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17 de maio de 2016

Vai ser uma pré-época muito loooonga #1




Sérgio Abrantes Mendes agradece palavras de Vieira


"Por muita mágoa que sintamos, temos de ter fair-play, senão isto é um mundo de cão e ninguém se entende", comentou. (...) "O ex-candidato à presidência leonina gostaria que o seu clube tivesse um comportamento de maior "elevação, dignidade e honra" e gostou de ter ouvido o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, a felicitar os leões pelo campeonato feito."

http://www.ojogo.pt/Futebol/1a_liga/Sporting/interior.aspx?content_id=5178662









Sérgio Abrantes Mendes, o defensor da "elevação, dignidade e honra", em junho de 2015


8 de setembro de 2014

Der Untergang

Tinha de falar sobre a Seleção. Tinha.


Oferecem-me uma gamebox, de borla, para ver os jogos do Sporting desta época mas com uma condicionante: o meu lugar é ao lado do de Rui Oliveira e Costa. Conseguem imaginar? Uma época inteira a ver os jogos do Sporting ao lado de ROC? Pronto, é assim que eu vejo os jogos de Portugal com o Paulo Bento no banco. Uma tortura de noventa minutos, à espera da cenoura. Por um lado, quero comer a cenoura (que Portugal ganhe), por outro, sei que quanto menos cenouras comer, mais probabilidades há de a tortura acabar (Paulo Bento ser despedido). Mais ou menos o que senti quando via os jogos do Sporting nos últimos meses de Paulo Bento como treinador.

Eu, e larga maioria dos Sportinguistas, conhecemos bem Paulo Bento. À excepção de alguns intelectuais (jornalistas-mor do Record, Rui Oliveira e Costa, António Tadeia, etc), todos sabemos que aquela época dos segundos lugares do Paulo Bento foi uma miragem, uma ilusão. A partir do momento em que se foi buscar o treinador dos júniores, sem qualquer tipo de experiência, para ser o novo treinador principal do Sporting, estava dado o mote para que a mediocridade imperasse no Sporting. Um treinador sem currículo, sem "poder", forte para o exterior (jornalistas, árbitros, etc) e sem voz nas contratações e vendas de jogadores. Foi por isso que escolheram Paulo Bento, tanto no Sporting como na Seleção.

Confesso que eu fui um dos iludidos. Na altura em que ele saiu, também achava que devíamos estar agradecidos ao Paulo Bento por ter treinado o Sporting mas hoje não tenho dúvidas que é Paulo Bento quem tem de ficar eternamente agradecido por ter tido a oportunidade de treinar o Sporting Clube de Portugal. Depois daquele miserável jogo de ontem, duvido seriamente que volte a treinar outro clube grande em Portugal.

Outro mito dos "intelectuais" é que Paulo Bento é um homem frontal, honesto, sem medo de dizer as verdades e de assumir as suas responsabilidades. Pois bem, um homem com H grande teria-se demitido no dia a seguir àquela vergonha de Munique. Mas Bento, um homem pequenino, aceitou continuar a servir de capacho a José Eduardo Bettencourt por mais uma época e, pior, aceitou iniciá-la, disputando uma pré-eliminatória da Champions, sem exigir reforços, confiando na palavra do presidente que depois de eliminarmos a Fiorentina e assegurando a entrada na fase de grupos, esses reforços chegariam. Pois.

A forma como Paulo Bento convocou jogadores com "alto índice de suspeição lesional", contrariando a opinião da equipa médica e chegando até a utilizá-la para camuflar a saída (mais uma...) de um jogador da Seleção, Danny, e depois como deixa essa mesma equipa médica ser "queimada" em público pela direção da FPF, funcionando como bode expiatório do desastre que foi a campanha de Portugal no Brasil, é a demonstração cabal de que Paulo Bento, ao contrário da opinião generalizada pelos intelectuais, é um homem como outro qualquer, ou seja, alguém que, na hora da verdade, come e cala quando está em risco o "dele", isto é, a honra e sentido de justiça valem menos que os euros ao final do mês.


Tal como no Sporting, quando foi manipulado por Soares Franco e Bettencourt, numa lógica de psicologia invertida, Paulo Bento crê mesmo que é que ele decide quem joga na Seleção. E é aqui que entra o maior cancro do futebol português.


O maior cancro do futebol português


Jorge Mendes, outrora um zé-ninguém, é o actual dono disto tudo, no que diz respeito ao futebol português. Num campeonato "normal", o Braga seria o clube que apostaria mais nos putos da formação, afinal são os actuais campeões de júniores, não disputam competições europeias esta época e têm um orçamento mais reduzido que os três grandes. E o que é que vemos? O Braga a servir de barriga de aluguer dos craques sul-americanos "inseminados" por Jorge Mendes, à espera de virem a ser adoptados mais tarde por um outro clube qualquer com mais dinheiro (normalmente, Porto, Benfica e agora também o Mónaco). O Rio Ave, idem (isto é absurdo). O Porto igual. E quando não é para colocar jogadores, Jorge Mendes, qual herói, também surge no meio do nada, e com o seu toque de Midas, consegue transformar jogadores medianos em jogadores-maravilha que valem 15 milhões de euros e que estão prontos a jogador na seleção assim, num estalar de dedos.

Há já muito tempo que divido o mercado de transferências e consequente valor intrínseco dos jogadores em dois: o real e o artificial. Por exemplo, as célebres transferências do Roberto, Hulk, Witsel ou André Gomes, para mim, são artificiais. Seja por lavagem de dinheiro, por favores, pagamento de dívidas, o que for, não consigo acreditar que tais valores correspondam ao valor intrínseco dos jogadores. E é curioso verificar que são sempre os mesmos clubes envolvidos nestas mega-transferências: Porto, Benfica, At. de Madrid, Zenit, Chelsea. Por uns tempos, o Sporting também se intrometeu nesses negócios, com JEB e Godinho Lopes, a contratarem, respectivamente, Pongolle e Elias por 6 e 8 milhões de euros, certamente a conselho de alguém...


Transferências reais são as que não envolvem esses ditos clubes nem esses agentes. Felizmente, ainda são a grande maioria.

Paulo Bento, até porque também é agenciado por ele(!), está tão envolvido nesta teia de interesses que não é necessário o Jorge Mendes soprar-lhe ao ouvido para convocar X ou Y, pois ele acabará por o fazer naturalmente e pior, achando que o está a fazer por livre e exclusiva vontade sua. Uma ilusão. Só isso explica as escolhas de Paulo Bento quando coloca a jogar o André Gomes, que tem meia dúzia de jogos na equipa principal do Benfica, em detrimento do Adrien ou quando insiste em Ivan Cavaleiro, entretanto colocado no "congelador" de Jorge Mendes, o Deportivo da Coruña, quando entra pelos olhos dentro de quase toda a gente que o Mané é muito mais jogador que o puto formado no Seixal. Se dantes julgava que o problema do Paulo Bento era apenas teimosia e mediocridade, agora já penso que se trata de algo mais grave. O estado de negação de Paulo Bento, antes e depois do jogo de ontem, fizeram-me lembrar o filme "Der Untergang" (A Queda), onde Hitler viveu os seus últimos dias num perfeito estado de alienação, contra tudo e contra todos.


O Marinho Neves explica isto melhor e também sugiro que leiam o texto do jornalista Ricardo Costa (agora toda a gente escreve sobre futebol), do Expresso:

"E Jorge Mendes prolonga artificialmente a carreira de jogadores que já não estão capazes de ir à seleção, ao mesmo tempo que sobrevaloriza outros em clubes que lhe são demasiado próximos, em que o Valência é agora o caso mais exemplar."



Uma nota para a minha satisfação por ver o Sporting livre deste cancro chamado Jorge Mendes. É certo que continuamos a fazer negócios com outros agentes, empresários e fundos, mas ao menos agora somos nós que inalamos o fumo directamente e deixámos de o inalar passivamente.



17 de abril de 2014

Hegemonia

A queda do Porto teve o seu momento-chave, porventura na ocasião mais triunfante dos últimos quatro ou cinco anos (mais emblemático até que a final da Europa League contra o Braga), quando um tal Kelvin marcou ao Benfica aos 92m de jogo e que significou a conquista do terceiro campeonato seguido. Tricampeão.


Kelvin "Ícaro" da Silva


Quando se pergunta a um historiador qual o momento-chave da queda do III Reich, a maioria responderá que foi a Batalha de Estalinegrado, quando os alemães viram-se obrigados a recuar até Berlim, em fuga do exército russo ou então o ataque japonês a Pearl Harbour e que resultou na entrada, literalmente decisiva, dos americanos na guerra.

Porém, há um historiador, Adam Tooze, que afirma que o momento-chave para a queda da Alemanha de Hitler deu-se, precisamente, assim que o exército alemão concretizou a maior das suas vitórias, logo em 1940, quando invadiu, triunfalmente, a França. Essa inesperada (por franceses, ingleses e até mesmo uma parte dos alemães) vitória do exército alemão, contra todas as probabilidades (o exemplo da guerra de 1914-18), com menos meios mas com maior eficácia e liderança, resultou numa confiança tal que, quando Hitler sugeriu a conquista da vasta Rússia, ninguém se opôs. Foi o princípio do fim.

Quando, na pré-época, Pinto da Costa contratou Paulo Fonseca, Licá, Ricardo, Josué e dois mexicanos por 19 milhões, ninguém duvidou, ninguém se opôs. Com maior ou menor dificuldade, deslumbrado pela épica forma como conquistou o campeonato passado e atendendo à corda-bamba por onde caminhava Jorge Jesus e o rumo desportivo-económico-financeiro do Benfica de Luís Filipe Vieira (nem sequer incluo o "novo" Sporting de Bruno de Carvalho pois, como disse o presidente, nessa altura nem contávamos para o totobola), a soberba de PdC fê-lo julgar que, qualquer que fosse o treinador escolhido, o Porto seria campeão e que bastaria pequenos ajustes para manter o rumo das vitórias. E agora é o que vemos: 3º lugar e uma Taça da Liga p'ra vencer. E eu nunca vi o Porto assim. Sabe tão bem. :)


Eu já tinha previsto a queda do Porto logo na primeira época de Vítor Pereira, não pela queda "em si" do Porto mas pela subida que sentia que o Benfica estava a fazer. Só não subiu ao topo há duas épocas por culpa de Jorge Jesus e na época passada por culpa, já disse, do Kelvin. Mas vai concretizá-la esta época, vencendo Liga e Taça de Portugal e, possivelmente, atingindo a final da Liga Europa. A grande questão é saber se este momento vitorioso do Benfica significará o início da hegemonia do futebol português para o Benfica (tem todas as condições para isso: Liga e FPF "controladas", Olivedesportos de rastos, Benfica TV em velocidade-cruzeiro, resultados da formação, etc) ou se, tal como no golo do Kelvin, resultará num pequeno trambolhão (não acredito em "queda"), desta vez do império de LFV.

Luisão tem 33 anos, Garay quererá fazer o contrato da sua  vida (tal como Gaitán ou Cardozo) e Maxi também já não vai p'ra novo. Usando o exemplo automobilístico de Leonardo Jardim, o carro F1 do Benfica está em andamento, em pleno primeiro lugar destacado, mas, quase de certeza, vai ter de trocar de pneus. Para tal, terá de ir às boxes colocar uns pneus novos e correr o risco de perder o lugar da frente para o Sporting, que já tem pneus novos metidos esta época. Ou então arrisca manter os pneus velhos durante mais esta época mas sabendo que, muito provavelmente, rebentarão no final da época. Isto é, o nível salarial do Benfica é alto, e atendendo às vitórias na Liga, Taça (e Liga Europa?), a tendência é para subir. Ou mantêm-se como estão, correndo o risco de os pneus velhos rebentarem ou trocam já de pneus e metem uns novos, da formação, baixando o nível salarial.

Se trocarem de pneus, as probabilidades de que o Sporting possa ultrapassar o Benfica sobem alguma coisa e poderemos ambicionar lutar, efectivamente, pela hegemonia do futebol português, ao contrário do que aconteceu no reinado de Soares Franco e Paulo Bento, onde nunca fomos (excepto na época da mão do Ronny) realmente candidatos "hegemónicos. Se não trocarem... remeto-me para as palavras de BdC :



"Apesar de continuar a admitir que o Sporting não vai entrar em loucuras financeiras, Bruno de Carvalho não deixa de ser ambicioso, admitindo que o clube de Alvalade já provou que é possível fazer mais com menos dinheiro. "O Sporting já provou que não são os grandes orçamentos que fazem a competitividade. Já tivemos o orçamento mais alto dos três grandes e ficámos em sétimo e com o mais baixo estamos em segundo. Temos de aprender a viver melhor com menos e o Sporting já está nessa aprendizagem. Já provámos que é possível fazer mais com menos", atirou, a meio do périplo pelos Açores, citado pelo jornal "A Bola".

Nessa linha de pensamento, é natural que Bruno de Carvalho já aponte ao título para 2014/15, sublinhando que o Sporting vai ter uma "equipa sem medo" na próxima temporada e prevendo, também, a queda futura dos rivais. "O Sporting tem sido extremamente competitivo, tem de assumir-se como candidato ao título. Vamos ter uma equipa sem medo a lutar pelo título. Esta época, depois de uma temporada tão má, seria hipocrisia dizer que éramos candidatos. Mas em termos de futuro só vou ter alegrias porque os nossos rivais, que têm grandes orçamentos época após época, vão passar fase difícil", confessou."








2 de agosto de 2013

Com rodinhas

Lembro-me de, nas (pré) épocas de Soares Franco, Bettencourt e Godinho, ouvir o discurso "oficial", tanto dos próprios presidentes como também dos jogadores, treinadores e papagaios (Carlos Barbosa!), em que um optimismo falso e exacerbado tentava-nos convencer e iludir-nos que, basicamente, tínhamos uma equipa do caralho e que íamos ganhar tudo. Os jogos em campo tratavam (sempre) de os desmentir.

Esta época, sinto o contrário. O discurso de BdC, Jardim e jogadores (não escrevo papagaios, porque, sinceramente, ninguém liga ao Marta Soares) não tenta iludir nem nos fazer crer que temos uma equipa do caralho. Mas estas exibições estão a desmenti-los, jogo após jogo.

É verdade, estou entusiasmado!

Sinto que estamos a caminho de ter, não uma grande equipa, mas uma verdadeira equipa. E que desde os tempos de Paulo Bento que não via isso. Sim, achava a equipa de Paulo Bento, vá lá, “suficiente mais” apenas, mas era uma verdadeira equipa. Notava-se isso em campo. E vejo isso com Jardim. É, como disse há uns dias, uma versão 2.0 da equipa de Paulo Bento, com mais qualidade e mais técnica e um pouco mais rápida.

Não percebo nada de basculações, linhas interiores, transições e essas merdas mas consigo ver que há ali uma ideia, um objectivo comum entre os jogadores. Não os vejo “perdidos” e desesperados, como me habituei a ver nos últimos tempos. E, até ver, não fico desesperado ao vê-os "perdidos"...

Uma palavra para os brasileiros recém-chegados à equipa. Muitos Sportinguistas olham para os brasileiros como árvores mas não conseguem (ou não querem…) vislumbrar a floresta. A nossa “cantera”. 


A bicicleta do papá Jardim


Ao contrário de Montero, que considero um verdadeiro reforço, os brasileiros fazem-me lembrar aquelas rodinhas que os papás metem na bicicleta do filho quando este está a aprender a pedalar. Os brasileiros são as rodinhas, preparadas para aguentar a “porrada” que aí vem quando jogarmos na Choupana, Mata Real, Barcelos, etc, e preparadas para aguentar a “porrada” que há-de vir da bancada central quando algum jogo correr menos bem em Alvalade. Ao mesmo tempo, renova-se com Betinho, Chaby, Ponde, Wilson Eduardo, Esgaio, Mica e João Mário, o que prova que a intenção da direção (do papá) é dar confiança aos putos da Academia e apetrechar a “bicicleta” para que, daqui a uns 2/3 anos, já consigam pedalar sozinhos e sem as “rodinhas” brasileiras.

Anseio pelo dia que os putos comecem a andar de mota...




Há uma regra moral nos intelectuais que habitam nas nossas tv’s, jornais e restantes meios de comunicação que dita que, jamais se poderá usar o exemplo de Hitler ou do nazismo para argumentar e usá-lo como metáfora em discussões, qualquer que seja o assunto (excepto sobre a própria 2ª Guerra Mundial e/ou o Holocausto). Ora, eu não sou intelectual, por isso vou usar aqui o nazismo para comparar a situação que vivem os adeptos do Porto.

No final da 2ª Guerra Mundial, quando os americanos libertaram os prisioneiros que ainda restavam vivos nos infames campos de concentração alemães e se depararam com o horror da morte, espelhada pelos milhares de corpos em decomposição, os aliados obrigaram as populações civis das vilas alemãs em redor dos ditos campos a visitá-los, para que vissem com os próprios olhos aquilo que se negaram ver e assumir que existia durante os anos que durou III Reich.

Quando um gajo lê os testemunhos dos pobres coitados adeptos galegos do Celta de Vigo que tiveram a triste ideia de ir ver um jogo amigável ao Dragão em plena época de veraneio, começo a pensar que os portistas são como os civis alemães do III Reich, neste caso do I Reich do Pinto da Costa. Não se ouve uma palavra de contestação, de recriminação, o mínimo apontar de dedos à selvajaria que corre pelos corredores do Dragão, nada. Tudo impávido e sereno. Aliás, tal como aconteceu após a final de hóquei e  aquele jogo do campeonato de juvenis da época passada. No pasa nada.

Quando Pinto da Costa desaparecer, que “castigo” deveriam ter os adeptos portistas? Serem obrigados a visitar o café malaguenho ou de alguns adeptos do Celta de Vigo? Serem obrigados a ouvirem as escutas do ApitoDourado,  “Laranja Mecânicastyle? Ou ouvirem uma palestra de Paulo Assunção, Co Adriaanse ou Adriano, intitulada “Lutei contra Pinto da Costa e consegui sobreviver aos Super-Dragões”?

Está para breve o “inverno russo” do Pinto da Costa… Será Yzmaylov um sinal? Perestroika!