14 de setembro de 2014

Continuidade

Depois do jogo acabar, invadem-nos trezentos mil pensamentos: não jogámos um caralho, o Belenenses só (não) joga assim connosco, João Mário no lugar no André Martins, já!, os reforços... quais reforços?!. o treinador é uma merda, assim não vamos lá, o Porto/Benfica vai ser (outra vez) campeão, venha o Peseiro!

É verdade, eu pensei tudo aquilo que escrevi acima. Mas hoje lembrei-me do que o speaker do Sporting disse depois do jogo ter acabado, quando nos avisou que tínhamos ganho hoje (ontem) ao Benfica em andebol. Ok, soou um pouco a um "Vá, ao menos ganhámos algo", mas acredito que mesmo que tivéssemos ganho ao Belenenses, o speaker teria nos avisado na mesma de tal vitória.

Mas voltando ao futebol. O futebol, seja Bruno de Carvalho, Inácio e mesmo o Marco Silva, só tem é de pôr os olhos no andebol e, principalmente, no futsal do Sporting. Além do futebol, são as outras únicas modalidades, verdadeiramente profissionais do clube. E que é que verificamos? Que, apesar de ambas não terem um sítio próprio para treinar e jogar regularmente, de terem um orçamento inferior a Benfica e Porto, conseguem, ano após ano, a dar luta aos dois e de, inclusive, ganhar títulos (Taças, no caso do andebol, campeonatos e Taças, no caso do futsal)!

Qual o segredo? Para mim, na minha humilde opinião, o "segredo" chama-se: continuidade.


Parece que há uma "Lei da Continuidade" qualquer em Psicologia.


Priberam é o meu melhor amigo quando estou a escrever posts aqui no blog. Ora bem, "continuidade" significa:

(latim continuitas, -atis)
substantivo feminino
1. Qualidade do que é contínuo.
2. Extensão ou duração contínua.


Sem dinheiro, e sem perspectivas futuras de virmos a descobrir poços de petróleo em Alvalade ou de que um fundo (sem fundo) queira novamente investir no clube, a única hipótese de sucesso desportivo no futebol, chama-se "continuidade". Creio que tanto BdC e Inácio têm isso em mente, na medida em que, nesta época, apenas saíram dois jogadores daqueles que podemos considerar como sendo do "núcleo duro", Rojo e Dier.

É verdade que ficámos algo debilitados no centro da defesa mas, sinceramente, não vejo muitas diferenças no Naby Sarr e no Rojo da primeira e segunda época no Sporting. Temo mais Maurício do que Sarr. Pode ser que Oliveira cresça mais um pouco e comece a lutar pelo lugar.

Continuando, e p'ra acabar, espero que, qualquer que seja o resultado final desta época, haja continuidade. Lembro-me de épocas, tanto no andebol como no futsal do Sporting, em que não ganhámos nada e a base da equipa/plantel continuou, exceptuando a questão do treinador.

Hoje, está à vista de todos que foi esse o "segredo" do sucesso.


Novo episódio

Da série "Coisas que só vemos em Alvalade", depois da peitaça de um árbitro a um treinador do Sporting, eis o "Empurrão de um árbitro a um jogador do Sporting".



(e não, não por isto que perdemos o jogo)

9 de setembro de 2014

O "sistema" v2.0

A propósito disto que escrevi aqui no início do ano, deixo uma frase elucidativa que o (ainda) presidente da Liga, Mário Figueiredo, disse ontem, durante a entrevista que deu na RTP Informação:


"O Benfica, como clube maior em termos de exposição e adeptos em Portugal, no meu entender, não devia tentar seguir o exemplo daquilo que tem sido o domínio feito pelo FC Porto. E devia tentar, digamos, criar um sistema em Portugal em que o futebol fosse mais transparente e mais claro. Eu refiro me concretamente a uma questão muito simples: a questão da arbitragem."

8 de setembro de 2014

Der Untergang

Tinha de falar sobre a Seleção. Tinha.


Oferecem-me uma gamebox, de borla, para ver os jogos do Sporting desta época mas com uma condicionante: o meu lugar é ao lado do de Rui Oliveira e Costa. Conseguem imaginar? Uma época inteira a ver os jogos do Sporting ao lado de ROC? Pronto, é assim que eu vejo os jogos de Portugal com o Paulo Bento no banco. Uma tortura de noventa minutos, à espera da cenoura. Por um lado, quero comer a cenoura (que Portugal ganhe), por outro, sei que quanto menos cenouras comer, mais probabilidades há de a tortura acabar (Paulo Bento ser despedido). Mais ou menos o que senti quando via os jogos do Sporting nos últimos meses de Paulo Bento como treinador.

Eu, e larga maioria dos Sportinguistas, conhecemos bem Paulo Bento. À excepção de alguns intelectuais (jornalistas-mor do Record, Rui Oliveira e Costa, António Tadeia, etc), todos sabemos que aquela época dos segundos lugares do Paulo Bento foi uma miragem, uma ilusão. A partir do momento em que se foi buscar o treinador dos júniores, sem qualquer tipo de experiência, para ser o novo treinador principal do Sporting, estava dado o mote para que a mediocridade imperasse no Sporting. Um treinador sem currículo, sem "poder", forte para o exterior (jornalistas, árbitros, etc) e sem voz nas contratações e vendas de jogadores. Foi por isso que escolheram Paulo Bento, tanto no Sporting como na Seleção.

Confesso que eu fui um dos iludidos. Na altura em que ele saiu, também achava que devíamos estar agradecidos ao Paulo Bento por ter treinado o Sporting mas hoje não tenho dúvidas que é Paulo Bento quem tem de ficar eternamente agradecido por ter tido a oportunidade de treinar o Sporting Clube de Portugal. Depois daquele miserável jogo de ontem, duvido seriamente que volte a treinar outro clube grande em Portugal.

Outro mito dos "intelectuais" é que Paulo Bento é um homem frontal, honesto, sem medo de dizer as verdades e de assumir as suas responsabilidades. Pois bem, um homem com H grande teria-se demitido no dia a seguir àquela vergonha de Munique. Mas Bento, um homem pequenino, aceitou continuar a servir de capacho a José Eduardo Bettencourt por mais uma época e, pior, aceitou iniciá-la, disputando uma pré-eliminatória da Champions, sem exigir reforços, confiando na palavra do presidente que depois de eliminarmos a Fiorentina e assegurando a entrada na fase de grupos, esses reforços chegariam. Pois.

A forma como Paulo Bento convocou jogadores com "alto índice de suspeição lesional", contrariando a opinião da equipa médica e chegando até a utilizá-la para camuflar a saída (mais uma...) de um jogador da Seleção, Danny, e depois como deixa essa mesma equipa médica ser "queimada" em público pela direção da FPF, funcionando como bode expiatório do desastre que foi a campanha de Portugal no Brasil, é a demonstração cabal de que Paulo Bento, ao contrário da opinião generalizada pelos intelectuais, é um homem como outro qualquer, ou seja, alguém que, na hora da verdade, come e cala quando está em risco o "dele", isto é, a honra e sentido de justiça valem menos que os euros ao final do mês.


Tal como no Sporting, quando foi manipulado por Soares Franco e Bettencourt, numa lógica de psicologia invertida, Paulo Bento crê mesmo que é que ele decide quem joga na Seleção. E é aqui que entra o maior cancro do futebol português.


O maior cancro do futebol português


Jorge Mendes, outrora um zé-ninguém, é o actual dono disto tudo, no que diz respeito ao futebol português. Num campeonato "normal", o Braga seria o clube que apostaria mais nos putos da formação, afinal são os actuais campeões de júniores, não disputam competições europeias esta época e têm um orçamento mais reduzido que os três grandes. E o que é que vemos? O Braga a servir de barriga de aluguer dos craques sul-americanos "inseminados" por Jorge Mendes, à espera de virem a ser adoptados mais tarde por um outro clube qualquer com mais dinheiro (normalmente, Porto, Benfica e agora também o Mónaco). O Rio Ave, idem (isto é absurdo). O Porto igual. E quando não é para colocar jogadores, Jorge Mendes, qual herói, também surge no meio do nada, e com o seu toque de Midas, consegue transformar jogadores medianos em jogadores-maravilha que valem 15 milhões de euros e que estão prontos a jogador na seleção assim, num estalar de dedos.

Há já muito tempo que divido o mercado de transferências e consequente valor intrínseco dos jogadores em dois: o real e o artificial. Por exemplo, as célebres transferências do Roberto, Hulk, Witsel ou André Gomes, para mim, são artificiais. Seja por lavagem de dinheiro, por favores, pagamento de dívidas, o que for, não consigo acreditar que tais valores correspondam ao valor intrínseco dos jogadores. E é curioso verificar que são sempre os mesmos clubes envolvidos nestas mega-transferências: Porto, Benfica, At. de Madrid, Zenit, Chelsea. Por uns tempos, o Sporting também se intrometeu nesses negócios, com JEB e Godinho Lopes, a contratarem, respectivamente, Pongolle e Elias por 6 e 8 milhões de euros, certamente a conselho de alguém...


Transferências reais são as que não envolvem esses ditos clubes nem esses agentes. Felizmente, ainda são a grande maioria.

Paulo Bento, até porque também é agenciado por ele(!), está tão envolvido nesta teia de interesses que não é necessário o Jorge Mendes soprar-lhe ao ouvido para convocar X ou Y, pois ele acabará por o fazer naturalmente e pior, achando que o está a fazer por livre e exclusiva vontade sua. Uma ilusão. Só isso explica as escolhas de Paulo Bento quando coloca a jogar o André Gomes, que tem meia dúzia de jogos na equipa principal do Benfica, em detrimento do Adrien ou quando insiste em Ivan Cavaleiro, entretanto colocado no "congelador" de Jorge Mendes, o Deportivo da Coruña, quando entra pelos olhos dentro de quase toda a gente que o Mané é muito mais jogador que o puto formado no Seixal. Se dantes julgava que o problema do Paulo Bento era apenas teimosia e mediocridade, agora já penso que se trata de algo mais grave. O estado de negação de Paulo Bento, antes e depois do jogo de ontem, fizeram-me lembrar o filme "Der Untergang" (A Queda), onde Hitler viveu os seus últimos dias num perfeito estado de alienação, contra tudo e contra todos.


O Marinho Neves explica isto melhor e também sugiro que leiam o texto do jornalista Ricardo Costa (agora toda a gente escreve sobre futebol), do Expresso:

"E Jorge Mendes prolonga artificialmente a carreira de jogadores que já não estão capazes de ir à seleção, ao mesmo tempo que sobrevaloriza outros em clubes que lhe são demasiado próximos, em que o Valência é agora o caso mais exemplar."



Uma nota para a minha satisfação por ver o Sporting livre deste cancro chamado Jorge Mendes. É certo que continuamos a fazer negócios com outros agentes, empresários e fundos, mas ao menos agora somos nós que inalamos o fumo directamente e deixámos de o inalar passivamente.



3 de setembro de 2014

Ovo de Colombo

"O verdadeiro projecto do Sporting é e deve ser o da formação. (...) Sería preferivel trazer apenas dois ou três que fizessem efectivamente a diferença e que viessem acrescentar experiência, maturidade, manha, qualidade ao plantel e aos jovens oriundos da Academia (...) Além do mais, estes jodadores de 2ª (3ª) linha atrás mencionados só servem de tampão e entopem a montra para os jonvens (sic) se poderem afirmar.
Os sócios sentiriam muito mais compreensão e paciência com Adrien, po exemplo, do que sentem com *******. Não tenham duvidas disso."


Sabem quando foram escritas as palavras acima mencionadas? Não, não foi hoje, num dos 327 grupos "de apoio ao Sporting" no Facebook... Foi escrito, num comentário a um post do blog Leão da Estrela, no dia 18 de outubro de... 2007! Mas podia muito bem ter sido escrito hoje, não podia? :)

Ah, o eterno debate da formação!.. O ovo de Colombo de qualquer mesa de café preenchida por Sportinguistas.

"Formação ou estrangeiros, eis a questão!"

Não quero um onze com dez jogadores da formação nem quero um onze com um jogador da formação. Quero equilíbrio, sensatez, bom senso, competência e qualidade acima de tudo. E creio que isso foi ou está perto de ser alcançado "neste" Sporting. No derby da Luz de domingo, por exemplo, estiveram sete jogadores da formação do Sporting em campo. O Esgaio já tem mais minutos do estádio da Luz do que o Cavaleiro, Cancelo e Bernardo Silva juntos. (não sei se tem ou não, não fui pesquisar, mas vocês percebem o que quis dizer... :P). E o João Mário é uma alternativa (cada vez mais) real ao André Martins.

Dois putos por época parece-me bem ou não?

Podia agora mencionar a época inicial de Godinho Lopes, quando foram contratados uns 327 jogadores estrangeiros, e lembrar a euforia que se vivia no início da época, mormente naquele célebre jogo de apresentação com o Valência, com um estádio apinhado de Sportinguistas "ilusionados" (da "ilusión" espanhola, não queria escrever "iludidos" da "ilusão" portuguesa...) e que - eu, pelo menos, não me lembro - onde não se ouviu qualquer lamento ou preocupação relacionado com a falta de aposta na formação do Sporting. E acrescento: eu fui um dos que não se lamentou.

Não quero uma Sporting à "Soares Franco" (só com putos da formação) nem quero um Sporting à "Godinho Lopes" (só com estrangeiros). Quero equilíbrio e sensatez.

Se não o escrevi aqui, pelo menos já o pensei: compreendo a estratégia por detrás da política envolvida na "formação" deste plantel. Não sei ainda dizer se concordo ou não, mas compreendo.

Havia duas opções: comprar dois ou três jogadores com "credenciais" e estatuto, e que fossem, realmente, "reforços" para o onze inicial. Ou seja, dois ou três jogadores "caros", p'raí uns cinco milhões de euros cada um. E além do valor da contratação em si mesma, teríamos de acrescentar o valor do salário de cada um...

A outra opção, que foi a escolhida pela direção do Sporting, era contratar jogadores para reforçar o plantel e não propriamente a equipa inicial. Com esses quinze milhões que custariam dois ou três "craques", optou-se antes em rechear o plantel com opções válidas para todas as posições em campo.



Admito: creio que faltou apenas contratar um central mais experiente.


Com a série de jogos que aí vêm - Taça da Liga, Taça de Portugal e Liga dos Campeões - compreendo, repito, que se tenha optado por esta via em vez da outra, quiçá mais apelativa, de se contratar dois ou três "craques". Contudo, correríamos, mais uma vez, o risco de, num qualquer jogo decisivo, como foi o derby da época passada na Luz, ficarmos sem um jogador de uma posição essencial e não termos uma alternativa à altura. Assim, poderemos perder na mesma o jogo, mas não será por falha(s) básica(s) nossa(s).

É claro que as sentenças de morte já foram feitas a esta política desportiva do Sporting e mesmo às ambições do clube. Ainda ontem, o expedito Carlos Daniel, na RTP mais-Porto-que-o-próprio-Porto-Canal Informação, dizia que só através de um "milagre" é que o Marco Silva conseguiria ser campeão neste Sporting. E em todos os programas desportivos, colunas de opinião de jornais ou posts de blogs, a opinião é geral:

Só o Porto se reforçou "bem", o Benfica reforçou-se "assim-assim" e o Sporting, excepto Nani, reforçou-se "mal". Ia jurar que ouvi uma coisa parecida na época passada.




24 de agosto de 2014

Futebol subjectivo

O futebol é isto. Ou isto é o futebol. Ou o jogo só acaba quando o árbitro apitar. Ou jogámos bem mas não ganhámos. Ou jogámos mal mas ganhámos (que é o que interessa).



Terceira imagem que encontrei no Google após pesquisar por "subjetivo futebol". Interessante.


Comentar jogos de futebol é tão subjectivo como ser juiz no Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol. Há um mês, apenas um dos três candidatos à presidência da Liga tinha a sua candidatura dentro de todos os pressupostos legais, um mês depois, os outros que não cumpriam os pressupostos é que estão dentro da legalidade e o outro que tinha sido dado como único candidato legal, afinal, é o que está ilegal. Bem-vindos ao futebol português.

Na A Bola de hoje, o "jornalista" que esteve em Alvalade, um tal de José Manuel Delgado, o mesmo que critica a pobre exibição do Nacional e Rio Ave nos jogos europeus, diz o seguinte acerca do jogo de ontem:

"Mas vamos ao jogo e às dificuldades que Pedro Emanuel colocou aos leões. O Arouca colocou um autocarro em frente à baliza do excelente Goicoechea? Nem por sombras."

Noutro jornal, no Correio da Manhã, André Figueiredo, escreve o seguinte:

""(...) o Arouca defendeu de autocarro à frente da baliza de um super guarda-redes."


Se ontem o Montero tivesse enfiado lá para dentro aquelas duas bolas que teve ao seu dispor ou se tivéssemos logo marcado golo se aquela grande penalidade, no início da segunda parte, tivesse sido assinalada, tudo seria diferente. "Grande jogo, domínio total, grande Sporting"

O Arouca passou de meio-campo umas 4 vezes. Oportunidades claras de golo do Arouca, não me lembro de nenhuma.

Do que vi ontem, não vi nada que já não tivesse visto na época passada. Muita posse de bola, domínio total e muita ineficácia lá na frente. Às tantas, já estava à espera que a meio da segunda parte tivéssemos sofrido um golo num canto ou isso e só depois partiríamos "com tudo" lá p'ra cima em busca do golo já nos últimos minutos do jogo. E conseguiríamos marcar golo, não duvido. O do empate. Mas, vá lá, ganhámos.

Mas a exibição, em si mesma, aparte do "pormenor" da incapacidade de enfiar a bola dentro da baliza mais vezes durante o jogo, não foi má. O Nani em cada 10 vezes que leva a bola à linha, cruza ou remata 9 e perde uma. O Capel em cada 10 bolas à linha, perde cinco. O Nani fez um bom jogo até à altura da aberrante marcação do penalty. Tinha de ser o Adrien a marcar, ponto. Mas pronto, ao menos esta merda aconteceu já no início da época e dará tempo ao Nani para se aperceber que esta merda é um jogo de equipa. Espero eu.

Três notas finais:

- Nos jogos em casa contra os "Aroucas" do nosso campeonato, é para se jogar, sempre, com dois avançados lá na frente!!

- O Adrien foi um verdadeiro "capitão" na forma como encarou a cena do penalty. Durante e depois, já na flash-interview. P'ra quando a braçadeira?

- E para quando o João Mário no lugar do André Martins?


Vem aí o derby. Que não ganhamos "lá" há alguns anos. Pronto, é isso. Vem aí o derby.


23 de agosto de 2014

Falar ou não falar

O futebol português é tão... peculiar. Os adeptos do Benfica acham que o seu presidente fala pouco, os do Sporting nunca tiveram um presidente que falasse tanto e os do Porto... bem, os do Porto ninguém sabe o que pensam. Os adeptos do Porto são um mistério. Têm uma presença de espírito e uma personalidade tão reivindicativa como os zombies da série Walking Dead. Basicamente, são uns mortos-vivos.


O tópico do dia é chamar "Vale e Azevedo" a Bruno de Carvalho. Desde o jornalista e diretor-adjunto ou o caralho que foda, João Bonzinho, d'A Bola, passando pela Leonor Pinhão, terminando no Rui Santos, no Record. Diz ele hoje que não se recorda de, alguma vez, um presidente de clube ter ido esperar um jogador contratado ao aeroporto.

 lol. Eu lembro-me. E bem.

Luís Filipe Vieira foi esperar o Moretto, esse grande guarda-redes do Benfica, na senda de outros do mesmo calibre, como Júlio César I, Roberto ou Artur. E foi uma recepção "brutal"! Inesquecível.







Não me lembro muito de Vale e Azevedo. Lembro-me, bem, que foi sob a sua vigência que o Benfica sofreu uma derrota impiedosa em Vigo, Corunha. 7-1. Lembro-me que não foi ele a iniciar a Benfica TV. E também me lembro que foi com ele que, em boa hora, o João Pinto decidiu sair do Benfica. Conseguem imaginar, "hoje", o William Carvalho rescindir com o Sporting e ir parar ao Benfica? Eu não.

Esta ânsia de querer colar a imagem de Vale e Azevedo (porra, não há uma abreviatura porreira para isto! VeZ? VZ? Bah!) é muito engraçada.

Também me lembro muito bem de, na época passada, ouvir vários comentadores e jornalistas a olharem para BdC com uma bonomia e simpatia tão grande como aquele casal de velhotes que descobre, por acaso, uma cria de leão no descampado perto de casa, deixado para trás por um circo que tinha assentado arraiais há uns dias. Pegaram nele, levaram-no para casa, alimentaram-no, "Oh, tão fofinho!", exclamaram, enquanto lhe acariciavam o pêlo e sentiam as patas do leão, sem garras, acariciando a suas peles gastas e rugosas. Enquanto fez umas brincadeiras apalhaçadas consigo próprio, tipo esgrimir a luta Bruma-Bebiano-Sporting, toda a gente achou piada ao leãozinho BdC.

O problema é quando o leão cresceu e começou a arranhar, e a mexer noutros interesses. Nessa altura, por muito que achassem piada ao leão que viram crescer desde pequeno, estava em causa a sua própria sobrevivência, leia-se, dar luta a Benfica e Porto. Foi nesse momento que tiveram de decidir entre continuar a acarinhar o leãozinho inofensivo que viram crescer ou dar luta ao leão que cresce, a cada dia que passa, rumo ao seu destino final e natural: ser o rei da selva.

É óbvio que optaram pela segunda via. O leãozinho, pequerrucho e engraçado, já deixou de o ser. Já arranha e já morde. Veremos, com a Doyen, se fatalmente.




(No Correio da Manhã de hoje, o jornalista António Pereira, intimamente ligado ao Benfica, escreve uma prosa onde dá conta do desconforto que também o Benfica começa a sentir relativamente à Doyen Sports,  por achar que esta tem privilegiado o Porto em detrimento do Benfica, nomeadamente aquando do falhanço da vinda do Guilavogui, que foi parar ao Wolfsburg, apesar do 50% do seu passe ser detido pelo fundo e do interesse do Benfica em contar com o seu préstimo. O título da peça até se chama "Rivais contra a Doyen Group". Delicioso. :)

20 de agosto de 2014

Já não temos "azar"!

Foi no O Artista do Dia que li, há um ou dois meses, creio, alguém a mencionar nos comentários uma interessante contabilização relacionada com o Sporting. Infelizmente, não anotei o post onde esse comentário foi colocado, de modo a poder dar o devido crédito a quem reparou nisto primeiro. De qualquer forma, fica aqui registado a "origem" de este post que escrevo agora.

Nani no Sporting é uma grande, grande notícia e seria-o sempre, fosse qual fosse o presidente a concretizar tal façanha, fosse qual fosse o treinador que terá o privilégio de o treinar e fosse qual fosse a época em que tal acontecesse. Calhou nesta, com Bruno de Carvalho a presidir o clube e Marco Silva a treinar a equipa. Perfeito. Mais perfeito ainda, só os tais 9 milhões de euros que vão direitinho para a Missão Pavilhão.

Depois do banho público de confiança e Sportinguismo que recebemos ontem, é tempo de voltar à terra, isto é, à Liga "Mickey Mouse" Tuga. Ora, por muito bem que o Nani esteja, jogar nos verdadeiros campos de golfe que são os relvados ingleses não tem comparação com o que se vai passar por cá na Tugolândia. É aqui que entra a interessante contabilização que o leitor do O Artista do Dia fez sobre o Sporting e o imenso "azar" que temos.


O Desportivo de Chaves é um clube de futebol sediado na cidade de Chaves, claro está, bem no meio da região de Trás-os-Montes, conhecida pela sua beleza natural e clima de contrastes, muito frio no inverno e quente no verão. O Desportivo de Chaves subiu, pela primeira vez, à Primeira Liga, na época de 1985/86. E por lá ficou até à época de 1998/1999, com uma descida à Segunda Liga pelo meio, contabilizando assim 13 épocas no primeiro escalão.

Nessas 13 épocas em que esteve na Primeira Liga, o Chaves recebeu no seu estádio as outras equipas do campeonato, incluindo, obviamente, as equipas dos 3 "grandes", Sporting, Porto e Benfica.

A contabilização, muito simples, que o tal leitor do O Artista do Dia fez, e que eu fui confirmar, é esta:

Nas 13 épocas do Desportivo de Chaves na Primeira Liga, eis os meses em que recebeu no seu estádio, os 3 "grandes":

Sporting                                               Benfica                                   Porto

janeiro                                                  novembro                               fevereiro        
janeiro                                                  outubro                                  janeiro
janeiro                                                  outubro                                  abril
janeiro                                                  abril                                       dezembro
outubro                                                 novembro                              setembro
novembro                                             abril                                       abril
maio                                                     abril                                       setembro
novembro                                             maio                                      maio
janeiro                                                  março                                    outubro
janeiro                                                  outubro                                 janeiro
dezembro                                             março                                    fevereiro
janeiro                                                  novembro                              dezembro
janeiro                                                  dezembro                              maio



Portanto, em 13 épocas, o Sporting teve o "azar" desgraçado de ir jogar aos Trás-os-Montes 8 vezes(!) no mês de janeiro, o mês mais frio do clima português. E quando não jogou em janeiro, jogou 2 vezes em Novembro e outra em Dezembro. Nem vou comparar a "sorte" que os outros "grandes" tiveram no sorteio da Liga "Mickey Mouse" Tuga nem sequer fazer a contagem dos pontos angariados nessas idas a Chaves (uma miséria). Quero apenas constatar que o "azar" que tivemos nesses anos e que parece que continuou a amaldiçoar-nos. É que, depois do Chaves, eis o Arouca.


O Arouca subiu à Primeira Liga na época passada pela primeira vez na sua história e ficou logo definido no "sorteio" que se deslocaria a Alvalade na primeira jornada e, consequentemente, receberia o Sporting na segunda volta no mês de... isso, adivinharam, janeiro! Lembram-se?


Nem sei como conseguimos ganhar este jogo!


Ah, se tivéssemos um bocadinho de "sorte" e só jogássemos com o Arouca nas jornadas finais do campeonato, poderíamos até ter ido jogar ao estádio de Aveiro e evitado o "batatal" do relvado Municipal do Arouca!...

(A propósito, parece que o diferendo entre a Câmara local e o Arouca já está resolvido, pois o Arouca 1-1 Estoril da primeira jornada desta época jogou-se no Municipal de Arouca, sem quaisquer problemas. Isto é a Liga "Mickey Mouse" Tuga no seu esplendor!)



Mas o "azar" parece está a deixar-nos! Parece mentira mas é mesmo verdade! O "sorteio" desta época estipulou que o Sporting receberá o Arouca na 2ª jornada e que se deslocará ao clube do norte apenas no próximo dia 1 de... Fevereiro!

Uff! Já não é em janeiro! Weeeeeee! Que sorte! :D