Tanta coisa para dizer e para pensar após o jogo de ontem... mas por mais que me apeteça dissecar o jogo, a estratégia, o árbitro, o golo e o falhanço do Rafael Leão, só me consigo focar no elefante no meio da sala: Jorge Jesus. É impossível não pensar que, na segunda ou terceira jornada da próxima época, quando empatarmos com o Moreirense ou o Tondela outra vez, os adeptos do Sporting vão imediatamente lembrar-se desta época e da primeira de JJ e pensar "Já fomos", pois tem sido isto a imagem que o Sporting de JJ vai deixando, com a equipa a bater-se no campeonato, sim, mas sempre com qualquer coisa a falhar. A equipa feminina do Sporting (não me recordo agora se a principal ou a de júniores) tinha no ano passado como lema #NãoHáDesculpas, uma forma de se auto-motivarem perante as adversidades. Agora que me recordo, creio que era a equipa de júniores. Não sei qual o contexto em que surgiu tal expressão mas serviu como exemplo a seguir. #NãoHáDesculpas. Bom, eu começo a sentir que na equipa principal do Sporting o que não falta são desculpas... árbitros, jornalistas, lesões, UEFA, adversários, corrupção, etc, tudo são desculpas para o Sporting não ganhar. Mais do que a derrota em si, dos 8 pontos de atraso (na prática, são 9), os 18 anos do avançado em que depositámos as nossas esperanças num bom resultado, nos 16 anos (a caminho dos 17...), o que me está a custar mais digerir é perceber que aquele velho sentimento de 'vitórias morais' que julgava estar irradicado de Alvalade, está, afinal, de volta. É ouvir JJ depois do jogo de hoje. E, pensando bem, não foi só hoje. Em todos os resultados negativos não me recordo de ouvir um murro na mesa, de um grito de alarme, de qualquer coisa que acordasse a equipa de modo a evitar aquilo que parecia inevitável a todos, especialmente desde o empate em Setúbal! Custa admiti-lo mas Sérgio Conceição conseguiu incutir na equipa do Porto vontade de ganhar. Vontade a sério. E essa vontade de ganhar é evidente em todos eles - jogadores, treinadores, dirigentes... É difícil ganhar contra quem quer mais ganhar. E é isso, ao final do dia, que eu, nós, queremos: ganhar. Não quero saber que desde que JJ chegou, o Sporting teve as maiores vendas, não quero saber da Taça da Liga, não quero saber da utópica final da Liga Europa, não quero saber que o Rafael Leão tenha apenas 18 anos! Eu quero ganhar a puta da Liga portuguesa, o tugão, a #LigaMickeyMouse. E se, racionalmente, consigo vislumbrar a evidente melhoria no jogo global do Sporting desde que JJ chegou, também tenho de admitir que, infelizmente, o seu trabalho (ainda) não foi o suficiente para tornar o Sporting campeão. Como disse o Luis Paixão Martins no último #Sporting160, JJ foi contratado pelo Sporting para acabar com as desculpas, com as 'vitórias morais'. E para ser campeão.
Vai chegar o final da época e se, como previr, o Sporting apenas conseguir ganhar a Taça da Liga e, no máximo, a Taça de Portugal, creio que BdC vai ter de tomar uma (não-) decisão de importância capital semelhante à aquela que LFV tomou, no final daquela época fatídica de JJ no Benfica, quando perdeu tudo em duas semanas, de continuar com ele como treinador, quanto toda a gente - toda - pedia a cabeça de JJ. É esse o elefante no meio da sala de Alvalade e que me faz ofuscar todo o resto: JJ continua ou sai?*
*A não ser que aconteça um milagre daqueles, como nunca aconteceu antes no futebol português, e muito menos ao Sporting, e que o Porto perca 9 pontos e o Sporting ganhe todos os jogos até ao fim, tornando-se, eventualmente, campeão. Delirante.