23 de junho de 2018

título

Antes de mais nada, quero dizer que estou a escrever este post na noite de sexta feira, antes de saber o resultado da AG de amanhã. Vou escrevê-lo e agendar a sua publicação para algures amanhã [hoje, sábado].


Ganhei o bichinho de fazer vídeos sobre o Sporting, futebol português e jornalismo, sempre numa onda irónica, para demonstrar a merda que rodeia o desporto-rei em Portugal. Entretanto, surgiu Twitter, Facebook, escrevi no blog Cabelo do Aimar, criei este blog e no início da época BdC, atingi o pico da minha militância "virtual", criando bastantes vídeos, a gozar com Rui Pedro Braz ou Freitas Lobo. A desilusão da ausência de títulos e alterações na minha vida pessoal fez-me perder a "ilúsion", como diriam os espanhóis, e mantenho apenas este blog onde vou, esporadicamente, pensando em "voz alta" e a conta Twitter, onde sou mais activo, é verdade, ao ponto de ainda alguma gente pensar que sou "avençado" ou coisa que o valha, de BdC ou de esta direção. Não sou, nunca fui nem nunca recebi qualquer convite para tal. O único convite que tive desse género foi, ali no final da primeira época de JJ ou início da segunda, de um tipo que trabalhava na Sporting TV e me perguntou se estaria, eventualmente, interessado em participar num programa qualquer, daqueles de convidados e opinião. Agradeci o convite mas respondi negativamente.


Isto tudo para dizer que nada me prende a BdC, nem sequer uma selfie, excepto a minha crença na sua capacidade para revitalizar o Sporting. Ele conseguiu revitalizar o Sporting de uma forma vertiginosa, quase milagrosa. E se temos sido campeões na primeira época de JJ...

Tinha aquela esperança inicial - este tipo tem uma energia do caralho, vai mudar isto - mas nunca pensei que conseguisse mudar tanto em tão pouco tempo. Passámos de empatar em casa com o Guimarães 3-3, depois de estar a ganhar 3-0 com o gordo do Maniche em campo e num verdadeiro batatal, para estarmos meses sem sofrer golos em Alvalade, num relvado digno de Champions e, às vezes, contra mesmo equipa de Champions. Poderia agora enumerar tudo aquilo que de bom BdC trouxe ao Sporting (modalidades, aumento sócios, SportingTV, pavilhão, etc, etc) mas isso pouco importa, pois chegámos a um tal momento da vida do clube, com uma realidade completamente distorcida e que, lamentavelmente, quase que fez desaparecer da mente colectiva dos Sportinguistas essas coisas boas. Vivemos uma realidade, quase uma realidade paralela, em que parece que BdC foi eleito presidente do Sporting há apenas uns 3 meses e cometeu erros de tal forma graves, que a vontade de alguns tornou-se, com a ajuda dos media, quase como que um desígnio nacional, uma vontade única: demitir BdC, expulsá-lo, queimá-lo na fogueira. É uma coisa quase irracional.


E é por isso, por esta irracionalidade obsessiva que impera nos media, nos rivais, nos políticos e nos opositores de BdC que, mesmo que BdC não seja destituído na AG, ele já não tem condições para continuar como presidente do Sporting. Lamento muito dizê-lo. Custa-me dizê-lo. BdC criou uns anticorpos tais à sua pessoa que, mesmo continuando presidente do clube, continuará a ser olhado pelos tais media, rivais, dirigentes e próprios adeptos como aquilo que já o olham hoje: um pária. BdC poderá ainda manter respeito lá fora, no momento de transferências, reuniões, etc mas cá dentro? Cá dentro, exceto dentro do seu gabinete em Alvalade, ninguém já o respeita. Como poderá o Sporting ambicionar ser campeão assim? Todo aquele respeito que foi ganho no início - braços de ferro com Bruma, Doyen, arbitragem, vídeo-árbitro, etc - esfumou-se completamente nestas últimas semanas. Já estou a imaginar uma cena tipo peitada-Duarte-Gomes-ao-treinador-adjunto-do-Sporting nos próximos tempos. Os amarelos do Soares Dias ao guarda-redes do Sporting (Rui Patrício) por fazer retardar pontapé de baliza aos 30 minutos da primeira parte? Vão voltar. As expulsões à 3ª jornada de um novo qualquer jogador estrangeiro acabado de chegar ao Sporting (Rinaudo, 3ª jornada em Guimarães, Bruno Paixão)? Vão voltar. É isto que temo que se perdeu. O respeito. Fora e em breve, também dentro do campo.


Continuando BdC, só vejo uma única forma de se conseguir "algo" com isto tudo e que implicaria que a equipa, treinador e mesmo adeptos, conseguisessem transformar toda esta campanha mediática anti-BdC (e anti-Sporting...) dos últimos meses, estes especiais ininterruptos "Crise no Sporting" e eventuais idas de jogadores que rescindiram para o Benfica, numa força aglutinadora. Se conseguíssemos absorver toda esta (má) energia que rodeou o Sporting e transformá-la numa verdadeira vontade de ir à luta, de vencer o título de campeão para depois esfregá-lo nas trombas de jornalistas, rivais, ex-jogadores, Sindicato, FPF, Liga... se houvesse essa vontade única e genuína de jogadores, treinador e adeptos, diria, aí sim, acredito que poderíamos conseguir "algo" esta época, um pouco à base do que fez o Porto esta última época.

Invejei tanto aquela vontade explícita de serem campeões... tanto do treinador, dos jogadores, do diretor comunicação, dos adeptos... Ficou-me na retina um gif, que fartei-me de ver ser partilhado por adeptos portistas, do Brahimi, num jogo qualquer em que o Porto se sentiu prejudicado pela arbitragem e onde o argelina repete, várias vezes, na cara do Fábio Veríssimo, "Vamos ganhar! Vamos ganhar!". Porra, e o meu capitão tinha o Instagram carregado de fotos dos seus cães de estimação. :(







Mas esta vontade não é exclusiva dos jogadores. Outra que me ficou na memória foi quando o Porto veio a Lisboa jogar contra o Benfica, jogo decisivo do campeonato, e depois jogava contra o Sporting, dias depois, em jogo para a Taça de Portugal. Por decisão de alguém (treinador? Presidente? Dir. Desportivo?), o Porto decidiu ficar a estagiar durante essa semana em Lisboa. Acabou jogo na Luz e os jogadores continuaram enfiados num hotel, a mentalizarem-se e prepararem-se para o jogo de Alvalade. É verdade que ganhámos (só nos penalties e o Porto poupou alguns jogadores) mas aquela vontade de GANHAR estava ali, tão explícita como se tivesse surjido escrita numa tarja transportada por um avião no céu.



Sporting recebe Benfica, penúltima jornada decisiva. Empatámos, o que nos obrigou a ir ganhar à Madeira oito dias depois. Que fez o Sporting (JJ?)? Deu dois dias de folga aos jogadores e fez voar a equipa apenas no dia antes do jogo, ainda para mais, como disse JJ no final do jogo, já se fazia sentir algum calor na Madeira, um clima diferente que necessitava de ambientação. Esta falta de mentalidade vencedora, ganhadora, perturba-me. E, honestamente, tenho sérias dúvidas que ela surja assim de repente esta época, por muito que haja essa vontade intrísseca que ela apareça. Querer não é poder mas vai ser a única forma de BdC, caso não seja destituído hoje, conseguir permanecer no clube: quererem crerem muito!

Jornal "A BOLA" de 9 de maio. "O plantel do Sporting voltou ontem [terça, dia 8] ao trabalho..."
 O derby jogou-se na noite de sábado, dia 5. Dois dias de folga na semana mais importante da época. 



Se BdC for destituído e se, ainda por cima, surgirem dúvidas sobre a forma como decorreu a votação, não há dúvidas de que vão ser uns primeiros tempos pós-BdC revoltos e difíceis. Não consigo prever onde parará a revolta, se vai só até aos tribunais ou mesmo manifestações. Tudo dependerá... das contratações. Eis ao ponto inicial do meu texto: ao final do dia, eu sou do Sporting, não sou do BdC, do Sousa Cintra ou do Rui Patrício. Eu sou apenas do Leão, daquele símbolo mágico que me fartei de desenhar nas capas dos cadernos e livros da escola quando era puto. Mais nada. Ora, para apaziguar a revolta natural que surgirá entre os apoiantes mais fervorosos de BdC, só há uma solução, que é apelar ao puto que há dentro de cada um de nós e apresentar-lhe um ídolo, um ídolo de carne e osso, um "craque", um Jardel, um João Pinto. Ou mais. É essa a minha "esperança", que os Ricciardis e Sobrinhos que se sentarem no caldeirão da SAD, sintam que para acalmarem os Sportinguistas, tenham de alargar os cordões à bolsa e comprar uns quantos "craques" para a equipa de futebol. Não sou hipócrita: eu quero é ser campeão e se tiver de ser com um fundo qualquer milionário estrangeiro a comprar a SAD e torrar uns quantos milhões na equipa, que seja. Duvido que os adeptos do Paris Saint Germain ou Man City fiquem a pensar muito na origem do dinheiro quando vão bêbados comemorar mais um título para as ruas de Paris ou Manchester.




Infelizmente ou felizmente, não sei, sou um sócio que não vive em Lisboa, não me sinto tão "agarrado" aquela forma de viver o Sporting, indo ao estádio regularmente, pavilhão, aquela mini-cidade Sporting que tantas vezes vejo ser elogiado por Sportinguistas. Não vivi as vendas de património, não senti na pele a perda do pavilhão, não sei exatamente o que são VMOCs e ainda hoje me faz confusão haver um Sporting Clube de Portugal, SAD e outro Sporting Clube de Portugal, Clube. Embora, hoje em dia, esteja muito mais familiarizado com todos estes problemas que afetam o clube, nunca foi algo com que me preocupasse muito. Eu sei que é uma estupidez mas não vou mentir, o que me interessa é ser campeão, o que se passa no relvado. Há Sportinguistas muito mais capacitados do que eu para fazer defender os interesses do clube em relação a esses aspectos. Quero é ser campeão, seja com ou sem BdC.



Temos duas vias para isso: a via romântica, caso BdC se mantenha no clube, e temos a outra via, a burocrata e capitalista, caso BdC saia do clube mas também é verdade que se ganhássemos o título com BdC à frente do clube, teria um outro sabor...

A esta hora, os Sportinguistas já decidiram!

15 de junho de 2018

putos

Um dos maiores erros de BdC e da maioria dos presidentes que o antecederam foi o menosprezo que demonstraram sempre ter pelos putos vindos da formação. Há ali algo de pensamento 'colonialista' na forma como os presidentes sempre encararam os putos da formação na hora de (re)negociar contratos. Já tinha pensado nisto muito antes de ter acontecido o que aconteceu mas, infelizmente, nunca perdi algum tempo para o escrever.

É uma evidência. Os putos da formação têm de estar constantemente a provar que merecem receber mais do que aquilo que os presidentes estão dispostos a pagar. Há uma ideia generalizada de que, se se tiver de poupar em algo, poupa-se nos ordenados dos putos da formação. Por exemplo, não me recordo de uma notícia do género "Puto maravilha sobe aos séniores e será um dos mais bem pagos do plantel". Nunca. É sempre o contrário "Puto maravilha é dos mais mal pagos do plantel e só receberá Y se fizer X jogos ou Y golos". Aliás, até acredito que se tal acontecesse, que se o puto começasse logo a ser um dos mais bem pagos do plantel,  a grande maioria dos Sportinguistas olharia de lado para tal situação e questionaria imediatamente o porquê de se pagar tanto a um puto da formação. A tal mentalidade 'colonialista', que não é exclusiva dos presidentes. Os jogadores são nossos, fomos nós que os criámos, eles até deviam estar a pagar por poder jogar no Sporting!


Ora, é aqui que está o problema. Os putos (já) não se alimentam de aplausos e cânticos que lhe são dedicados. Os putos de hoje em dia, isto é, os nossos putos da formação, só se alimentam de likes em fotos tiradas ao volante da máquina ou da piscina na casa. Não pode ser coincidência que foi no seio da seleção, rodeado por "emigrantes" bem sucedidos em Espanha, Inglaterra, França ou China, onde recebem salários milionários, que tenha surgido esta rebelião protagonizada, precisamente, por 2 ex-putos da formação. Por exemplo, até há 2 meses, os jogadores mais bem pagos do plantel teriam de ser precisamente, Rui Patrício e William. E teriam-no de o ser, não à custa de duras e longas negociações, mas por exclusiva iniciativa do Sporting.

Daniele De Rossi, jogador com uns 15 anos de clube e atual capitão da Roma, era, em 2015, o jogador mais bem pago de Itália.

(Duas coisas: não sei quem são os jogadores mais bem pagos do plantel, creio que houve um "leak" qualquer há uns tempos que mostrava quem eram, mas creio não estar errado em dizer que, provavelmente, o Bas Dost será o jogador mais bem pago, talvez seguido de Rui Patrício. Mas Mathieu também deve ter recebido um prémio chorudo para assinar pelo Sporting... Bas Dost, dois anos de clube. Mathieu, um. Lembro-me, por exemplo, de ter saído cá para fora, há um ano e tal, o valor do salário (pornográfico) do Alan Ruiz, um estrangeiro dois anos mais novo do que o William (já então campeão europeu por Portugal) e que chegava aos treinos num Ferrari.)




estrangeiros rotulados de "craque", os ídolos dos presidentes...



Li que o Sporting tinha acionado, há duas semanas, em plena "guerra civil", uma cláusula qualquer no contrato do Gelson que permitiria-lhe receber mais uns milhares de euros por mês e aumentar, automaticamente, o valor da sua cláusula de rescisão. Porquê só agora? O Gelson tem sido, nestas duas últimas épocas, o único extremo real da equipa do Sporting. O único com "golo" (mesmo assim pouco, para aquilo que preconizo sempre para uma equipa do Sporting). É esta falta de proactividade em recompensar os putos da formação que, invariavelmente e há décadas (Futre...), leva o Sporting a perdê-los e em perpetuar esta eterna pergunta que ecoa nas bancadas de Alvalade: porque raio formamos bons jogadores e péssimos homens?


A minha resposta: como são putos vindos da formação, temos preconceito em pagar-lhes mais, pois achamos sempre que são "eles" quem devem estar gratos ao Sporting e não nós por eles terem escolhido o Sporting. Não somos campeões há 16 anos. Como querer impedir que estes putos de hoje em dia, embebidos no capitalismo desde o dia em que nasceram, não aceitem outros clubes, mais vencedores e que lhes pagam melhor? Só há uma resposta: pagar-lhes mais. Poupar nos estrangeiros e recompensar os putos.

Temo, no entanto, que com isto que se passou, a mentalidade predominante nos próximos tempos seja, precisamente, o inverso: castigar os putos da formação, expiar neles os "erros" cometidos pela geração antes da deles. Vai custar, claro que vai, mas acredito que nesta altura, o melhor que temos - adeptos e direção, seja ela qual for - a fazer, é demonstrar publicamente todo o nosso carinho pelos que cá ficaram. Nas bancadas e no cheque.



P.S. Não estou, com este texto, a validar ou dar "razão" ou o caralho, aos cabrões que se aproveitaram de uma forma imunda de um mau momento no clube e fugiram do clube rumo aos contratos milionários que lhes acenaram. Isso é outra coisa. Quis apenas encontrar uma razão "sociológica" ou explanar a minha opinião por que falhamos tanto na formação de "homens", entendido?

SL

12 de junho de 2018

James Dean

Defender BdC e o seu projecto faz-me lembrar uma aldeia localizada num pequeno vale ameaçado de submersão, devido ao anúncio de construção de uma barragem, projeto liderado por grandes multinacionais, de eletricidade, financeiras e de construção. Todos nós, ou quase todos, nos solidarizamos com aquela luta justa e leal, de uma aldeia que pretende sobreviver às condições impostas pela globalização e que pretende continuar a viver sem se subjugar a nada nem a ninguém, mantendo a sua independência e modo de vida. Da mesma forma que BdC pretendia que o Sporting vivesse sem ter de ceder as percentagens habituais a empresários ou a ter que dar o braço a torcer em reuniões da Liga, FPF ou outras negociações que implicassem exigências e... cedências.

Cedências. É isto que, visto de fora, mais me parece que BdC raramente ou quase nunca esteve disposto a fazer. Chegados a este ponto, com rescisões de jogadores em cima da mesa e com um futuro sombrio à nossa espera, pergunto-me, como foi possível chegar a isto? É evidente que, nesta vida de hoje, embrenhada em capitalismo, é impossível viver-se sem ter de se dar algo em troca. Ou corremos o risco de vermos a nossa casa submersa pelas águas retidas pela nova barragem sem ter uma casa alternativa para dormir ou dinheiro para construir outra. Esta luta de ideais que BdC iniciou contra empresários, clubes rivais, jornalistas ou arbitragem, é muito bonito até ao momento em que constatas que não tens casa para dormir, isto é, jogadores para construir uma equipa. Ao final do dia, custa admiti-lo, BdC foi derrotado (pelas evidências). Haveria muito para dissecar sobre as culpas dos outros, o papel dos media mas seria chover no molhado, pois há muito que eu sei - e BdC, mais do que ninguém, também o deveria saber! - que todos querem e gostam de ver o Sporting no chão, na lama. É por isso que me custa perceber como foi possível termos chegado a este ponto. Precisamente, por o Sporting ser o clube mais escrutinado e visado pelos media e rivais, que BdC tinha a obrigação de evitar qualquer deslize que pudesse ser aproveitado, à primeira oportunidade, para o derrubar. Empresários, rivais, jornalistas, comentadores, dirigentes, políticos, todos! Todos! Todos aproveitaram esta "tempestade perfeita". Tendo em conta os precedentes e generalizada antipatia granjeada nos primeiros anos de mandato, BdC tinha de ter percorrido os corredores desta época em bicos de pés, como se o chão fosse feito de cascas de ovo e com cuidado para não partir nenhum. Ao invés, o que tivemos foi um elefante chamado BdC a correr desenfreado numa loja de porcelana. Posts Facebook, declarações estapafúrdias, omissões, passividade, tudo aquilo que BdC (e o Sporting) não se podia dar ao luxo de fazer, fê-lo.

Muitas vezes me lembrei, nesta época, de uma cena que LFV disse num programa do Herman José, na SIC, creio que em 2005, após ter sido campeão. Às tantas, LFV confidencia que, numa operação Stop da polícia, temeu que o tivesse tramado, que tivessem colocado droga no carro e que levasse a polícia a prendê-lo e que, desde aí, tem estado sempre atento a este tipo de situações. A ideia com que fico de BdC e o seu mandato é que, à medida que os anos se passaram, mais desleixado BdC se tornou, o que é péssimo, para não dizer "suicida". BdC tinha de estar à espera de "armadilhas" todos os dias, a partir do momento em que acordasse até ao momento em que se deitasse na cama.

Para piorar, ainda mais, a situação, lembrar que estávamos a disputar uma época em que o Benfica, por força da falta de investimento financeiro na equipa (em janeiro, não fizeram uma única contratação) e do impacto que o caso dos "emails" estava a ter, estava mais enfraquecido como há muito não estava, desde que LFV se tornou presidente dos lampiões. É completamente absurdo como conseguimos ocupar o pódio mediático e ofuscar completamente o Benfica e a sucessão de casos que têm sofrido (Lex, toupeira, mails, saco azul, corrupção jogadores). Absurdo!! E numa época espetacular a nível de modalidades, onde fomos campeões em andebol, hóquei e voleibol!!! De 170 mil sócios, da melhor época de assistências em Alvalade... Meu Deus. Se isto não é um fracasso...


Se isto fosse um jogo de futebol, diria que estamos a perder 4-0, aos 80m de jogo e a jogar com menos 4 jogadores. Mais um jogador expulso e acaba-se o jogo. Seria preciso um milagre daqueles, como eu nunca vi antes no futebol, para que BdC conseguisse aguentar-se e ganhar o jogo 5-4 (ou, pelo menos, empatar) nos últimos 10m de jogo. Impossível.


E é com este sentimento de impotência e tristeza, por mim, pelos meus, por BdC, pelos Sportinguistas e até pelos tipos da Juve Leo que decidiram ir bater nos jogadores à Academia (é preciso estar a sentir muita angústia para decidir participar num acto daqueles e isso, sentir que tamanha angústia desceu à 'psique' dos adeptos, entristece-me), que digo que estou farto do futebol português e, por inerência, do Sporting. Esta "derrota" vai-me abalar muito mais do que os 6-3 de 1994 (era puto, chorei nesse dia, única vez que chorei por causa de um jogo de futebol) ou os 12-1 do Bayern. Isto é outra coisa, mais traumatizante.

A derrota de BdC será a derrota de um ideal, de um Sporting rejuvenescido, que tinha quase morrido em 2013 e que renasceu por si só, apenas com a ajuda dos Sportinguistas, e que se despistou e espetou de forma espetacular contra um poste em 2018, qual James Dean. Surreal.




29 de maio de 2018

Oh, the Sporting irony

Uma das poucas coisas que me fazem sorrir no meio desta "crise" do Sporting, é observar a ignorância de grande parte dos Sportinguistas, aqueles que sentem "vergonha" e sentem falta do "glamour" de outrora.

Meus amigos, o Sporting nasceu a brigar, no meio de demissões e discussões.




in "Sporting Clube de Portugal, Uma História Diferente, de Marina Tavares Dias"

22 de maio de 2018

bolso

Um presidente de um clube só tem 'moral' para fazer frente a um jogador se tiver uma de duas coisas no bolso: dinheiro ou títulos. Seria relativamente fácil encontrar vários exemplos públicos de relações tensas entre presidentes de clubes e jogadores, principalmente após derrotas ou acusações de falta de empenho... Desde cortar no salário, críticas públicas, castigos, tudo isto já aconteceu antes no futebol, nacional e internacional. Porém, uma coisa é o presidente do Porto descer ao balneário e dizer que para a semana não há folgas, nem o tal prémio que tinha sido combinado no princípio da época, ou o presidente do Nápoles, ficar fodido após uma derrota no domingo e ordenar que a equipa fique "in ritiro" até final da época, isto é, um castigo aos jogadores equivalente a obrigar o filho ficar o fim de semana enfiado no quarto depois de mau resultado no teste de português. Pinto da Costa pode fazê-lo porque tem Taças dos Campeões Europeus, Taças UEFA e campeonatos no "bolso" e Aurelio De Laurentiis pode fazê-lo porque é um produtor de cinema milionário. Bruno de Carvalho não tem nada.

Tem uma mísera Taça de Portugal (para mim, a Taça Lucílio não conta para nada) e recebe menos por mês de salário do que a maior parte dos jogadores do Sporting. Se, para os adeptos, Bruno de Carvalho pode até parecer um presidente "vencedor" ou "milionário", para os jogadores ele é um zé-ninguém. É injusto? Talvez, mas é a realidade com a qual BdC nunca soube lidar. Está à vista de todos. Quis dominar, torcer, castigar os jogadores, na esperança que isso os fizesse corresponder às expetativas dos adeptos Sportinguistas, que têm e sempre tiveram a ideia generalizada de que os jogadores do Sporting não correm tanto como os de Benfica e Porto, que têm menos "atitude" (e eu sou um desses adeptos), mas nunca conseguiu, em 5 anos de mandato, alterar essa "psique" colectiva dos jogadores, bem pelo contrário. Lembrei-me agora do episódio em Chaves, derrotas seguidas de discussões, com uma "entrevista" de Adrien e William na SportingTV, quais meninos mal comportados, a pedir desculpa por qualquer coisa que já não me lembro o que era. A cada episódio destes, BdC foi perdendo liderança.

É por estes sistemáticos erros de avaliação e gestão de "balneário" que BdC conseguiu chegar ao 3º ano de desilusões de JJ, com o treinador e jogadores a serem poupados e, inclusive, aplaudidos (!) e BdC percepcionado, pela comunicação social e por uma já vasta parte dos Sportinguistas como o grande culpado (que o é, embora de forma "indireta") do fracasso . Enquanto não perceber isto, e continuo a duvidar que terá mais oportunidades para o fazer, nunca conseguirá ganhar o respeito do "balneário", bem pelo contrário.

19 de maio de 2018

Uma merda

O meu cérebro manda dizer "Bruno, já acabou. Por favor, sai do Sporting. Deixa-nos, finalmente, ter paz. Termina esta agonia, demitindo-te. Não há hipótese. Foste derrotado, eles ganharam. Obrigado por tudo mas está na hora de saíres. Bruno, já acabou."

O meu coração grita "Aguenta, Bruno! Mostra a esses filhos da puta toda a nossa fúria! Aguenta, Bruno! Firme! Não lhes dês esse prazer! Este país de merda, de lampiões em todo o lado - jornalistas, políticos, polícia - a salivarem com a nossa queda! Aguenta, Bruno! Mostra-nos que tudo isto é mentira e que o que querem é foder-nos! Aguenta, Bruno!"



É isto. Uma merda.

25 de abril de 2018

guerra

Sempre ouvi falar sobre a "Grande Depressão de 1929" e sabia apenas o que, creio, a maior parte de nós sabe: um dia, vá se lá saber porquê, a Bolsa de Nova Iorque começou a cair e caiu, caiu, caiu tanto que arrastou a economia norte-americana e mundial numa espiral negativa de falência, desemprego e que deixou milhões de pessoas na miséria total. Era, mais ou menos, isto que eu sabia. Há um par de semanas, por altura da mais recente "crise" no Sporting, vi no melhor sítio da net para sacar documentários (BBC, Arte, ZED, etc) um título que me chamou a atenção e saquei-o. E vi-o. "1929.Series.1.1of2.The.Crash", um documentário dividido em duas partes.



Nos anos 20, com a produção industrial idealizada por Henry Ford, a classe média norte-americana, bem antes da europeia, podia ter acesso a produtos que hoje nos são banais: automóveis, eletrodomésticos, etc. Na primeira parte do documentário, é explicado como era, então, fácil "investir" na bolsa. Qualquer dona de casa podia fazê-lo. O crédito providenciado pelos bancos para se poder investir era rápido e fácil de se adquirir. Com 10 dólares, podia-se pedir emprestado 90 e investir 100. Easy peachy. "100 milhões"*.

O presidente dos Estados Unidos de então era Herbert Hoover, republicano, apoiado pelos banqueiros e empresários foi eleito com o slogan "Prosperidade está mesmo ao virar da esquina". Era tempo de dizer ao mercado para se parar com com a loucura especulativa da bolsa e por um fim ao investimento louco e irracional, porém, Hoover não o fez, o que conduziu, irremediavelmente, à "terça feira negra" de outubro de 1929.

O que se passou depois, toda a gente, mais ou menos, sabe. A Bolsa de Nova Iorque colapsou, os preços baixaram drasticamente, muita gente perdeu dinheiro, ações e, sobretudo, o emprego. São infames as histórias dos suicídios em massa, atirando-se de prédios, de gente que perdeu dinheiro nesses dias. A "Grande Depressão" teve consequências devastadoras, em todo o mundo, sobretudo na Europa (Alemanha) e em 1932, apesar dos esforços de Hoover, este foi derrotado nas eleições americanas pelo democrata Franklin Roosevelt. Nos anos seguintes, fortemente apoiado por aqueles que mais sentiram na pele os efeitos da "Grande Depressão", os desempregados, Roosevelt implementou um plano nacional de desenvolvimento da economia, o "New Deal", em que grandes projetos nacionais (barragens, estradas, edifícios públicos, etc) foram projetados, de forma a providenciar trabalho aos milhões de desempregados que havia na altura. Roosevelt devolveu o ânimo aos norte-americanos, especialmente os de classe média e baixa e, sobretudo, a esperança de um futuro melhor. Mas o caminho era difícil. A meio do projecto "New Deal", por os resultados ainda não serem totalmente positivos, algumas dúvidas e críticas começaram a surgir, primeiro lançadas pelos banqueiros e empresários, para serem prontamente seguidas pela classe trabalhadora. Ou vice-versa. Houve greves, tumultos e até mesmo cenas de violência entre trabalhadores e o "Estado" (polícia). Por esta altura, Roosevelt foi completamente atacado, por ambos os lados, banqueiros e trabalhadores.



Steve Fraser, historiador.


"Os líderes políticos do país de ambos os partidos, Republicano e Democrata, estavam receosos quando viram a agitação que havia no país. E quando notaram que um terço da mão de obra estava desempregada. E quando viram as greves e tumultos que aconteciam. As corporações ricas estavam contra Roosevelt. Estavam com dúvidas de que o sistem capitalista sobreviveria. E os grupos financeiros e empresarial começaram a ser muito hostis. Trataram-no nas formas mais horrendas possíveis. Chamaram-lhe deficiente, um Judeu, comunista, homossexual. Chamaram-lhe de tudo."




Para cut a long story short, como dizem os anglo-saxónicos, a coisa estava preta para o Roosevelt. Dificilmente escaparia à rejeição do povo americano. (In)Felizmente, aconteceu aquilo que ninguém no mundo desejaria mas que lhe acabou por salvar a pele e o lugar: a 2ª Guerra Mundial. Com a iminente entrada dos Estados Unidos na frente de guerra, Roosevelt mobilizou todo um país no esforço de guerra, dando trabalho a todos, homens e mulheres, nas fábricas de armamento. A produção e economia nacional começou a crescer e o desemprego (e miséria) a diminuir. Um mindfuck à americana. O resto é história: com o final da guerra, consequente vitória dos Aliados e uma economia próspera em solo natal, Roosevelt conseguiu imortalizar o seu nome junto dos maiores da História, eternamente lembrado como um dos melhores presidentes dos Estado Unidos da América.

BdC precisa urgentemente de uma "guerra" mas duvido que seja contra os jogadores que o fará ganhar um lugar na História (dos vitoriosos).