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26 de setembro de 2014

Porta-aviões ao fundo

"Fifa is expected to make a "significant" announcement on third party ownership (TPO) on Friday, with a ban on investment companies taking a stake in the economic rights of players believed to be under consideration.

Already banned under Premier League rules, TPO is common in Europe and South America, with investors seeking to make profits on their stake.

Manchester City's £32m purchase of Eliaquim Mangala from Porto is just one of four major deals that went through in England this summer involving TPO.

English clubs who wish to buy players co-owned by an investor and a team are already required to buy out the contract rights from all parties retaining a financial interest.

BBC Sport understands Fifa discussed the issue on Thursday, the first day of its autumn executive committee meeting in Zurich, Switzerland.

Earlier this week the Fifa players' status committee - which oversees issues around transfers - is believed to have voted in favour of recommending a ban on TPO."

Mais aqui: http://www.bbc.com/sport/0/football/29373456




23 de setembro de 2014

Tiro no porta-aviões (da Doyen)

Coincidência ou não, duas semanas depois da presença de Bruno de Carvalho na Soccerex, em Manchester, vários jornais europeus conceituados lançaram grandes reportagens sobre aquilo que nós, portugueses e principalmente, os sportinguistas, já conhecemos de cor e salteado: o poder (desregulado e desmedido) que os fundos têm nos negócios do futebol, a influência de Jorge Mendes, as estranhas compras-vendas-compras de Mangala e Brahimi e, claro, a luta que Bruno de Carvalho encetou contra este poder, com o infame imbróglio Sporting/Rojo/Doyen.

Depois de há dois dias, o The Guardian ter publicado uma grande reportagem intitulada "Jorge Mendes: the most powerful man in football?", hoje foi a vez da notabilíssima France Football trazer-nos uma grande reportagem chamada "TPO (Third-Party Ownership) - O novo dopping das transferências" e da ExtraTime (revista semanal da italiana Gazzetta dello Sport) escrever outra "Reportagem - a nova forma de investimento - Ao fundo com os Fundos". 

"Bruno de Carvalho, le Don Quichotte du football portugais"

Tudo o que lá vem - os negócios entre clubes portugueses e fundos, Jorge Mendes, etc, etc - já é por nós sobejamente conhecido, porém, ambas as reportagens contêm alguns pormenores curiosos como aos nomes dos milionários investidores na Doyen e claro, duas entrevistas ao presidente do Sporting, Bruno de Carvalho. Ainda não li tudo pormenorizadamente mas é provável que contenham mais material inédito. A entrevista da France Football foi efectuada durante a Soccerex e da ExtraTime é uma entrevista exclusiva para a revista italiana, realizada por um jornalista português, André Viana. Realçar também uma entrevista ao presidente da SAD do Estoril e diretor da Traffic, o brasileiro Thiago Ribeiro.

P.S. Parece que esta jornada de reportagens sobre a TPO e os fundos culminou com esta outra do The Guardian que inclui declarações fortes de um porta-voz da UEFA contra a forma como os fundos de investimento estão a proliferar, desreguladamente, por essa Europa fora e prometendo medidas para a combater.








P'ra quem quiser sacar os pdf's completos de ambas as revistas, aqui têm:

- France Football
- ExtraTime


18 de maio de 2014

"Ou estão connosco ou contra nós"

"The Great Seal of the United States of America" ou "Esta merda faz-me lembrar qualquer coisa!..."



Excerto do episódio #10 da série documental "The Untold History of the United States", produzida, realizada e narrada por Oliver Stone:




"E no entanto, é a compaixão pelo outro que, afinal, tem distinguido os nossos líderes excepcionais… seja ele Washington, Jefferson, Lincoln, Roosevelt ou em outras frentes, pessoas como Martin Luther King.

George Bush, ao invés, colocou o mundo de sobreaviso: “Cada Nação, cada região tem agora uma decisão a tomar. Ou estão connosco ou estão com os terroristas.”

E justificando o seu direito de o fazer como uma luta monumental entre o bem e o mal. Imaginem um qualquer cidadão de um qualquer país que um homem como este lhes diga “ou estão connosco ou contra nós.” E imaginem como vocês se sentiriam em relação à América.

O povo americano estava ainda sem saber porque tinham sido atacados ou porque é que o Departamento de Estado começou a avisá-los sobre terrorismo numa lista de países estrangeiros que não parava de aumentar. Mas uma parte crescente do povo finalmente começou a perceber o que a maioria dos não-americanos já sabiam que tinham experienciado na metade final do século passado.

Nomeadamente de que os Estados Unidos eram outra coisa do que professavam ser, que eram na realidade como que um monstro militar que tencionava dominar o mundo.

Em vez de explicar as verdadeiras razões por detrás dos ataques - a forte oposição da Al Qaeda à presença de tropas americanas na Arábia Saudita e o apoio americano a Israel na sua luta continua contra os Palestinianos – Bush balbuciava “Porque é que nos odeiam?”

(os negritos são meus, obviamente)







"Porque nos odeiam", perguntava Bush. Só há dois clubes em Portugal, o Benfica e o anti-Benfica, vocifera Rui Gomes da Silva (e os milhões de lampiões que crêem que foram, propositadamente, roubados na final da Liga Europa porque o Platini assim o decretou).

Isto chegou a um ponto em que, ou estamos com eles ou estamos contra eles. Ou somos do Benfica ou somos anti-Benfica. Esqueçam a rivalidade centenária, esqueçam os derbies, esqueçam os very-lights (Descansa em Paz, Rui Mendes.). Ou Benfica ou anti-Benfica. Parolos do caralho.




Na espuma da ejaculação produzida pelas dezenas de directos dedicados à lampionice nestas últimas semanas, passaram despercebidas várias pequenas notícias e informações.

- O Porto emitiu (mais) um empréstimo obrigacionista no valor de 15 milhões e que pode aumentar de valor consoante a procura. Trocando por miúdos, precisam de guita.

- O Benfica, já disse antes, lançou uma mega-campanha de spam, com o intuito de arranjar mais sócios. Basicamente, a banca fechou a torneira e precisam de guita.

- Nesta semana, surgiram os castigos aplicados ao Man City devido ao fair-play financeiro. Basicamente, "só" têm 60 milhões para gastar esta época mas, como vão se libertar de dois ou três "home grown players", serão obrigados a contratar os respectivos substitutos, ou seja, jogadores ingleses. Portanto, esqueçam Mangala e Fernando no Porto por 55 milhões (como diz hoje o CM). É impossível.

- E como a UEFA vai estar de olho bem aberto aos gastos dos clubes nesta época e nas próximas, esqueçam também os 45 milhões da cláusula do William. Ou os 347939445 milhões do Zenit por Garay, Gaitan, Enzo Perez, André Gomes e C.ia.



Tem pinta de "leão"!




Sobre o triângulo Sporting, Jardim e (Marco) Silva, que dizer, excepto que "só sei que nada sei"?

Custa-me, claro, ver o Sporting iniciar outra época com novo treinador, novamente a reconstruir algo em vez de continuar a construir o projecto desenhado há tempos. Se é verdade que mais importante que o destino, é a própria viagem, às vezes sinto que o Sporting anda perdido no meio das perigosas estradas do Peru, arriscando cair a qualquer momento no fundo da ravina, enquanto procura alcançar o "El Dorado", isto é, os títulos.

Ontem, enquanto via o Atlético de Madrid sagrar-se campeão ao fim de 18 anos, em casa do Barcelona, pensei várias vezes que, mais do que orçamentos, "estruturas" ou presidentes, o que interessa realmente é a crença em ganhar. Vontade. E o Diego Simeone incutiu essa vontade de ganhar nos jogadores do Atlético. Eu quero um Diego Simeone no Sporting aos anos. O Sá Pinto parecia que podia trazer essa vontade toda mas saltar dos júniores do Sporting para a equipa principal não é o mesmo que iniciar a carreira de treinador no Racing, passar por Estudiantes, River Plate, San Lorenzo e Catania, antes de chegar ao Atlético de Madrid.

Sinto falta de títulos no Sporting. A brincar, a brincar, já passaram 12 anos depois do último título de campeão. Não exijo - não sou capaz - o título na próxima época mas - lamento, Jardim - quero um treinador que eu saiba que, mesmo não o dizendo publicamente, está pensar mesmo em ser campeão. Como o Simeone, que mesmo com a conversa pública do "partido a partido", nós sabíamos, ou pelo menos, dava a entendê-lo, que o gajo estava mesmo a pensar em ser campeão.

Com o Leonardo Jardim eu sei que era mesmo "jogo a jogo" e depois logo se via. E viu-se. Au revoir.