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22 de fevereiro de 2015

O Bart é lampião e a Lisa é leoa

Quando se confronta um lampião com mais um jogador adversário expulso ou um golo mal anulado, ou seja, o vulgo "colinho", a resposta é sempre a mesma, "Ah, ganhávamos na mesma". Aliás, esta é a resposta típica do treinador e jogadores do Benfica nas entrevistas pós-jogo: "Ganhávamos na mesma".

Ok, mas quem garante isso?


Há um enigma filosófico muito giro e que me lembro de ouvir há anos. Este:






"Se uma árvore cai e não está lá ninguém, ela faz barulho?"


Os crentes respondem sempre que sim, que faz barulho. Outros, diriam que não, que o som é o resultado da agitação do ar e que sem ouvidos para receber tais vibrações, não haveria som. Para haver som, teria de estar lá alguém para ouvir. Este enigma poderá não ter uma resposta absoluta mas tem, pelo menos, o condão de nos deixar em dúvida, em alerta, de questionar.



Nove jogos (Moreirense 2x) a jogar com mais um em vinte e dois é muita fruta.





Poderia o Benfica ganhar na mesma aqueles jogos em que foram expulsos jogadores ou (mal) anulados golos adversários? Os benfiquistas responderão sempre que sim. Outros duvidariam. O problema é que este enigma não gera debate em Portugal, além, naturalmente, de Sportinguistas e Portistas. Os benfiquistas, outrora fervorosos debatedores da "verdade desportiva", "fairplay" e outras coisas do género, abstém-se de comentar hoje em dia e a única palavra que lhes ouvimos sair da boca/teclado é apenas "azia". É normal, já todos sabemos quão hipócritas são os lampiões na hora das vitórias; o pior é que já nem sequer os jornalistas se questionam. É muito mais fácil ver apenas a árvore e não a floresta.



Obviamente, se os Simpsons gostassem de futebol português, o Bart seria lampião e a Lisa seria leoa.






13 de fevereiro de 2014

A nova árvore do Sporting

No documentário “Is the Man Who Is Tall Happy?”, Noam Chomsky, reconhecido filósofo dos nossos tempos e reputado professor de Linguística, às tantas, no meio da conversa com o autor do filme, para ilustrar melhor a sua ideia sobre diferenças entre percepção, realidade e noção de “continuidade” e merdas do tipo, utiliza um exemplo simples mas interessante:

Plantamos uma árvore, ela cresce, e a dada altura cortamos um ramo e plantamos esse mesmo ramo. Imaginemos que esse ramo cresce até se tornar numa outra árvore, idêntica à original. Imaginemos depois que cortamos e deitamos abaixo a árvore original. Ambas têm as mesmas propriedades genéticas mas sabemos que não se trata da mesma árvore, de per si.

Se chegasse alguém de fora e apenas visse a nova árvore, diria que aquela é a árvore genuína mas nós, que vimos a árvore original ser cortada, sabemos que isso não é verdade.



Olha a árvore do Godinho a ser mandada abaixo.


Qualquer alienígena que tivesse chegado a Portugal na terça-feira e visto o derby e lhe perguntassem depois do jogo, quantos Sporting’s existem, ele responderia certamente apenas “um”, o Sporting que ele viu ser atropelado na Luz. Ele não conhece nenhum outro. 

Chomsky terminou o exemplo da árvore dizendo que, quando a árvore é cortada, existe uma "continuidade abstracta" e que é apenas perceptível a quem viu a árvore ser cortada e a nova a ser plantada. Nós assistimos ao derrube da “árvore” de Godinho Lopes e plantámos o ramo do qual nasceu este novo Sporting de BdC, Jardim e William Carvalho

O Sporting de hoje (ainda) é muito mais do que os noventa minutos que durou o jogo de terça-feira, não nos esqueçamos disso.