu para apurar o campeão inglês, logo a comparação é estúpida. Como é que sei? Enviei um email ao tipo responsável pelo site "Welsh Football Data Archive". A pergunta que fiz ao senhor Mel Thomas foi se "Alguma vez o vencedor da FA Cup, entre os anos 1872 (ano da primeira edição da FA Cup) e 1888 (surgimento da The Football League), foi considerado como sendo "Campeão de Inglaterra", seja pelos media ou entidades oficiais?" A resposta do senhor Mel Thomas: "It's not something I've come across. I've checked a lot of newspapers between 1872 and 1888 and found one example of "champions of England". This is from the Liverpool Mercury 2 April 1883. See attached. But I can tell you that it's not a common title."
A FA Cup servia para apurar o vencedor de uma competição chamada The Football Association Cup, apenas e só, e o vencedor do Campeonato de Portugal servia para apurar o Campeão de Portugal, apenas e só. Misturar os dois conceitos de competição é absurdo. Continuando.
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| Enviei emails à UEFA, FIFA, FPF, etc e estes tipos galeses foram dos poucos que responderam. "Diolch yn fawr iawn!" |
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| "Saudemos o Campeão de Portugal!" [Club Sport Marítimo] Revista "Eco dos Sports", #15, 13 de junho de 1926 |
Além destes países, também em Espanha havia um "Campeonato de España", que funcionava, tal e qual, como o nosso Campeonato de Portugal. Porém, com a inevitabilidade do profissionalismo no futebol, em 1928-29 surgiu a "Primera División de España", mais conhecida por "La Liga", tornando-se esta a principal competição em Espanha - a que define o campeão - e o "Campeonato de España" passou a ser a "Copa del Rey". Os "Campeonatos de España" ganhos antes de 1928 passaram a ser considerados como títulos da "Copa del Rey". Tanto quanto sei, em Espanha não houve (não há?) problemas em reconhecimento de títulos. Pelo menos, nunca me apercebi de tal. Mas em Espanha também não aconteceu o mesmo que em Portugal: não andaram quatro anos a disputar, "a título experimental", Campeonatos da Liga...
Ora, o "problema" dos Campeonatos de Portugal que o Sporting reivindica não pode ser resolvido sem antes se resolver o problema dos títulos da "Liga Experimental", que o Benfica reclamou a certa altura da década passada (2005) como sendo títulos nacionais de futebol.
A minha teoria é que, em 1938, quando se decidiu alterar o quadro competitivo do futebol português, deu-se início a um pacto "não-assinado" de "não-agressão" entre os clubes portugueses, dirigentes, jornalistas, etc, onde "decidiram" manter os seus palmarés, tal como estavam até então, ao contrário do que se fez em Espanha. Por exemplo, seguindo a lógica de nuestros hermanos, os Campeonatos de Portugal conquistados antes de 1938 (ou 34...) passariam a fazer parte do palmarés da Taça de Portugal mas não foi isso que aconteceu. Não houve essa junção de provas. O Campeonato de Portugal era uma prova distinta, a Taça de Portugal idem e o Campeonato Nacional 1ª Divisão (actual Liga) também. É por isso que hoje vemos no site do Belenenses, Benfica e Porto distinção entre competições no seu palmarés. (Já lá vamos ao Sporting...)
Campeonatos de Portugal não são Taças de Portugal. E Campeonatos da Liga (experimentais) não são Campeonatos Nacionais 1ª Divisão.
No livro oficial de comemoração do 1º centenário do futebol português, editado pela Federação Portuguesa de Futebol, em 1989, além de explicar bem o surgimento e relevância dos Campeonatos da Liga de 1934 até 1938, também demonstra, claramente, que os Campeonatos da Liga (experimentais) não podem ser considerados como títulos de Campeonatos Nacionais da 1ª Divisão (como o Benfica e Porto consideram).
| Livro oficial de comemoração do 1º centenário do futebol português, FPF, 1989 |
| Campeonatos da Liga são uma coisa... |
| ... Campeonatos da 1ª Divisão, outra. |
| E, obviamente, a Taça de Portugal é outra coisa completamente diferente. |
Até finais dos anos 90, início deste século, era assim que os palmarés dos clubes estavam divididos: Campeonato de Portugal, Taça de Portugal, Campeonato da Liga e Campeonato da 1ª Divisão. É por isso que em 1994, o jornal Record considerava que o Benfica ainda só tinha 27 títulos (e não 30, pelas contas de hoje).
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| #Not35 |
E não era só o Record que o dizia. A Panini também:
| Tenho mais confiança na Panini do que na FPF |
| 26 títulos da I Divisão #Not35 |
E mesmo A Bola, na sua obra literária mais importante da sua história, "Glória e Vida de Três Gigantes", editado algures nos anos 90, também considerava que Campeonatos da Liga (experimentais) são uma coisa e os Campeonatos da 1ª Divisão são outra:
| Das poucas coisas de jeito qu'A BOLA já publicou. |
| Vencedores do "Campeonato da Liga" numa lista, vencedores do "Campeonato Nacional da 1ª Divisão" noutra. |
No livro escrito "50 Anos de Benfica-Sporting" (1954), escrito por dois benfiquistas (Mário de Oliveira e Rebelo da Silva) e prefaciado por outro (Ribeiro dos Reis), os títulos também estão diferenciados. Campeonatos de Portugal (1922-1938), Campeonatos da Liga (1934-1938), Campeonatos Nacionais 1ª Divisão (1938-1959) e Taça de Portugal (1938-1959).
| Os dois autores deste livro (Mário de Oliveira e Rebelo da Silva) também escreveram "História do SL Benfica (1904-1954)" |
| Campeonatos de Portugal num lado e Campeonatos da Liga (experimental) noutro. |
| Campeonatos da 1ª Divisão e Taças de Portugal |
Portanto, na minha opinião, a contagem dos títulos deveria ser a mesma que era feita há 20, 30, 40 anos. Títulos do Campeonato Nacional da 1ª Divisão e Taça de Portugal num lado, Campeonato de Portugal e Campeonato da Liga (experimental) no outro. O problema é que, a certa altura, o Benfica começou a contar os títulos do Campeonato da Liga (experimental) como sendo títulos nacionais e juntou-os à contagem dos títulos do Campeonato Nacional 1ª Divisão. Não sabia como e quando esta alteração de contagem tinha ocorrido mas graças à indicação de um grande militante Sportinguista (obrigado, @tonicasubtonica!), finalmente descobri a origem da mudança da história do nosso futebol. Conforme se pode ler no interessante blog "Em Defesa do Benfica", autoria de um historiador benfiquista que peca por ser demasiado... lampião, tal decisão foi tomada em 2004/05, momento em que a rivalidade Benfica-Porto estava ao rubro, com os portistas a vencerem títulos atrás de títulos e com o Benfica a tentar repor a diferença de modo a não perder distância no "campeonato dos palmarés". Aliás, o próprio autor do blog revela que ele foi uma das pessoas que esteve por trás dessa decisão. Sobre esta "guerra", lembro-me bem que, a certa altura, havia uma discussão nos cafés e nas tvs sobre quem teria mais títulos - se o Porto já tinha apanhado o Benfica ou se o Benfica ainda liderava - e até se discutia se as Taças Latinas, cuja competição o Benfica vencera por uma vez nos anos 50, seriam títulos oficiais ou não... Portanto, é neste ambiente do "futebol-português-que-só-tem-espaço-para-dois-grandes" que o Benfica decide, junto com a conivência da FFP gerida pelo daninho Gilberto Madaíl, acrescentar 3 títulos de campeão nacional, perfazendo 31 títulos, razão mais que perfeita para o Benfica liderado pelo megalomaníaco Luís Filipe Vieira mandar colocar 3 estrelas junto ao símbolo da camisola, simbolizando cada estrela, dez títulos.
Como é normal em Portugal, em estado #EstadoLampiânico* desde, pelo menos, os anos 30, ninguém se questionou sobre esta torpe jogada do Benfica, nem mesmo o Sporting da altura, que estava entregue ao "croquettismo" e certamente mais interessado em saber quanto valiam os terrenos de Alvalade do que propriamente preocupado com esta coisa chata do "futebol". Até o proponente historiador-lampião escreveu que a adição dos 3 títulos aos 28 "Acabou por ser mais fácil do que imaginava"...
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| *A bandeira: "Estado Bemfica" [cartoon de 20 de março de 1930] #EstadoLampiânico |
Chegados aqui, sendo eu a favor da contagem separada dos títulos, e deparando-me com esta sórdida jogada do Benfica, em considerar títulos que, na altura em que foram disputados, não eram considerados nacionais, só posso concordar com a decisão do Sporting em voltar ("voltar" é a palavra chave aqui) a considerar os Campeonatos de Portugal ganhos em 1923, 1934, 1936 e 1938 como seus títulos nacionais de futebol. Novamente no tal blog do historiador lampião, lê-se, num post acerca deste tema, uma referência a um livro escrito - em três volumes - pelo avô do actual presidente do Sporting, Eduardo de Azevedo. Diz o blogger lampião que, a certa altura no dito livro ("História e Vida do Sporting Club de Portugal"), na contagem dos títulos de futebol, o autor diferencia os títulos dos Campeonatos de Portugal dos títulos dos Campeonatos da Liga, o que é verdade, mas, lá está, também não os junta aos títulos da Taça de Portugal. A verdade é que, nos anos 1960s-1970s, altura em que o livro foi escrito, era mais ou menos assim que os títulos estavam divididos, tal como demonstrei acima, no início do post. Mas o historiador lampião esqueceu-se de mencionar a página 638 do Volume II, onde é mostrado um gráfico de 1940/41 do Sporting Clube de Portugal com os títulos ganhos pelo clube até então. E são cinco os "Campeonatos Nacionais de foot-ball" que o Sporting contabiliza em 1941, ou seja, dois anos depois do fim dos Campeonatos da Liga (experimentais). Cinco e não um, como o Sporting contabilizava até à época passada.
| Livro, em três volumes, escrito pelo avô de BdC |
Mais. Em 1956, por altura da inauguração do antigo estádio de Alvalade, o Sporting edita e publica um livro oficial intitulado "50 Anos ao Serviço do Desporto e da Pátria". Não é um livro sobre a história do Sporting Clube de Portugal propriamente dito mas tem, no entanto, alguns factos sobre a génese do clube e dados sobre as modalidades do clube até então, entre as quais, o palmarés de cada uma. Na secção de futebol, o Sporting contabilizava, em 1956, treze (13) Campeonatos Nacionais de futebol, ou seja, o Sporting "juntava" os títulos do Campeonato de Portugal com os títulos do Campeonato Nacional. Portanto, a decisão desta direção de 2016 voltar ("voltar", a tal palavra-chave) a considerar os títulos do Campeonato de Portugal como títulos de campeão nacional de futebol não é uma decisão estapafúrdia e extemporânea. O Sporting Clube de Portugal tem toda a moral para considerar ter 22 títulos de campeão nacional em vez de 18. A RSSSF, por exemplo, concorda com o Sporting.
Entretanto, deixo uma pergunta aos lampiões que se deram ao trabalho de ler até aqui. Como decerto saberão, os principais clubes europeus e vários grupos económicos (chineses, americanos...) estão interessados em transformar a actual Liga dos Campeões, disputada em forma de fase de grupos e eliminatórias (e já antes transformada de uma prova apenas a eliminar...), numa nova "Super Liga Europeia", fechada e, imaginemos, disputada em forma de «poule», ou seja, jogos de ida e volta. Se se confirmar o surgimento de uma "nova" competição, deixarão de contar como seus os títulos europeus de 1960/61 e 1961/62, tal como não querem que o Sporting Clube de Portugal conte com os títulos nacionais de 1922/23, 1933/34, 1935/36 e 1937/38?
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| Vamos ignorar o photoshop, ok? Afinal, estamos a falar de um livro de 1956... :P |
"O melhor dos títulos portugueses"
Num país como o nosso, é a moral da "coisa" que me interessa, mais do que qualquer aspecto legal relacionado com a oficialização dos títulos. Por exemplo, interessa-me mais o conteúdo das escutas do Apito Dourado do que saber se elas foram obtidas de forma "ilegal". E interessa-me muito mais tentar perceber se os jogadores da época davam mais atenção ao Campeonato de Portugal ou ao Campeonato da Liga (experimental). Seria interessante sabê-lo. Mas também é deveras interessante saber que, em 1936, os jornalistas da época consideravam o Campeonato de Portugal como o melhor dos títulos portugueses do que saber que, em 2005, a FPF achava que era o Campeonato da Liga (experimental). Seja como for, mesmo no aspecto legal, o Sporting Clube de Portugal não tem motivos para se embaraçar neste desígnio de reivindicação dos títulos do Campeonato de Portugal como sendo títulos oficiais de campeões nacionais de futebol.
"O público desportivo tem os olhos postos no campeonato de Portugal de football. A competição tem um interesse enorme. Quer dizer, o campeonato das Ligas não esgotou o entusiasmo da massa desportiva. Aproxima-se o fim da competição, pois estamos nas meias finais. Apenas 3 domingos e conhecer-se-á o campeão de Portugal, aquele que ostentará durante uma temporada inteira o melhor dos títulos portugueses." (Diário de Lisboa", #4513, 12 de junho de 1935)
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| "Diário de Lisboa", #4513, 12 de junho de 1935 |
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| jornal "Os Sports", presumo que do dia 6 de julho de 1936, um dia depois da final do Campeonato de Portugal (Sporting 3-1 Belenenses) |
No livro "As Origens do Futebol", de Manuel Sousa, encontramos, além da prova de que o Campeonato de Portugal, em termos de importância, era superior ("ficou resolvido promover a título experimental os campeonatos da Liga, I e II Divisões, sem prejuízo dos campeonatos distritais, nem do Campeonato de Portugal"), o confinamento e especificidade dessa competição limitada aos anos de 1934-1938.
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| Livro pouco interessante mas útil (para quem quer saber mais da história do 'foot-ball' em Portugal) |
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| Ricardo Ornellas, lembrem-se deste nome. |
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| "impediu-lhe o estatuto de Nacional" |
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| "com a formação de um verdadeiro Campeonato Nacional" |
Mas é no livro oficial "Federação Portuguesa de Futebol, 1914-1989, no 1º Centenário do Futebol Português, Os Anos de Diamante" que podemos perceber bem que, de facto, entre 1934 e 1938, anos da alteração do modelo competitivo do futebol português, era o Campeonato de Portugal que definia quem era o campeão nacional. Lê-se assim na página 111:
"Analisada a questão, ponderados os prós e os contras, a direcção federativa aprovou o regulamento e decidiu, finalmente, organizar os campeonatos da Liga, deixando bem expresso em acta... ficou resolvido promover a título experimental os campeonatos da Liga, I e II Divisões, sem prejuízo dos campeonatos distritais, nem do campeonato de Portugal. (...)
Na remodelação global para encaixar os torneios da Liga na programação anual portuguesa teve de se recorrer a indispensáveis reajustamentos (...) 2- Ao campeonato da Liga da I Divisão - também em «poule» - houve que limitar a entrada a oito clubes de um reduzido número de Associações (4) - Lisboa, Porto, Coimbra e Setúbal -, o que o impedia, por restrição territorial, de ter o estatuto Nacional.
3- O campeonato de Portugal (embora continuando pelo sistema de sucessivas jornadas de eliminação, abrangia, praticamente, todo o território português, daí a justeza da sua denominação) viu-se obrigado a reduzir o número de jogos e, para isso, a solução encontrada foi acabar com a fase prévia do Torneio de Classificação, em vigor nos anos anteriores, passando os campeonatos da Liga a servir de trampolim na qualificação de todos os clubes para a prova máxima. E assim se estabeleceu e ficou regulamentado: No Campeonato de Portugal - prova máxima do nosso futebol - participam 15 clubes, a saber: os oito qualificados através dos regionais para a 1ª Liga; os vencedores (4) das quatro zonas do campeonato da 2ª Liga; mais os dois apurados entre os 2ºs classificados das mesmas zonas e, ainda, o representante das ilhas, apurado entre Madeira/Açores.
Assim regulamentou a Federação Portuguesa de Futebol e só por isso o Campeonato da Liga - prova subjacente do Campeonato de Portugal para a qualificação das equipas com direito a disputá-lo - nunca pôde ser equiparado aos nacionais, iniciados em 1938/39, com a nova regulamentação que extinguiu os antigos campeonatos de Portugal."
| Livro oficial de comemoração do 1º centenário do futebol português, FPF, 1989, pág. 110 |
| Livro oficial de comemoração do 1º centenário do futebol português, FPF, 1989, pág. 111 |
Na página 116, lê-se:
"E, a seguir, justificava-se pormenorizadamente a regulamentação das novas provas, os Campeonatos Nacionais de I e II Divisões e a Taça de Portugal, dizendo-se a dada altura que... para por em prática toda esta realização há que acabar com os campeonatos das 1ª e 2ª Liga e substituir o Campeonato de Portugal das jornadas em sucessivas eliminações, por um campeonato de maior rigor e regularidade pelo sistema de «poule» em duas voltas."
Página 118:
"O sistema adoptado foi de facto o mesmo dos anteriores campeonato da Liga, mas esta prova, ainda no dizer dos legisladores... restrita a oito clubes de quatro Associações, não tinha dimensão nacional, por isso a solução encontrada, na impossibilidade de momento de se ir mais longe, é a da abertura de uma porta de acesso aos dois Campeonatos Nacionais das I e II Divisões."
Repitam em voz alta: "Não tinha dimensão nacional". "Não tinha dimensão nacional". "Não tinha dimensão nacional".
| Livro oficial de comemoração do 1º centenário do futebol português, FPF, 1989, pág. 116 |
| Livro oficial de comemoração do 1º centenário do futebol português, FPF, 1989, pág. 118 |
E, respondendo à dúvida sobre o que fazer aos títulos ganhos de 1938 para trás, efectuada por um dos próprios mentores de então à alteração do formato de competição, o anteriormente referido Ricardo Ornellas, leiamos o que tinha a dizer a Federação Portuguesa de Futebol (em 1939), na mesma página 118:
"E, assim, como dizíamos atrás, os campeonatos nacionais foram, efectivamente, tornados oficiais a partir de 1938, mas... o da I Divisão, sem a perfeição desejada pelos seus criadores, capitão Maia Loureiro, capitão Ribeiro dos Reis e Cândido de Oliveira.
Nem tão-pouco pelo homem que mais se bateu pela criação de um campeonato nacional em «poule», o jornalista Ricardo Ornellas, que, dois dias antes da nova prova começar, na edição nº 2132 de «Os Sports», de 7 de Janeiro de 1939, escreveu: Ficou-se, assim, com um campeonato injustificadamente fechado. Mas no final de contas, recordando bem as coisas, não há que admirar porque, no que respeita a nomes dados às várias competições organizadas no nosso país, é pecha antiga a impropriedade das designações. Este novo campeonato nacional é, pois, mais um torneio impropriamente intitulado. E tão próprio que até custa tomá-lo como seguimento dos anteriores campeonatos de Portugal. De resto, é questão a colocar à Federação. Da prova que depois da amanhã começa sai o 18º campeão de Portugal, cujo nome se inscreverá a seguir ao do Sporting na lista dos vencedores do torneio começado em 1922 [O Campeonato de Portugal], ou, apenas, primeiro vencedor do campeonato nacional, prova nova. Vale, realmente, a pena fazer-se esse esclarecimento."
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| "Primeiro ou décimo oitavo?", a mesma dúvida de Ricardo Ornellas (Infelizmente, não sei de que jornal e edição se trata) |
Portanto, em 1939, a maior sumidade intelectual do futebol português de então, o influente Ricardo Ornellas, nem sequer colocava a hipótese dos vencedores do Campeonatos da Liga (experimentais) de 1934-38 poderem ser considerados como campeões nacionais!
Continuando na página 118:
"A questão nunca se levantou pondo em causa os campeonatos da Liga, que foram importantes, tiveram a sua história, mas nunca foram considerados, oficialmente, nacionais. Nas quatro épocas em que se realizaram, a prova número um foi o Campeonato de Portugal. E, claro, que não podia de modo algum proclamar-se, na mesma época, um campeão de Portugal e um campeão nacional. Seria um absurdo.
Isso nunca esteve em causa a nível oficial. Em causa esteve, sim, o esclarecimento pedido por Ricardo Ornellas, no momento oportuno, e, posteriormente, por outras entidades a que a Federação respondeu, acabando com todas as dúvidas e confusões: São campeões de Portugal todos os clubes que ganharam esta prova, propriamente dita, de 1921/22 até 1937/38 e serão campeões nacionais os clubes que vierem a ganhar a competição, organizada em novos moldes, a partir de 1938/39."
Depois de se ler o que está sublinhado, ainda há dúvidas? Para terminar, o autor do livro ainda acrescenta:
"Depois de tudo isto que se passou e se encontra documentado, como o mais válido testemunho nos arquivos da Federação e nos jornais da época, ninguém pode alterar ou desviar o curso da história da prova, oficialmente regulamentada pelo organismo máximo, mandatado pelas Associações para gerir os destinos do futebol português"
... Excepto se se tratar do Benfica, acrescento eu.
Em outubro de 1938, dois meses após a alteração oficial do modelo competitivo em Portugal, realizou-se, no campo das Salésias, o I Congresso Nacional de Futebol, organizado pela FPF e com o propósito de comemorar os 50 anos do futebol em Portugal. Nesse ano de 1938, tínhamos então o Benfica vencedor do 4º e último Campeonato da Liga (experimental) e o Sporting Clube de Portugal, vencedor do 17º Campeonato de Portugal. O Benfica reivindica como seu, o título de campeão nacional desse ano; o Sporting Clube de Portugal, idem.
Quem foi, afinal, o campeão de 1937/38? A quem chamariam "Campeões de Portugal" os homens desse tempo? Quem tem mais moral para se considerar campeão?
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4 de setembro de 2016
Diamantino Miranda, o comentador mais burro de sempre! 😂 ⚽️
Argh. Até me custa dizê-lo, mas o Brazado esteve muito bem a 'desmontar' a teoria mirabolante do Diamantino... Argh. :D
Diamantino Miranda, o comentador mais burro de sempre! :D от Com quem joga o Sporting? на Rutube.
23 de agosto de 2016
#EstadoLampiânico, pelo menos, desde 1930...
Isto é maravilhoso. Atente-se bem à data: 20 de fevereiro de 1930. Trata-se do semanário humorístico "Sempre Fixe", que, daquilo que já li de algumas edições, dedicava-se a ridicularizar políticos, artistas de teatro, desportistas e, sobretudo, jornalistas...
São estas pequenas pérolas que me fazem manter a sanidade mental, constantemente ameaçada pelo #EstadoLampiânico em que vivemos. Se já era assim em 1930, há alguma razão para pensar que a coisa está melhor em 2016? Muito pelo contrário!
São estas pequenas pérolas que me fazem manter a sanidade mental, constantemente ameaçada pelo #EstadoLampiânico em que vivemos. Se já era assim em 1930, há alguma razão para pensar que a coisa está melhor em 2016? Muito pelo contrário!
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| Edição completa disponível no site da Hemeroteca Digital de Lisboa, aqui. (nota: a imagem foi alterada para melhor leitura) |
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15 de julho de 2016
6 de julho de 2016
4 de julho de 2016
#NósOsDoentes
Vésperas de meia-final do EURO e que passa na cabeça do diretor adjunto do jornal A BOLA? Benfica (e JJ).
20 de junho de 2016
Campanhas
Enquanto que na BBC, as primeiras palavras de Rio Ferdinand, Jermaine Jenas e Alan Shearer eram elogiosas para o jogo que William Carvalho fez contra a Áustria, já na RTP3, o primeiro comentário de Carlos Daniel, o "Guardiola" do comentário desportivo, sobre William foi logo para o criticar. Felizmente, Costinha defendeu bem William do ataque vil do benfiquista de Paredes.
Lá elogiou um passe longo de William para, logo de seguida, espetar mais uma farpa e, pasme-se, ousar até associar o William ao termo inventado por Luís Freitas Lobo, o infame "lateralizar", isto depois de Danilo ter feito um jogo completamente "lateralizado" contra os islandeses, ao ponto de, com uma pequena mazela ou não, Fernando Santos o ter substituído por William Carvalho. Felizmente, Peseiro também entalou bem o "Guardiola".
Lá elogiou um passe longo de William para, logo de seguida, espetar mais uma farpa e, pasme-se, ousar até associar o William ao termo inventado por Luís Freitas Lobo, o infame "lateralizar", isto depois de Danilo ter feito um jogo completamente "lateralizado" contra os islandeses, ao ponto de, com uma pequena mazela ou não, Fernando Santos o ter substituído por William Carvalho. Felizmente, Peseiro também entalou bem o "Guardiola".
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29 de maio de 2016
Moutinhices
Ontem foi a final da Liga dos Campeões entre Real Madrid e Atlético Madrid, transmitida na RTP1. O Real Madrid de Cristiano Ronaldo, Florentino Pérez e Jorge Mendes contra o Atlético Madrid de Tiago, Enrique Cerezo e Doyen Sports. Não foi com surpresa que se viu Luís Filipe Vieira, Fernando Gomes e Antero Henrique entre os convidados para assistir, in loco, à final de Milão. Nem fiquei surpreendido ao ver a irmã do Cristiano Ronaldo cantar para os adeptos do Real, numa praça da cidade do norte de Itália. Já não posso dizer o mesmo do comentador do jogo de ontem na RTP. O narrador foi o habitual, o Alexandre Albuquerque, mas o comentador, ao contrário do que seria de esperar, não foi o António Tadeia mas sim o Bruno "perdão" Prata.
Não tinha muitas dúvidas, mas fui confirmar: o comentador de serviço nos últimos 6 jogos da Liga dos Campeões transmitidos pela RTP foi o António Tadeia. Benfica-Zenit, Bayern-Juventus, Bayern-Benfica, Benfica-Bayern, Man City-Real Madrid e Real Madrid, sempre narrados por Alexandre Albuquerque e comentados por Tadeia. Não fui verificar os jogos da fase de grupos mas tenho quase a certeza que foram, na sua maioria, também comentados por ele. De Bruno Prata, só me lembro de o ouvir comentar jogos das seleções jovens de Portugal, nomeadamente a seleção sub-21. Não me lembro de o ouvir comentar jogos da Liga dos Campeões esta época. E percebo porque não o puseram a comentar mais jogos...
E no entanto, foi Bruno Prata quem viajou até Milão, na companhia de Alexandre Alburquerque e do inenarrável Hugo Gilberto, certamente com o aval do chefe de redação, Carlos Daniel, para comentar, ao vivo, a final da Liga dos Campeões Europeus, disputada, como disse no início do post, entre o Atlético Madrid de Tiago, Enrique Cerezo e Doyen Sports, e o Real Madrid de Cristiano Ronaldo, Florentino Pérez e Jorge Mendes... dono da infame empresa de representação de jogadores, Gestifute, e que tem como funcionária, nem mais, nem menos, do que a esposa de Bruno Prata.
Portanto, temos o António Tadeia a fazer os "jogos de qualificação", sempre a titular e em jogos tão importantes como os dos quartos e meias-finais, para na final, o "seleccionador" Carlos Daniel deixá-lo de fora e convocar o Bruno Prata. Isto, para mim, é escandaloso. Faz lembrar quando o Moutinho ficou de fora dos convocados para o Mundial 2010. É uma vergonha absoluta. Mas não surpreendente.
Não me custa a crer que se passe o mesmo nas restantes redações deste país, em que o compadrio e nepotismo leve sempre a melhor sobre o profissionalismo e imparcialidade. António Tadeia, daquilo que fui lendo e ouvido ao longo destes tempos, é Sportinguista mas, ao contrário da maioria dos seus colegas que são benfiquistas, não deixa que o seu clubismo lhe tolda a racionalidade e remova a imparcialidade. Aliás, por vezes, vejo-o a ser mais crítico com o Sporting e benevolente com o Benfica, o que faz com que muitos Sportinguistas o critiquem várias vezes. É isto que foi acontecendo nos últimos anos, décadas. Os jornalistas, mais ou menos, afectos ao Sporting foram encostados, esquecidos ou mesmo empurrados (vide o José Manuel Freitas, que está agora na TVI24 e que foi "chutado" d'A BOLA), para dar lugar a esta nova vaga de "jornalistas" conotados com o #NacionalBenfiquismo e onde lhes éordenado dado espaço público para elogiar os fundos, LFV, Benfica, FPF, Fernando Gomes e para ignorar ou criticar tudo o que venha do lado do Sporting (BdC, JJ, os vouchers, etc)
Quando reparei que era o Bruno Prata a comentar o jogo, não resisti e mandei uma boca no Twitter ao António Tadeia. Perguntou o que se tratava e respondi de volta, perguntando-lhe se não deveria ser ele que deveria estar em Milão a comentar o jogo. Disse, olimpicamente, que iria estar hoje no Porto, a comentar o Portugal-Noruega mas não foi isso que eu lhe tinha perguntado... Ainda insisti mas não disse mais nada. Fiquei esclarecido.
Se o António Tadeia, dos poucos jornalistas que acho que são ainda verdadeiramente independentes, não reage e não se indigna por tamanha injustiça que lhe fizeram (provavelmente, com receio de perder o seu ganha-pão), é sinal de quão as coisas estão mal em Portugal... ou alguém duvida que o Tadeia não preferia ter comentado ontem a final da Liga dos Campeões em vez de um particular qualquer entre Portugal e Noruega?
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| "O Jorge Mendes é mesmo o melhor agente do mundo: consegue meter Katia Aveiro a cantar em Milão e o Bruno Prata a comentar o jogo na RTP" |
Não tinha muitas dúvidas, mas fui confirmar: o comentador de serviço nos últimos 6 jogos da Liga dos Campeões transmitidos pela RTP foi o António Tadeia. Benfica-Zenit, Bayern-Juventus, Bayern-Benfica, Benfica-Bayern, Man City-Real Madrid e Real Madrid, sempre narrados por Alexandre Albuquerque e comentados por Tadeia. Não fui verificar os jogos da fase de grupos mas tenho quase a certeza que foram, na sua maioria, também comentados por ele. De Bruno Prata, só me lembro de o ouvir comentar jogos das seleções jovens de Portugal, nomeadamente a seleção sub-21. Não me lembro de o ouvir comentar jogos da Liga dos Campeões esta época. E percebo porque não o puseram a comentar mais jogos...
Benfica-Zenit, 16/02/2016
https://www.facebook.com/antonio.tadeia/photos/a.298540570255537.66567.298524470257147/861141997328722/?type=1&theater
Bayern-Juventus, 16/03/2016
https://twitter.com/atadeia/status/710183318835355648
Bayern-Benfica, 05/04/2016
https://twitter.com/atadeia/status/710183318835355648
Benfica-Bayern, 13/04/2016
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=897057760403812
Man City-Real Madrid, 26/04/2016
https://www.facebook.com/antonio.tadeia/posts/904351429674445
Real Madrid-Man City, 04/05/2016
https://www.facebook.com/antonio.tadeia/posts/908707079238880
E no entanto, foi Bruno Prata quem viajou até Milão, na companhia de Alexandre Alburquerque e do inenarrável Hugo Gilberto, certamente com o aval do chefe de redação, Carlos Daniel, para comentar, ao vivo, a final da Liga dos Campeões Europeus, disputada, como disse no início do post, entre o Atlético Madrid de Tiago, Enrique Cerezo e Doyen Sports, e o Real Madrid de Cristiano Ronaldo, Florentino Pérez e Jorge Mendes... dono da infame empresa de representação de jogadores, Gestifute, e que tem como funcionária, nem mais, nem menos, do que a esposa de Bruno Prata.
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| Hugo Gilberto e Carlos Daniel, os manda-chuva do desporto da RTP, a conversarem com LFV, outro manda-chuva. |
Portanto, temos o António Tadeia a fazer os "jogos de qualificação", sempre a titular e em jogos tão importantes como os dos quartos e meias-finais, para na final, o "seleccionador" Carlos Daniel deixá-lo de fora e convocar o Bruno Prata. Isto, para mim, é escandaloso. Faz lembrar quando o Moutinho ficou de fora dos convocados para o Mundial 2010. É uma vergonha absoluta. Mas não surpreendente.
Não me custa a crer que se passe o mesmo nas restantes redações deste país, em que o compadrio e nepotismo leve sempre a melhor sobre o profissionalismo e imparcialidade. António Tadeia, daquilo que fui lendo e ouvido ao longo destes tempos, é Sportinguista mas, ao contrário da maioria dos seus colegas que são benfiquistas, não deixa que o seu clubismo lhe tolda a racionalidade e remova a imparcialidade. Aliás, por vezes, vejo-o a ser mais crítico com o Sporting e benevolente com o Benfica, o que faz com que muitos Sportinguistas o critiquem várias vezes. É isto que foi acontecendo nos últimos anos, décadas. Os jornalistas, mais ou menos, afectos ao Sporting foram encostados, esquecidos ou mesmo empurrados (vide o José Manuel Freitas, que está agora na TVI24 e que foi "chutado" d'A BOLA), para dar lugar a esta nova vaga de "jornalistas" conotados com o #NacionalBenfiquismo e onde lhes é
Quando reparei que era o Bruno Prata a comentar o jogo, não resisti e mandei uma boca no Twitter ao António Tadeia. Perguntou o que se tratava e respondi de volta, perguntando-lhe se não deveria ser ele que deveria estar em Milão a comentar o jogo. Disse, olimpicamente, que iria estar hoje no Porto, a comentar o Portugal-Noruega mas não foi isso que eu lhe tinha perguntado... Ainda insisti mas não disse mais nada. Fiquei esclarecido.
Se o António Tadeia, dos poucos jornalistas que acho que são ainda verdadeiramente independentes, não reage e não se indigna por tamanha injustiça que lhe fizeram (provavelmente, com receio de perder o seu ganha-pão), é sinal de quão as coisas estão mal em Portugal... ou alguém duvida que o Tadeia não preferia ter comentado ontem a final da Liga dos Campeões em vez de um particular qualquer entre Portugal e Noruega?
— Rodrigo Lux (@captomente) 28 de maio de 2016
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9 de maio de 2016
#NacionalBenfiquismo 2
Idosa morta à bengalada em lar
Motivo do crime terá sido o jogo do Marítimo com o Benfica.
Uma mulher de 69 anos matou este domingo uma idosa de 88 anos num lar da Santa Casa da Misericórdia em Ourique, no Alentejo. A arma do crime foi uma bengala. O crime ocorreu cerca das 23h00 e o motivo das agressões terá sido um desentendimento sobre o jogo de domingo do Marítimo com o Benfica. As duas mulheres partilhavam o mesmo quarto. A vítima Mariana Vitória, de 88 anos, era natural de Santiago e residiu muitos anos numa freguesia perto de Ourique. A agressora era utente do lar há vários anos e era acompanhada no serviço de psiquiatria do hospital de Beja. A agressora está a ser interrogada pela GNR em Beja.
http://www.cmjornal.xl.pt/nacional/portugal/detalhe/idosa_mata_colega_em_lar_a_bengalada.html
Motivo do crime terá sido o jogo do Marítimo com o Benfica.
Uma mulher de 69 anos matou este domingo uma idosa de 88 anos num lar da Santa Casa da Misericórdia em Ourique, no Alentejo. A arma do crime foi uma bengala. O crime ocorreu cerca das 23h00 e o motivo das agressões terá sido um desentendimento sobre o jogo de domingo do Marítimo com o Benfica. As duas mulheres partilhavam o mesmo quarto. A vítima Mariana Vitória, de 88 anos, era natural de Santiago e residiu muitos anos numa freguesia perto de Ourique. A agressora era utente do lar há vários anos e era acompanhada no serviço de psiquiatria do hospital de Beja. A agressora está a ser interrogada pela GNR em Beja.
http://www.cmjornal.xl.pt/nacional/portugal/detalhe/idosa_mata_colega_em_lar_a_bengalada.html
#NacionalBenfiquismo
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| Encontrado no Google. Deve ser este o "ciclista maluco". Benfica = inimputabilidade. |
No Jardim da estrela, em Lisboa, destoa apenas um certo ciclista barulhento, com uma bandeira do benfica, mas é para lá que continuou a ir.
Cruzo-me por vezes no Jardim da Estrela com um ciclista que diagnostiquei de maluco (não, não sou médica). Deve andar pelos 60 anos, tem o cabelo rapado, ostenta uma enorme bandeira do Benfica na parte de trás da bicicleta – tudo coisas legítimas – e na parte da frente um rádio-cassete com o volume no máximo – o que já não o é. Deve ter estado doente, porque o vejo menos do que há uns anos. No Sábado da semana passada, o pesadelo ambulante voltou. Ora, o que se requer de um jardim é alguma paz, coisa que obviamente ele destrói. Será que tem direito a fazê-lo? Não, não tem. Se o leitor quiser saber mais sobre o motivo que invoco para o criticar, leia o que Stuart Mill escreveu sobre a liberdade, a minha e a dos outros. Na minha última visita ao jardim, lá andava ele, sempre acompanhado pela sua música ambulante. Esquecera- -me de levar o iPhone, com a minha música preferida, e os respectivos auscultadores – o que não perturba ninguém – pelo que o rival me irritou mais do que nunca. Este estado de espírito levou-me a dirigir- -me a uma senhora que estava a olhar para ele com o que me pareceu um olhar furioso. "O que acha que podemos fazer a este louco?", perguntei-lhe. A resposta foi inesperada: "Nada, deixe-o lá, não vê que ele leva a bandeira do Benfica?" Encolhi os ombros.
O jardim
Note-se que não exijo o silêncio que impera numa biblioteca, mas tão só que o som do ciclista maluco não incomode as pessoas que por ali se passeiam. Suponho que por ser visitado por um número crescente de turistas, pelo menos por aqueles que saíram incólumes do eléctrico nº 28, há agora no jardim mais polícias do que habitualmente. Além de polícias a pé, também se vêem alguns dentro de automóveis, o que dantes só acontecia depois do escurecer. Vigiado, sim, está o jardim. A única forma de impedir que o ciclista maluco incomode toda a gente, ou, para ser mais rigorosa, toda a gente que não seja do Benfica, é a de ser interpelado por "uma autoridade". Quando pensei em explicar ao ciclista maluco que não podia andar por ali com a música em altos berros percebi que era inútil. O mesmo não aconteceria se a Câmara Municipal de Lisboa e a PSP chegassem a um acordo no sentido de colocarem nos portões principais um aviso declarando que acima de ‘x’ decibéis não se poderia difundir música fosse em que aparelho fosse.
Termino com um louvor à minha autarquia. É verdade que, no bairro onde vivo, as ruas estão pejadas de buracos e que esta é a grande prioridade, mas desde há cerca de uma década que o Jardim da Estrela tem uma nova face: os canteiros são podados, as árvores estão magníficas e até o coreto e o lago maior foram restaurados. Apesar de sob prescrição médica, vou até ao jardim todos os dias (isto é para ele ler). E não é que há um mês descobri que a deslocação me dá prazer? Desde que não esteja lá o ciclista maluco
Crónica de Maria Filomena Mónica, em: http://www.cmjornal.xl.pt/domingo/detalhe/o_ciclista_maluco.html
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