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6 de junho de 2015

Jamor = Stonehenge

O futebol é uma religião. Os adeptos são fanáticos. O futebol idealista do início do seculo XX foi completamente devorado pelo dinheiro dos magnatas do petróleo da Rússia, Emiratos e Angola. Ganha quem tem mais dinheiro. Os ideais do início do futebol foram completamente absorvidos pelo futebol capitalista, tal como os ideais pagãos foram absorvidos pela igreja católica. O dia 25 de dezembro, muito antes de ser "dia de Natal" e o dia de "nascimento de Jesus", era um dia de comemoração e devoção ao "deus-sol". Esta e muitas outras tradições pagãs foram devoradas pela igreja católica, tal como muitos clubes históricos europeus foram absorvidos (para não dizer "comprados") por dezenas de milionários e empresas orientais. Restam muitos poucos locais "pagãos" do futebol da outra era. Wembley, apesar da remodelação, é um deles. Jamor é outro.

No Jamor, respira-se o futebol pagão, o futebol idealista dos início do tempo. Uma vez por ano, lá vão em romaria, os adeptos fanáticos rumo ao local sagrado do futebol português. Ninguém percebe bem porquê esta adoração ao Jamor. Não há bancadas cobertas, não há casas de banho, não há écrans gigantes, só há futebol. E sol. O "deus-sol" (recomendo aqui a leitura do livro do Álvaro Magalhães, "História Natural do Futebol", para perceberem a ligação entre o sol e a bola de futebol). Vai-se ao Jamor porque tem de se ir. É um ritual. No Jamor, quase tudo é verídico e mítico. É como se os deuses do futebol estivessem a assistir ao jogo e decidissem quem tem de ganhar e quem tem de perder.

Jamor é o Stonehenge do futebol português.



Digam lá se não parece o jamor. :O




Não sei se se lembram, mas foi no jogo da meia final da Taça contra o Marítimo que Paulo Pereira Cristóvão, alegadamente, terá instruído alguém para depositar uma quantia em dinheiro na conta de um dos fiscais de linha da partida, o tal Cardinal. Conseguem imaginar se depois temos ganho essa Taça? A Taça "Cardinal"? A Taça "Cristóvão"? Thanks, but no thanks.

Graças a(os) deus(es), o Sporting perdeu a Taça contra a Académica, em 2012.

Outra prova que os deuses do futebol estavam no Jamor a ver esse jogo, foi não terem permitido que a equipa que tinha investido 30 milhões em 18 estrangeiros tivesse ganho contra a equipa que incluía no seu onze titular dois jovens jogadores portugueses emprestados por essa mesma equipa, Cédric Soares e Adrien Silva!

Não é por acaso que nesse dia até estava a chover...

No domingo passado, não tenho dúvidas de que os deuses do futebol marcaram presença no Jamor. Deixar que a aquela equipa que se verga perante os interesses de Benfica, Porto e Jorge Mendes, ganhasse a Taça, seria ir contra a lógica, contra o Universo. Aquele treinador sabujo, fala-barato e medíocre não merecia ganhar a Taça. Aquele presidente idiota não merecia ganhar a Taça. Metade daqueles adeptos pseudo-bracarenses-mas-que-na-realidade-são-lampiões também não mereciam ganhá-la.

Os deuses do futebol foram justos e premiaram a equipa que mais lutou para ganhá-la. A equipa que tinha Cédric Soares e Adrien Silva ganhou a Taça! Os deuses do futebol legitimaram "este" Sporting.





15 de abril de 2014

Liga Mickey Mouse

Acho que havia um jogador perito em apontar aos braços dos adversários mas não me lembro quem...



Aqui há uns tempos li no Twitter um tipo estrangeiro, que costuma fazer apostas online, dizer que a Liga Portuguesa é das que tem mais penalties assinalados por jornada. Não tenho dados p'ra comprovar isso nem paciência p'ra ir contar os penalties marcados nesta edição da Liga portuguesa mas desde que li o tal tweet do apostador estrangeiro, comecei a reparar na facilidade com que se marcam penalties em Portugal... como este do .gif acima, assinalado por Luís Ferreira, o novo Bruno Paixão (tenham medo, tenham muito medo!), na sexta-feira passada, no Académica 1-1 Vitória de Setúbal. (também marcou outro - e bem - a favor do Vitória, btw)

Se lermos as Leis do Jogo 2013/2014, disponíveis no site da FPF, acho que todos chegaremos à conclusão de que não era penalty.


LEI 12 – FALTAS E INCORREÇÕES 119

Tocar a bola com a mão

Tocar a bola com as mãos implica um ato deliberado em que o jogador toma
contacto com a bola com as mãos ou com os braços. O árbitro deve ter em
consideração os seguintes critérios:
• o movimento da mão na direção da bola (e não a bola na direção da 
mão);
• a distância entre o adversário e a bola (bola inesperada);
• a posição da mão não pressupõe necessariamente uma infração;
• o facto do contacto com a bola ser feito com um objeto que tem na mão
(peça de vestuário, caneleira, etc.), não deixa de constituir infração.
• o contacto com a bola ser feito através de um objeto lançado (bota,
caneleira, etc.) também constitui infração.

(os negritos e sublinhados são meus)


Mas o mais grave não é o cabrão do árbitro ter marcado penalty, mal ou bem, numa decisão de segundos. O grave mesmo é ler o jornalista d'A Bola, que deve ter tido um par de horas p'ra fazer a crónica do jogo, escrever isto no dia seguinte no jornal:




E pronto. É isto. Temos uma Liga à parte das restantes, uma Liga onde bolas nas mãos são penalty e onde jogos Arouca - Benfica disputados em Aveiro ou Estoril - Benfica no Algarve, considerados como uma coisa normalíssima, tudo legitimado por esta cambada de prostitutos intelectuais que escrevem jornais e enchem écrãs de televisão. Uma verdadeira Liga Mickey Mouse.


4 de fevereiro de 2014

Jefferson

A propósito de um comentário de um leitor anónimo neste post, lembrei-me de rever o lance da lesão do Jefferson e que lhe deixou o tornozelo neste estado:


"Boletim clínico: Contraiu uma entorse grave no tornozelo esquerdo. Encontra-se em tratamento." in Sporting.pt


O .gif:


Nem falta foi, quanto mais levar cartão. Futebol Português!! \m/

(a imagem é "pesada" - 4mb - e demora um pouco a carregar. :P)

3 de fevereiro de 2014

Giríssimo

He's done it again.

Depois do jogo de Arouca, a televisão pública brinda-nos mais uma vez com um resumo adulterado do jogo do Sporting, desta vez contra a Académica. Mas os outros protagonistas continuam os mesmos: Sporttv, RTP e o seu jornalista, Alexandre Albuquerque.

A meio da peça "jornalística" (aos 23m), assinada pelo Alexandre, sai isto:

""A primeira parte fecha com um lance controverso. Fernando Alexandre é agarrado na área por Adrien Silva. O árbitro Paulo Baptista mandou seguir."

Reparem na peremptoriedade de Alexandre: "Fernando Alexandre é agarrado na área por Adrien Silva."

E reparemos no vídeo que a RTP utiliza para demonstrar o lance:




E, de facto, esclareceu bastante os espectadores da televisão pública... principalmente aqueles que queriam saber as horas e o estado do trânsito na VCI do Porto.

E no Jornal da Tarde também não foi muito melhor, excepto para sabermos se a senhora da linguagem gestual puxou alguém com o braço:





Vejamos agora uma repetição que a Sporttv transmitiu, despercebidamente, durante o intervalo do jogo e que não foi mais vista em qualquer outro resumo do jogo nos mais diversos canais de televisão nacionais.





Acho que é evidente, logo no início da jogada, o puxão... do Fernando ao Adrien.




E pronto, é isto todas as semanas. Já não basta nos roubarem no campo, temos ainda de levar com a ideia generalizada e propagandeada por esta imprensa quadrúpede de que o Sporting foi beneficiado, quando na verdade, formos prejudicados.


Bom, resta-me ao menos agradecer ao Alexandre Albuquerque e à RTP/Sporttv o facto de, graças aos seus resumos dos jogos do Sporting, conseguir agora perceber o que sentem as mulheres que são violadas e que depois lhes dizem que o foram por culpa própria, por usarem mini-saia e pintarem os lábios.

E as estas lições de sexualidade vindas do jornalista desportivo que acha o David Beckham "giríssimo" tem a sua piada... (Queria colocar aqui o link para o vídeo Youtube onde se ouve o gajo dizer isso em directo, durante um jogo Man Utd - Benfica, mas não encontrei! Juro que foi verdade. Pelo menos este tipo que comentou num blog em 2011 também se lembra - enganou-se foi no canal, não foi na Sporttv, foi mesmo na RTP)


E na tal contagem de espingardas para o derby, já nem vale a pena perder tempo com isso... Sem William, Jefferson e com a onda vermelha "apaixonada" bem viva, como se viu em Barcelos, resta-nos esperar pelo pior e tentar lutar com dignidade. Não peço mais.



SL


P.S. Esqueci-me de acrescentar o "tribunal" do jornal O JOGO, onde os três ex-árbitros têm a mesma opinião: Foi Fernando quem puxou primeiro o Adrien.