Mostrar mensagens com a etiqueta liga europa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta liga europa. Mostrar todas as mensagens

7 de maio de 2016

Professores primários

Há uma merda que me aflige desde há anos e que é a absoluta falta de escrutínio e "impunidade" com que os narradores e comentadores de jogos de futebol na tv fazem o seu trabalho em Portugal. Os narradores/comentadores têm um papel muito importante na educação dos adeptos. Funcionam quase como que professores primários, ao ensinar aos adeptos o mais básico do futebol. "Isto é um passe", "Isto é falta", "Isto é um fora de jogo". É com eles também que aprendemos bastante do vocabulário utilizado depois nas diversas discussões que temos com os nossos familiares, amigos ou colegas de trabalho/escola. "Pressão alta", "Linhas baixas", "Remate de ressaca". E além do vocabulário, aprendemos sobre o futebol em si mesmo, as técnicas, as tácticas, etc, e claro, também aprendemos muito sobre arbitragem... mas será que aprendemos?


Temos, de facto, uma cultura desportiva de merda. Daquilo que vou lendo e apreendendo de outros campeonatos estrangeiros (mais Espanha, Itália, Inglaterra e França), devemos ser dos mais "fanáticos", a par dos italianos e à frente dos espanhóis. Inglaterra é outra realidade, como já todos sabemos.

Nestes países, principalmente em Inglaterra e Espanha, há muita crítica e análise ao trabalho de quem narra e/ou comenta jogos na TV. Sejam comentadores de jogos em directo ou em programas de análise à jornada, é comum ver outros jornalistas a avaliar o trabalho dos tais "professores primários" do futebol. E quando o trabalho é mal feito, há críticas. E severas. (googlem "football tv commentator critics" :P )

Em Espanha, também há muita crítica mas, normalmente, são jornalistas de Barcelona a criticar comentadores/jornalistas de Madrid e vice-versa. Mas pronto, crítica. Em Itália, idem, lembro-me que já vi esta época uma polémica qualquer com um comentador da TV que detém os direitos de transmissão dos jogos do campeonato italiano.

Em Portugal? Licença para dizer merda. Ninguém critica os Freitas Lobo ou Carlos Daniel da merda que debitam semanalmente, ou ainda os "anónimos" narradores da Sporttv, SIC ou RTP. Ninguém. Mostrem-me uma peça de jornalismo ou opinião de um jornalista a criticar (analisar) o trabalho destes tipos. Pois. Mais depressa veremos um lampião a admitir que oferecer vouchers a árbitros não é lá assim tão normal...

O pior é que, além de funcionarem como "professores primários" dos adeptos de futebol, eles também funcionam como "juízes de primeira instância", ao analisarem e julgarem, segundos depois, se lance A ou B foi ilegal ou não. Muitas vezes, fico na dúvida se o Freitas Lobo é especialista em arbitragem ou de futebol. Tão depressa, num jogo do Sporting, é capaz de dizer peremptoriamente que o Slimani está fora de jogo como a seguir, num jogo do Bayern, já dizer que são lances difíceis de julgar. São eles que ditam o sentimento dos adeptos da semana seguinte. Têm o poder de tornar um lance inócuo na maior polémica do país. Junte-se a isto as 3327 repetições de "lances polémicos" que a Sporttv faz em cada transmissão e temos "Play Off", "Trio de Ataque" e "Campeonato Nacional" aos domingos, "Dia Seguinte"e "Prolongamento" às segundas, "Tempo Extra" às terças... e um livro editado pelo Pedro Guerra esta semana. Um livro editado pelo Pedro Guerra e com prefácio de Luís Filipe Vieira!!! Foda-se, querem mais fanático que isto?? :)))



Isto tudo a propósito de duas coisas que aconteceram esta semana. Há uns dias, mandei uma boca a um jornalista do MaisFutebol no Twitter, precisamente, dizendo-lhe que muita da culpa da falta de cultura desportiva da generalidade dos adeptos de futebol portugueses é dos próprios jornalistas, que não se avaliam nem criticam, particularmente os ditos narradores/comentadores. Claro que ele respondeu que não, que a culpa é nossa, dos adeptos, blá blá blá.






Pois bem, ontem, na transmissão do jogo Liverpool - Villareal na SIC aconteceu algo maravilhoso. Nem vou falar na merda que são, "esteticamente", o Luís Marçal e João Rosado a narrar/comentar jogos. Conseguem transformar qualquer jogo de futebol numa merda mais aborrecida do que ver um jogo do Benfica. (Ah!) Falo apenas na iliteracia deste "professor primário" de adeptos de futebol, após o 3º golo do Liverpool. E claro, João Rosado, mantendo o silêncio, também é cúmplice.






Como é óbvio, o golo é legal*. Na altura, não sabia dizer exactamente porquê nem o teor da regra que o diz mas tinha a certeza que o golo era legal. Mas eu não sou jornalista especializado em desporto. Nem me pagaram para narrar/comentar o jogo. Ao Luís Marçal e João Rosado, sim. Tinham obrigação de saber as regras de futebol de cor e salteado.


Não sei se depois na transmissão, Luís Marçal e João Rosado emendaram a sua opinião sobre a (i)legalidade do golo - não vi mais - mas pouco importa, o "mal" já estava feito. Quantos adeptos "alunos" terão interiorizado para sempre que, em lances idênticos, é fora de jogo e o golo deve ser anulado? Logo saberemos quando houver um golo marcado desta forma num jogo de um dos 3 grandes...









*No Holanda 3-0 Itália, na fase de grupos do Euro 2008, o primeiro golo do jogo é idêntico ao golo do Liverpool e, obviamente, perfeitamente legal.








Bónus: "O Griezmann rende dessa forma no Atlético de Madrid mas quando vai à seleção belga o rendimento não é igual" 😂 [Bruno Prata, na passada quarta feira, na RTP3]



28 de abril de 2015

Prioridades

Ontem li um artigo muito interessante no site da reputada revista "World Soccer" onde o jornalista Tim Vickery, há anos radicado no Brasil e profundo conhecedor do futebol sul-americano, dá a explicar a sua teoria por detrás das mais recentes surpresas do futebol chileno e peruano. Parece que o campeonato peruano é dividido em três fases mas nesta primeira fase que culminou numa final disputada na capital, Lima, entre o favorito local (e nacional) Alianza Lima e o novato Universidad César Vallejo (clube formado em 1996!), o vencedor acabou por mesmo o Universidad César Vallejo, ganhando o jogo por 2-1, sendo o golo vencedor sido marcado por Victor Cedron, jogador formado no clube e que tinha regressado há pouco tempo, após um empréstimo frustrante ao... Alianza Lima. Adiante.







Noutro campeonato sul-americano, o chileno, o Chile Cobresal ganhou o seu primeiro título de sempre, vencendo o Torneio Clausura 2015 (nunca percebi bem isto dos "Clausura" e "Apertura"...). O Chile Cobresal ganhou o jogo decisivo contra o Barnechea, por 3-2, enquanto o rival e favorito Universidad Catolica não conseguiu ganhar o seu jogo frente ao Deportes Iquique. O outro favorito, o conhecido Colo-Colo (não confundir com a nova alcunha do Benfica, trata-se mesmo do popular clube chileno), não conseguiu disputar o título até ao final porque, diz Tim Vickery, é nesta primeira fase do campeonato (o tal Torneio Clausura) que as equipas também disputam a Copa Libertadores (a Liga dos Campeões lá do sítio) e como essa taça é muito mais prestigiante que os campeonatos locais de Perú e Chile, as equipas que nela participaram (Sporting Cristal e Colo-Colo, respectivamente) apostaram mais nesses jogos, tornando-se impossível conseguir lutar em duas frentes ao mesmo tempo. Além de os resultados terem sido desanimadores, tanto na Libertadores (foram ambos eliminados) como nos campeonatos locais, o Colo-Colo teve muitos jogadores lesionados, o que resultou numa época decepcionante.


Noutro artigo de um outro jornalista inglês, desta feita com ligações a Portugal (acho que o gajo vive ou passa muito tempo no Porto), Andy Brassell, sobre o Montpellier e o campeonato francês, achei interessante que o assunto é muito semelhante ao artigo de Tim Vickery. Não é uma peça de opinião mas sim a notícia de que, a poucas jornadas do final da La Ligue, o treinador do Montpellier, Rolland Courbis, veio publicamente dizer que seria uma "catástrofe" para o clube, caso se apurassem para a Liga Europa esta época! (Montpellier está no 7º lugar do campeonato e se o PSG vencer a Taça de França, o 6º lugar apurará uma equipa para a Europa). Courbis parece que deu a entender que o clube ainda não está preparado, estrutural e desportivamente, para enfrentar duas "batalhas" ao mesmo tempo. Entretanto, veio o presidente do clube, Louis Nicollin, dizer que só um "preguiçoso" desdenharia a possibilidade de disputar a Liga Europa, tendo Courbis contra-atacado com "Posso ser muita coisa mas preguiçoso, não. Mas, para mim, se formos disputar a Liga Europa, começarão aí as nossas preocupações. Para o ano a seguir seria muito melhor."




Cheira-me que para o ano este Rolland Courbis já não treina o Montpellier




Isto tudo fez-me lembrar a célebre "mini-polémica" durante o início desta época, quando, aparentemente, Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira estavam de costas viradas relativamente ao papel que o Benfica deveria ter nas competições europeias: LFV, alegadamente, entendia que todos os jogos e competições são iguais na sua importância e, portanto, teriam de ser disputadas da mesma forma e com o mesmo empenho, e JJ, sem o "alegadamente", afirmou (e demonstrou depois na prática) que a prioridade era o campeonato nacional. Ora, aqui está, creio eu, um dos segredos para o título do Benfica desta época. Com uma equipa "pesada" e "velha", foi um alívio para JJ ter sido eliminado em dezembro da Liga dos Campeões e da Liga Europa. Junte-se a isso a eliminação na Taça de Portugal, mais o facto de isto ser uma "Liga Matrix" e está encontrado o caminho para o bicampeonato. Eu acho que a "polémica" entre JJ e LFV foi toda encenada. E bem, a avaliar pelos resultados.







O Benfica não pode ficar mais uma época a marcar passo na Liga dos Campeões, os adeptos não perdoarão (acho eu). Terão menos dinheiro (a crer no que se diz...) para o plantel e jogadores mais velhos um ano (Luisão, Maxi, Jonas, Lima...). O Porto também não terá Danilo, aparentemente Jackson, e mais os emprestados (Oliver, Casemiro). Se não tiver Lopetegui e outro treinador novo, não sei será bom ou mau a longo prazo mas no imediato, será bom... para o Sporting.

Temos de manter a maior parte do plantel, o treinador e assumir que a prioridade é o campeonato! Como? Fazendo como os outros fazem, metendo o presidente a dizer o banal "O Sporting joga sempre igual em todas as competições", "A prioridade é ganhar tudo", blá-blá-blá e meter na cabeça do treinador, nem que seja preciso enfiar o comprimido vermelho à força, que a prioridade é o campeonato! 2-0 fora em Wolfsburgo? É cagar para isso, mudar meia equipa (normalmente, da defesa para a frente) e poupar esforços para ir ao Dragão, por muito que depois a previsível derrota em casa frente aos alemães custe no orgulho dos adeptos e no ego do treinador.

O Sporting tem de ser campeão o mais rapidamente possível. É preciso que se entenda isto muito bem. E para podermos cagar para a Europa (e mesmo Taça de Portugal) é absolutamente imprescindível vencer a Taça de Portugal daqui um mês, de modo a termos "lastro" para sobreviver à desconsideração das competições europeias e taças nacionais na próxima época. Se tudo isto for bem feito, principalmente por Marco Silva, os sportinguistas entenderão muito bem, pois ficou provado na "crise" de dezembro que confiam e apoiam este treinador. Pelo menos, mais uma época.