16 de fevereiro de 2017

(Ainda) do Palhinha e da hipocrisia

Quando Jorge Jesus, até contrariando o mito de que nunca se dá como culpado nos maus momentos, assumiu ter “dado o guião errado” a Palhinha no jogo do Dragão e lhe apontou os maus primeiros 30 minutos (que acho que todos vimos, tal como os bons restantes 60), a imprensa, com o seu habitual moralismo fácil e superficial, foi incrivelmente rápida a fazer sobressair essas palavras, muitas vezes descontextualizado e mentido, até. Em segundos, estavam as lanças todas apontadas. A JJ, que, de repente, em vez de ter apontado naturalmente um momento individual do jogo, já tinha culpado, criticado e queimado o jogador; ao Sporting, que rapidamente descobriram ter recuperado os miúdos dos empréstimos para nada; e ao próprio Palhinha, que tornaram num coitadinho incapaz e violentado. E essa é a maior ironia de todas: a imprensa, enquanto criticava Jesus por aparentemente queimar o miúdo, fazia exactamente o mesmo. Todos podiam ter desfeito logo a falsa questão, chamando à razão os que iam na polémica e, para quem acha que JJ o criticou mesmo, o próprio treinador. Teria sido tão fácil exaltar tudo o que de bom ele fez nos minutos que se seguiram à primeira hora, pegar nas estatísticas que até foram (bastante) superiores às de Danilo, reforçar que o discurso do treinador só referiu aquela meia-hora e nada disse sobre o resto do jogo, pegar noutros casos em que JJ individualizou sem que isso quisesse depois dizer que deixasse de acreditar no jogador em causa, etc. Mas todos os meios de comunicação preferiram o fácil, atacando o monstro do treinador e fazendo de vítima o indefeso do miúdo (arte em que se têm especializado, com os jogadores do Sporting a serem os coitadinhos que recebem pouco, que estão presos, que levam com gritos, que são chamados à atenção em público, etc.) Alimentaram a polémica, chamando o seu nome para o tribunal da opinião pública, com a ideia adquirida de que esteve mal, foi culpado, etc. (o que JJ no fundo nem disse, ainda por cima). Ou seja, quem criticou JJ por prejudicar o Palhinha acabou por fazer exactamente o mesmo.
Hoje, esses santinhos da imprensa, que supostamente defendem sempre os oprimidos dos adultos, conscientes, profissionais, bem pagos, que são os jovens jogadores do Sporting, não hesitaram em atacar mais um deles, dizendo que o Francisco Geraldes foi, "contrariado" e "forçado", despromovido para a equipa B (quando, curiosamente, Rui Pedro foi só ajudar o Porto B, para depois voltar à equipa principal). Sei que também este é um não-assunto, até porque todos sabemos o valor do Xico. A questão aqui é o quão exposta fica a hipocrisia dos media deste país, que fazem de Jesus uma besta por simplesmente individualizar um jogador (que ele próprio lançou), mas todas as semanas aproveitam todas as oportunidades que têm para fazer muito pior, tentando queimá-los mesmo antes de começarem. Sei que já estamos fartos de saber desta dualidade (e por vezes má intenção, mesmo) do jornalismo português, mas é sempre bom deixá-la à vista, até porque penso que, neste tema particular da formação, vai acentuar-se cada vez mais.

A aposta de JJ na formação do Sporting não é só isso. É o desmoronar de uma teoria que o Benfica e todos os seus "aliados" têm montado ao longo dos últimos anos. Se se confirmar a sua aposta na formação no Sporting (como tudo indica, com Gelson, Semedo, Esgaio, e agora Geraldes, Palhinha e Podence), constata-se que afinal não foi pela aversão de JJ à formação, que eles tanto têm apregoado, que o Benfica não apostou na academia ao longo destes anos. E isso reabre a questão: então, por que motivo foi? E é essa discussão que eles querem ao máximo evitar. Porque vai desaguar naquilo que sempre soubemos: simplesmente porque a formação do Benfica nunca foi boa o suficiente. É por isso que estes miúdos são tão importantes, é por isso que têm tantas lupas apontadas a si, é por isso que todos torcem para que falhem. E é por isso que temos de ser duplamente cuidadosos neste tema. Não ir em conversas fáceis e polémicas. Dar-lhes tempo, sempre com a exigência e a seriedade habituais. Por um lado, até é bom. Esta pressão toda vai funcionar como um teste: não só ficam já a perceber que pertencer ao Sporting é ter muita gente contra nós, como ficamos nós a perceber se têm ou não o que é preciso para nos representar, porque sinceramente, um jogador que não aguenta ouvir o país a falar sobre uma frase que o treinador disse sobre ele não interessa muito ao Sporting. Felizmente, até aqui, na minha opinião, e ouvindo as suas declarações na academia depois do clássico, têm todos passado no teste. 

1 de fevereiro de 2017

Erro, de facto

 Não sou especialista na matéria mas sei que, basicamente, há dois tipos de erros de árbitros nos jogos de futebol, os "erros de facto" e os "erros de direito". Sei isto porque, nas milhentas polémicas do futebol português, já houve uma ou outra que tinha a ver com o assunto. Um jogo entre equipas grandes, um erro (grave) do árbitro e uma das equipas colocava a hipótese de o resultado ser anulado e o jogo repetido. Basicamente, se um árbitro conhece completamente as regras do futebol e depois comete um erro ao avaliar um lance, percepcionando mal o que realmente aconteceu, como por exemplo, quando avalia (mal) se foi bola na mão ou mão na bola, e daí resulta prejuízo para uma das equipas, por muito que hajam queixas da equipa perdedora, o resultado nunca poderá ser anulado e novamente jogado. Estes são os "erros de facto". Porém, se um árbitro comete um erro (grave), demonstrando desconhecimento das regras ou aplicando mal essas mesmas regras, há razões para resultado final poder ser anulado e/ou o jogo repetido. Por exemplo, um jogador marca golo de canto direto e o árbitro entende que não é válido e assinala pontapé de baliza. Esses são os "erros de direito".






Quando ouvi hoje o mandatário da candidatura de Pedro Madeira Rodrigues, no acto de oficialização da candidatura, elogiando bastante Bruno de Carvalho, e terminando até o louvor ao actual presidente do Sporting com um "Se tivéssemos sido campeões se calhar não estávamos aqui a apresentar uma alternativa", perguntei-me a mim mesmo "Eu ouvi bem? Estes tipos só se candidatam por causa de dois (2) pontos na classificação da equipa de futebol profissional na Liga NOS?". E a restruturação financeira? A Sporting TV? A revitalização das modalidades? O regresso do hóquei? A subida do número de sócios? O pavilhão João Rocha? Estes gajos não têm vergonha na cara? Submetem o clube a um processo eleitoral - não quero ser "mal-criado"...- vazio, triste e talvez até prejudicial, apenas porque ficamos a dois pontos do primeiro classificado da época passada?? Isto é como se uma equipa perdesse um jogo 7-0 e quisesse repeti-lo porque o árbitro se tinha enganado num lançamento lateral. A candidatura de PMR alega um "erro de facto" para anular quatro épocas de sucesso crescente apenas porque numa das épocas fizemos 86 pontos em vez de 88.

Uma candidatura séria à presidência do Sporting Clube de Portugal, neste momento e contexto, tinha de alegar, no seu manifesto, vários e graves erros à actual direção. além de meras críticas à postura ou carácter do actual presidente. Uma candidatura séria tinha de apresentar "erros de direito", como por exemplo, salários em atraso, reestruturações financeiras atrasadas pré-PER, falta de pavilhão ou subida alarmante da dívida da SAD, é que me percebem... Assim, é uma fantochada.

31 de janeiro de 2017

As diferenças #2 (ou um vislumbre do #EstadoLampiânico)

Já escrevi uma vez sobre a importância de quem narra e comenta os jogos de futebol. São eles os "professores primários" da iliteracia desportiva que assola os posteriores comentários ao jogo, sejam eles nas esplanadas, recreios da escola ou mesmo na própria tv, nos habituais e populares programas "desportivos", tipo Dia Seguinte e Prolongamento. Não menosprezem o poder do que diz o Freitas Lobo ou o Pedro Henriques, principalmente no que diz respeito à arbitragem. São eles que, na prática, decidem o que é um lance polémico ou inócuo. Eles e os realizadores da Sporttv/Benfica TV...


Normalmente, a Sporttv escolhe para comentar os jogos do Benfica fora (e a sul do país e ilhas) o seu ex-jogador, Pedro Henriques. É uma experiência engraçada comparar o que diz Pedro Henriques durante os comentários a jogos estrangeiros (Liga espanhola, inglesa, etc) sobre a arbitragem e depois ouvi-lo a comentar os jogos do seu Benfica. Parece o Dr. Jekyll e Mr Hyde, tal é a transformação. A benevolência e compreensão perante os erros dos árbitros espanhóis e ingleses desaparece para dar lugar a constantes críticas impiedosas aos erros dos árbitros portugueses, sobretudo quando prejudicam o Benfica.

Para os jogos do Sporting, a Sporttv 'convoca', normalmente, o João Aroso, ex-preparador do Sporting durante várias temporadas, no tempo de Paulo Bento. Não sei se o Aroso é Sportinguista mas é evidente a preocupação da Sporttv em escolher comentadores mais 'simpáticos' para os clubes grandes. Mas é tão grande a diferença entre uns e outros... Ficou-me na memória os minutos finais do Marítimo 1-0 Benfica, em dezembro passado. A irritação do Pedro Henriques, perante o resultado e a actuação do árbitro... delicioso. :)


Quando o Sporting jogou na Madeira há uma semana e ouvi o João Aroso comentar o flagrante erro arbitral que impediu o Sporting de levar os 3 pontos do estádio do Marítimo, lembrei-me imediatamente do Pedro Henriques e no que diria ele se o Alan Ruiz fosse do Benfica e lhe tivessem anulado aquele golo. Na impossibilidade de essa hipótese alguma vez se tornar realidade, limitei-me a gravar as reações de Pedro Henriques e João Aroso aos lances que, na altura, foram os mais polémicos dos jogos de Benfica e Sporting contra o Marítimo, de modo a comparar a 'isenção' de ambos. São evidentes as diferenças.






As diferenças #2 (ou um vislumbre no #EstadoLampiânico) от Com quem joga o Sporting? на Rutube.







O #EstadoLampiânico é isto: personagens-chave em todos os sectores da nossa vida, dentro e fora do campo, que não têm pudor em transfigurar-se da sua imagem pública neutra e 'isenta', para, na altura certa, tomar partido pelo Benfica, sem que isso lhes traga dissabores ou problemas. Duvido muito que um comentador mais afecto ao Sporting pudesse ter expressões irritadas perante erros dos árbitros como aquelas que Pedro Henriques produz. Primeiro, não teria coragem para expor assim tanto a sua "parcialidade" e, segundo, porque se o fizesse muitas vezes, o mais provável era a Sporttv dispensar os seus serviços logo de seguida.


É também a isto que Bruno de Carvalho se refere, quando fala na falta de militância dos Sportinguistas. O pudor que sentimos em tornar públicas as nossas cores, a incapacidade de moldar a nossa moral em prol do Sporting. O exemplo-mor disso mesmo é Vítor Pereira, sócio cinquentenário do clube e que durante toda a sua carreira preferiu ser visto como alguém "isento" aos olhos dos outros, mesmo que isso tenha implicado, na prática, o prejuízo do Sporting...






P.S. Ontem, no tal lance do Carrillo, foi evidente a dúvida que o lance suscitou ao narrador e comentador da Sporttv (Pedro Henriques, claro) mas, ao final do dia, o ex-jogador do Benfica não teve pejo nenhum em afirmar que era penalty. Mesmo que as imagens pareçam suscitar a dúvida se não foi o Carrillo a lançar-se para cima do jogador do Setúbal. Viva o Benfica, que se foda o resto.


Foi o Carrillo quem forçou a queda em Setúbal! от Com quem joga o Sporting? на Rutube.

30 de janeiro de 2017

22 de janeiro de 2017

Castelo

Há 2 formas de encarar o resultado do jogo de ontem na Madeira. Para quem ainda acreditava no título, é um resultado negativo. Para quem, como eu, já não acreditava no título, o resultado (e a forma como aconteceu) até foi positivo.


O Sporting começou a perder o título em Vila do Conde e Guimarães, não foi em Chaves ou Funchal. E não vou agora bater no ceguinho e explicar por que razão estamos a fazer uma época de merda... já todos sabemos, inclusive o presidente. Como escrevi no penúltimo post, não há milagres, muito menos que envolvam o Sporting. Desde que me lembro de ser Sportinguista e de acompanhar, minimamente, os jogos, só me lembro de dois "milagres": o golo de Miguel Garcia em Alkmaar e a final da Taça de Portugal contra o Braga, há 2 épocas. Mais nada. Ah, e o 5-3 contra os lampiões, para a Taça da Portugal. De resto, espero sempre o pior do Sporting. E não me tenho desiludido...


Para ganhar o título em Portugal, é preciso um bom plantel e "boas" arbitragens. O Sporting não tem ambas. E das duas, só terá hipóteses de ter uma: um bom plantel. Mas mesmo isso está em risco, pois o 3º lugar da Liga deixou de dar acesso à pré-eliminatória da Champions, o que significa que para o ano vamos ter, muito provavelmente, um plantel ainda mais "fraco" que o actual. Pelo menos no papel. Depois na prática, logo se verá. No "papel", Petrovic seria melhor que Palhinha. Na prática... viram o jogo de ontem?




As "boas" arbitragens... Não podemos contar com elas. E quando pior jogamos, piores arbitragens teremos. Já estou farto de o dizer: os árbitros portugueses são medrosos, cheiram melhor que ninguém onde o "poder" está e é para esse lado que melhor apitam. Na época passada estávamos "poderosos" e foi das épocas onde menos senti essa animosidade contra o Sporting. Este ano começámos fracos e os árbitros sentiram-no à distância. Sempre que puderam, malharam no Sporting. É "normal". Por isso é que digo que, para quem já não acreditava no título esta época, o resultado (e arbitragem) de ontem foi o melhor que nos podia ter acontecido.




"Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…"






O que resta ao Sporting esta época é guardar as "pedras" (leia-se, más arbitragens) e, no momento certo, construir um "castelo". Não sei se sabem mas é possível definir, ao minuto, o momento em que o Benfica construiu o seu castelo. E nem sequer tinham tantas pedras como isso... Foi no dia 13 de setembro de 2010, três dias depois de uma derrota em Guimarães, que o #EstadoLampiânico começou a edificar o castelo do "tetra".








São notáveis as semelhanças. Benfica tinha contratado JJ em 2009/10 e foi campeão logo nessa época, confirmando aquilo que tinha prometido quando foi anunciado como treinador dos lampiões. A época seguinte começou de forma terrível, com três derrotas em Agosto. Na 4ª jornada, em Guimarães, o Benfica perde novamente, num jogo arbitrado por Olegário Benquerença. Não sei dizer se nas derrotas de agosto o Benfica tinha algumas razões de queixa das arbitragens mas lembro-me perfeitamente, até porque fiz um vídeo na altura sobre isso, que o Benfica não tinha assim tanto por que se queixar de Olegário... os próprios narradores do jogo na Benfica TV assim o confirmaram na altura. Contudo, isso não impediu de o Benfica reagir - e em força - contra o Conselho de Arbitragem, liderado por Vítor Pereira. Foi um ataque concertado, que envolveu almoços com diretores do jornal A BOLA, e que culminou num anúncio/comunicado público demolidor, talvez sem direito a perguntas dos jornalistas, não sei, de Luís Nazaré, o então presidente da Mesa da Assembleia Geral do Benfica.


 Houve de tudo: apelo aos sócios (e adeptos...) para não irem aos jogos fora; cancelamento de negociação direitos TV (e consequente transmissão dos jogos em casa no próprio canal do clube - o "xeque-mate" ao "sistema" do Porto de Pinto da Costa); ameaça de boicote à Taça da Liga; solicitar uma audiência ao Ministro da Administração Interna; declarar o Secretário de Estado de então, Laurentino Dias, como 'persona non grata'. Absolutamente brutal.


Foi um ataque contundente e que teve resultados absolutamente avassaladores. O "castelo" do Benfica está à vista: antes de desfrutar a reforma dourada no Brasil, Vítor Pereira extinguiu a antiga geração de árbitros, para dar lugar a esta nova vaga de árbitros de "aviário"; o Benfica deixou de vender os direitos transmissão tv à Sporttv e começou a transmitir os seus jogos na sua própria TV, conseguindo com isso definir os horários dos jogos caseiros e ter maior controlo editorial sobre aquilo que é percecionado como "realidade" para os adeptos de futebol em Portugal, no que aos jogos do Benfica em casa diz respeito. É um "poder" enorme, estratosférico. Tetra-campeonato à vista.

Este ano, o Sporting decidiu dar uma oportunidade ao novo presidente do Conselho da Arbitragem (mas cujos árbitros e observadores são os mesmos de outras épocas) e não reagiu quando tinha de reagir. Pós-Guimarães e/ou pós-Luz. Agora é tarde demais. As silver bullets são para ser disparadas no momento certo. Estar a 10 pontos do primeiro lugar não é o momento certo.

A "estrutura" do Sporting é fraca, quase obsoleta mas "isto" que temos vindo a assistir esta época é completamente patético. Damos votos de confiança ao Conselho de Arbitragem, somos roubados na Luz e não reagimos, somos eliminados na Taça da Liga e fazemos 'blackouts' e depois desmentimos, empatamos em Chaves e falamos para a Sporting TV, posts Facebook, entrevistas à CMTV, "bate-bocas" com comentadores... enfim, pior é impossível. Urge recolher as "pedras", guardá-las bem e, no momento certo, começar a construir o "castelo". E se não souberem quando isso é, eu ajudo: à primeira derrota/empate da próxima época, ao mínimo erro arbitral. É por isso que o empate de ontem foi positivo... se estivermos já a pensar na próxima época.

Além daquelas ideias lampiãs de 2010, há outras que o Sporting pode, e deve. adoptar nessa "construção"... um dia, partilhá-las-ei aqui.




16 de janeiro de 2017

A Grande Evasão

A árvore


Esta época está a ser um tremendo fracasso. Mesmo que nos apuremos para a final da Taça de Portugal (a perspectiva de a podermos perder contra os lampiões "tetra-campeões" e vê-los a comemorar uma dobradinha, é assustadora...), esta época já "foi". Só por um milagre é conseguiremos ser campeões. E como todos nós sabemos, no Sporting não há milagres.  No início da época, havia João Pereira, Schelotto, Zeegelaar e Jefferson, como opções reais para as laterais. Em Chaves, jogámos com o Esgaio na direita e Bruno César na esquerda, ambos "terceiras" e irreais opções para o lugar. Não há milagres.

O diagnóstico a esta terrível metade de época já tem vindo a ser feito por muita gente, desde jornalistas, comentadores, adeptos e bloggers. É falacioso apontar uma única razão para "isto". Não é problema exclusivo dos árbitros, dos jogadores, do JJ ou do BdC. É de todos. As falhas cometidas por estes personagens, quando juntas, redundam em oito pontos de atraso para os lampiões, quarto lugar atrás do Braga (se vencerem hoje), eliminação das provas europeias e Taça da Liga. Uma vergonha, tendo em conta aquilo que foi alcançado na época passada e o que nos foi "prometido" para esta época. As contratações, mais uma vez, não foram reforços para a equipa, excepto Bas Dost. Campbell é voluntarioso mas demasiado trapalhão. Alan Ruiz pode ter um pé esquerdo que vale 5 ou 6 milhões de euros mas agonia-me ver aquela falta de vontade de correr, lutar, esforçar-se. Se Bas Dost se lesiona (3x na madeira!), temos como alternativa André e Castaignos. Castaignos... eu, que não me considero um expert em futebol, sabia bem do flop que este tipo foi em Itália, no regresso à Holanda e depois na 2ª divisão (!) alemã. Juro que não compreendo como é que foi possível haver alguém no Sporting que tenha achado que este gajo seria útil. Não compreendo mesmo. É um Pongolle mas mais barato.


JJ é o melhor treinador português mas é o pior manager que o Sporting teve desde Costinha. A forma como o Sporting entra em todos os jogos maravilha-me. As "apostas" de JJ horrorizam-me. Há muito tempo que ambicionava ver a equipa do Sporting entrar em qualquer estádio português - e em muitos europeus...- de forma autoritária, controladora e corajosa, sem medo de impor o seu jogo no meio-campo adversário. O problema é que esse meu deleite se esgota rapidamente, à medida da monotonia que o tal jogo autoritário e corajoso do Sporting se vai transformando num tipo de jogo previsível, inócuo e, pior, inseguro , pois estes jogadores do Sporting não fazem qualquer tipo de pressão alta imediatamente a seguir à perda de bola, o que transforma qualquer bola perdida por nós perto da área contrária, num contra-ataque perigoso para a nossa baliza. O plano inicial de JJ para o jogo do Sporting contempla muita posse de bola, circulação segura da bola e zero oportunidades de golo para a nossa baliza. O problema é que a realidade destrói sempre esse plano: em todos os jogos sofremos golos. E a equipa não está montada, física e mentalmente, para jogar no risco, à procura do "prejuízo". Lembrei-me que Markovic, por exemplo, é um jogador de "contra-ataque", de bola na frente e correr atrás dela. Ora, se o Sporting não joga assim, obviamente Markovic nunca terá sucesso nesta equipa. Não há milagres.

Sobre os árbitros, é chover no molhado. Se eu fosse treinador/presidente do Sporting, treinaria minha equipa para entrar em campo como se estivesse já a perder 1-0. Espanta-me esta constante bonomia dos responsáveis do Sporting perante a arbitragem nos inícios de épocas, como se durante o verão os árbitros tivessem deixado de ser benfiquistas... Eles não mudam. Eles são poucos e vão continuar a ser os mesmos durante mais algum tempo, pois parece que até o limite de idade (45 anos) vão alterar, para os 48 ou 50 anos, tal como se faz em Inglaterra. Sim, o Bruno Paixão ainda só tem 42 anos. #medo

É por isso que me irrita a tal falta de "ganas" com que os jogadores do Sporting enfrentam os jogos da Liga Portuguesa. Eu vi mais "vontade" nos jogadores do Feirense e do Chaves do que nos jogadores do Sporting. É triste mas é verdade, foi o que senti. Jogar melhor não significa ganhar mais. Ganha quem quer ganhar mais. Fazer "aquele" corte de carrinho aos 89 minutos, mesmo que isso signifique foder o joelho e arriscar uma lesão, desde que isso implique negar a oportunidade ao adversário de rematar à nossa baliza, é isso que deve estar em permanente pensamento na cabeça dos jogadores.

Custa-me dizer isto mas eu não vejo esta "vontade" colectiva no Sporting. Olho para a equipa e para os jogos e não consigo deixar de pensar na inveja que Adrien e William devem sentir dos seus colegas de seleção que jogam em Espanha, Alemanha ou Itália, no desconforto de Gelson em ser o jogador que tem o salário mais baixo da equipa ou na dúvida que Coates terá em ficar neste "extravagante" Sporting ou considerar os inúmeros convites que certamente terá de outros clubes europeus (e, quem sabe, portugueses...).




De todos os jogadores com contrato com o Sporting, daquilo que me é dado a ver, ao longo destes anos todos em que acompanho a equipa e os jogadores, apenas UM jogador do Sporting percebe bem a angústia que estamos a atravessar: Francisco Geraldes. É o único que eu tenho quase a certeza que percebe o que se está a passar. Ontem vi a "entrevista" aos capitães do Sporting na Sporting TV e a cara de desânimo dos dois, por este momento terrível do clube (8 pontos dos lampiões e com 14 anos sem títulos), é igual à minha quando não acerto o Placard por um jogo. Queria vê-los fodidos com a situação, irritados, convictos. Gostava de ver capitães do Sporting a chegarem ao fim dos jogos com sangue na camisola, literalmente. Não gosto de ver jogadores serem substituídos ao mínimo toque...

Os capitães têm de dar o exemplo e, daquilo que observo e tendo em conta aquilo que parece que se passou no balneário de Chaves, há problemas reais no balneário porque, ou os responsáveis do Sporting (BdC) não crêem que eles estão a dar tudo o que podem - o que é grave - ou os jogadores julgam que estão a dar tudo o que podem... e se isto é "tudo" aquilo que podem dar, temos problema, porque precisamos de muito, muito mais.

Faltam mais "galinhas pretas" no relvado de Alvalade e menos passarinhos no balneário.





A floresta




Esta época já foi. É importante que os responsáveis do Sporting entendam isso. Não há milagres na Liga tuga. É essencial começar a preparar já a próxima época. E a próxima época tem de ser com BdC e JJ no leme. Olho para o futebol português e imagino-o como um grande campo de prisioneiros da 2ª Guerra mundial. Os soldados alemães são os lampiões (e os árbitros, os portistas, jornalistas...) e os prisioneiros ingleses, os Sportinguistas. Há anos que estamos a tentar fugir da prisão, porque esse é o "dever de todo e qualquer oficial - tentar fugir da prisão e atormentar o inimigo ao máximo", como dizia o capitão Ramsey, interlocutor dos prisioneiros ingleses, ao Coronel Van Luger, no clássico "A grande evasão", de 1963.

Com Dias da Cunha, Soares Franco e Bettencourt, tentámos cumprir as regras e obedecer aos alemães, na esperança de obter dividendos que nunca vieram. Com Godinho Lopes e Pereira Cristóvão deu-se um passo maior que a perna e a atemorização aos árbitros alemães saiu pela culatra. Com BdC e JJ estamos a fazer aquilo que deve ser feito numa prisão: tentar fugir. Estamos, neste momento, a escavar um túnel e que nos levará - oxalá - para fora da prisão, rumo ao título. Imagine-se o absurdo que seria, se, a meio da construção do túnel, com este escavado até poucos metros da rede, houvesse um grupo mínimo de prisioneiros que resolvesse causar uma rebelião junto do grupo, de modo a desistir do túnel e começar, de novo, outra forma de sair da prisão. Todo o tempo despendido na construção do próprio túnel, o tempo gasto em reconhecer o terreno, a confiança ganha para conhecer as rotinas dos guardas, as vulnerabilidades do "sistema"... tudo por água abaixo para começar outro método de "fuga"? E este novo método envolveria ainda mais tempo, porque os "rebeldes" aparentam ter ainda menos capacidades do que os que estão neste momento a escavar. É o que tem acontecido ao Sporting nesta última década. Andamos a tentar novos métodos de fuga sempre que acontece uma adversidade. Não podemos dar-nos ao luxo de começar tudo de novo.

Urge preparar a próxima época, verificar quem está em condições de "escavar" e concretizar a fuga e dizer, cara a cara, aos "inaptos" que não se pode contar com eles, tal como fez o líder de esquadrão, Roger Bartlett, ao falsificador Tenente Colin Blythe, que a meio do tal "clássico" de 1963, perde quase totalmente a visão e torna-se um risco para a missão. Por amor de Deus, o Octávio Machado ganhou estatuto no futebol português porque andava durante a semana, às tantas da manhã a controlar os jogadores do Porto, de modo a obrigá-los a cumprir os planos de treino! Ninguém me consegue convencer da utilidade de Octávio no actual Sporting. O Sporting não se pode dar ao luxo de desperdiçar recursos. Cortar no que seja possível cortar (incluindo jogadores!) e apenas trazer para o Sporting quem é, de facto, mais-valias.


Todos os presidentes cometem erros. Desde Luís Filipe Vieira a Florentino Pérez. Por muito mal que esta época termine e se não surgir uma oposição verdadeiramente superior à actual direção, é essencial que BdC continue. E JJ também. Não vislumbro outra solução sem ser continuar a escavar.






O túnel de "A Grande Evasão"

10 de janeiro de 2017

Como Jorge Mendes fodia o Sporting (de Paulo Bento e Soares Franco)

No Twitter, apanhei há minutos um tweet de um jornalista português (ou luso-francês), Nicolas Vilas, que trabalha para um canal desportivo francês, o SFR Sport. Era um vídeo de um programa onde o entrevistado aparentava ser Selim Benachour, ex-Vitória Guimarães, e onde se falava de Jorge Mendes, comissões, Ilhas Caimão e Sporting. Perguntei se alguém sabia francês e um adepto Sportinguista residente em França, traduziu, o @Raffaellopes__ (obrigado!).

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