23 de abril de 2017

Lógica para combater a irracionalidade

Ontem acordei em choque. Sensação a que já me tenho vindo a habituar neste mundo recente, mas que costuma ter razões mais distantes. Desta vez, a loucura extremista foi aqui. Ao nosso lado, com um dos nossos, com a nossa paixão como pretexto. Não é fácil digerir e ao início estava capaz de dizer e fazer tudo. Mas o dia trouxe calma e lucidez: o que aconteceu foi um ato de extremismo irracional. E nestas situações, a história tem ensinado que a pior resposta possível é mais irracionalidade. Infelizmente, é essa que se vê sempre.
Certos argumentos que têm sido lançados, de ambos os lados, são impulsivos, ilógicos e, por isso mesmo, altamente perigosos. Não se pode generalizar um ato isolado, não se pode pôr na mesma discussão assassinatos intencionais e acidentais. Não se pode dizer que a culpa é de quem provoca, que se não estivessem lá não acontecia, que quem anda à chuva molha-se, etc. Calma. É suposto vivermos numa democracia desenvolvida em que matar alguém não é aceitável independentemente do motivo. É que parece que toda a gente se esquece dos seus princípios quando há futebol à mistura. Se fosse um homem a matar a mulher por o ter traído, também se desculpava e desvalorizava? Ou a velha história da menina da minissaia não se poder queixar da violação… Temos de ter cuidado com o que dizemos. O que eles estavam lá a fazer é importante de averiguar e nem tenho problemas em dizer que adivinho que não será coisa boa. Mas é um assunto à parte, que nunca poderá tornar aceitável matar alguém. Porque nada torna.
Por outro lado, tentemos esforçar um bocadinho mais a lógica no que às razões para este ambiente tenso no futebol português diz respeito. Há que ter ponderação e pensar duas vezes antes de atirar bitaites. Eu não posso falar pela população em geral, mas posso dar a minha visão das coisas: nunca será o que um presidente, um dirigente, ou um comentador diz que me fará gostar mais ou menos de um clube e, muito menos, ser mais ou menos violenta. Se de facto isso acontece, temos de parar para pensar no grave que é as pessoas não terem filtro e consciência para saber gerir palavras. A mim, o que ameaça o meu discernimento é quando alguém impede essas palavras - porque cortar liberdades irrita-me incomparavelmente mais do que qualquer expressão das mesmas. O que me tira do sério é ter a injustiça como norma e, acima de tudo, a ausência de tentativas de explicação e correção. O que me descontrola é a lata, a falta de brio e a sujidade da imprensa. O que me faz perder a cabeça são as voltas que dou às mesmas perguntas, que nunca são respondidas, desde a existência de claques ilegais, aos critérios nas diferentes decisões da Liga, à promiscuidade da Federação. Portanto é fundamental que deixemos de ser os limitados que acham que andamos zangados porque A disse X e B respondeu Y. O foco da crispação é bem mais profundo do que isso e ninguém está isento de culpas – mesmo os que não hesitam em distribui-las: de jornalistas a comentadores, passando por políticos, dirigentes, claques e adeptos, mas acima de tudo as instituições supostamente reguladoras. Enquanto se continuar a achar que a culpa acaba num setor, não avançamos.
Quanto à questão do “incendiário”, sou sincera. Acho que acaba por ser verdade. A chegada de Bruno de Carvalho incendiou o ambiente. Mas não por ele o ter tentado fazer. Simplesmente, antes o Sporting era o esquecido parente simpático que não ameaçava ninguém, por isso nunca entrou na guerra, que acabava por se fazer com 300 km de terra pelo meio. Com ele, o Sporting voltou a fazer parte da discussão, quer do campeonato quer do estado do futebol português, tendo vindo mexer em questões que dava jeito a muita gente que continuassem adormecidas. Daí o Sporting ter voltado a ser visto como o grande rival do Benfica. E nesta guerra, os 300 km passam à largura da 2.ª Circular. Portanto, claro que tudo se torna mais aceso e mais perigoso.
De resto, outra consequência assustadora da irracionalidade com que se reagiu à irracionalidade da madrugada de ontem, foi a normalização do acontecimento: falamos da morte de uma pessoa exatamente da mesma maneira com que falamos semanalmente dos penalties por marcar e das declarações do não sei quantos: os mesmos diretos, nos mesmos estúdios, com os mesmos comentadores; os mesmos comunicados, nas mesmas plataformas; as presenças em zonas mistas, como se se fosse falar de arbitragem; a Liga limita-se a um comunicado, como se fosse mais um dia; a FPF fala à Lusa, sem cara nem voz; a naturalidade com que se continuou  a falar dos onzes, dos autocarros, da caixa de segurança e depois, de como o jogo decorreu. Penso que se pedia muito mais do que isto. O que se passou ultrapassa o futebol. Há um filho a voltar sozinho a casa. Seria de esperar mais choque, mais contenção e mais respeito. Não foi um fora-de-jogo. Não é para os comentadores de futebol falarem. É para ser pensado e estudado a outros níveis da sociedade. É um caso de polícia, não de árbitro. E tudo isto fez com que parecesse que estávamos a falar só de um estalo ou de mais dos mesmos desacatos…. Morreu alguém. Não se pode tratar como se fosse normal.
Por fim, no culminar de um dia pesado, na zona mista de Alvalade, deu-se o expoente máximo da irracionalidade de ontem. E gosto de acreditar que se tratou de irreflexão e precipitação, mesmo que tenha tido um dia inteiro para refletir, porque neste momento nem tenho cabeça para enfrentar o facto de alguém que pense mesmo o que foi dito ser seguido por 6, ou 14, ou lá quantos são, milhões de pessoas. Que, mais uma vez, não ia ser capaz de se demarcar das loucuras das suas claques (mesmo que não queiram associar uma claque ao assassínio, houve sempre as celebrações do mesmo durante o jogo), já eu sabia. Mas o que veio a seguir, foi verdadeiramente chocante. Da boca do presidente do Sport Lisboa e Benfica saíram as palavras “provocação gera violência”. Assim. Em frente aos microfones, em direto para a televisão. Sem pudor. Alguém morreu. Um filho voltou sozinho para casa. Mas o que o presidente do Sport Lisboa e Benfica se lembra de dizer é que ele provocou. Como é que o senhor cartilhas teve coragem de dar a cara para dizer uma barbaridade destas, não sei. Mas sei que isto me afeta muito para além do futebol. Que ele e toda a gente que pensa assim entendam que a provocação gera violência em animais que não se sabem controlar, não em humanos que vivem em sociedade. Que o que mata não é a provocação, é a loucura fanática de bestas incapazes de pensar para além de chavões selvagens como “provocação gera violência”. Se acho que do ato isolado de um benfiquista não se pode generalizar, das palavras do presidente da instituição, a questão é outra. Ontem, tornou-se público que a posição oficial do Sport Lisboa e Benfica é que vale matar, se houver provocação. E assim cai no seu presidente responsabilidade por todas as violências em resposta a provocações que possam existir daqui para a frente, porque em direto, para as televisões, legitimou um assassínio.

Mas então o que fazer para melhorar a situação? A meu ver, em primeiro lugar, recuperar legitimidade e autoridade para o edifício do futebol português. Sem isso, nada será possível. Depois, parece-me hora, se bem que a mim já me parece há algum tempo, para a política parar de fingir que não se mistura com o futebol, porque se isto tudo fosse “só um jogo” não acabava em sangue. São necessárias medidas democráticas, independentes e sérias que neste momento a tutela não dá. Por outro lado, sem me querer repetir, é urgente legalizar as claques, nem que seja pela ideia de impunidade e amadorismo que é passada. Claro que, idealmente, também era necessária uma comunicação social isenta, briosa e pedagógica, focada no melhor que o futebol tem, nas histórias incríveis que há para contar, em tudo o que de positivo nos pode ensinar, mas isso, sinceramente, não acho possível. Por fim, é urgente haver debate público, que permita fazer progressos no sentido da educação para o desporto e para o civismo em Portugal. E não sejamos infantis, para esse debate não é preciso os presidentes gostarem um do outro nem partilharem tribunas. Adultos sérios sabem trabalhar com pessoas de quem não gostam e com quem têm historial. Simplesmente, por vezes não querem.

27 de março de 2017

12 de março de 2017

'novela'

Ontem, durante a transmissão do jogo Tondela 1-4 Sporting, no final da 1a parte, pudemos ouvir ao diálogo entre Matheus Pereira e Jorge Jesus. Foi interessante - é sempre interessante ter acesso aos "bastidores" do espectáculo - mas também foi uma... filha da putice. Não é normal a Sporttv facultar o audio junto aos bancos de suplentes, assim, de uma forma tão propositada. E nota-se que é propositada porque quando a imagem de Matheus e Jesus surge no écrã, não há audio e apenas alguns segundos depois é que começamos a ouvir JJ a dizer a Matheus para "jogar como treina". Certamente, ordem do realizador, após ter ouvido o narrador (Rui Orlando) e o comentador (Freitas Lobo) mencionarem o facto de haver um diálogo entre treinador e jogador. Ok, foi um diálogo interessante, refrescante, ao ponto de ter feito notícia no site do Record.




Agora... e se JJ estivesse a mandar Matheus para o caralho? Ou a dizer-lhe para espetar uma porrada do defensor? Ou qualquer outra coisa de foro "privado" e que só interessava aos envolvidos? Teríamos 'novela' para uma semana e a CMTV, TVI24, SIC N, etc, a esfregarem as mãos.


8 de março de 2017

Mais nada

No último post que coloquei, apenas com o vídeo das declarações de BdC na noite eleitoral, um leitor escreveu o seguinte comentário, o qual resolvi publicar, pois concordo com ele inteiramente.





"Já ninguém liga a estes comentadores e isso ficou bem provado nestas eleições. Os comentadores de TV e os jornalistas de papel estavam convencidos que as suas opiniões, notícias e boatos iriam influenciar o resultado em favor do City Lion. Ficou bem provado que a sua influência é nula.
As pessoas inteligentes já conhecem esta gente. Já sabem ao que vêm e com que propósito. Já sabem que das suas bocas e canetas só saiem duas coisas: mentiras e azedume.
Quanto às pessoas fracas de cabeça, essas nunca serão convencidas com factos e provas. Já têm a sua opinião formada, acreditam no que querem acreditar e não vão mudar o seu ponto de vista por mais que lhes mostrem preto no branco que aquilo em que acreditam é mentira.
O que quero eu dizer com isto? Quero dizer que não vale a pena perder tempo com esta corja de avençados. Acaba por ser o Sporting, principalmente através do Presidente e do director de comunicação, que dão mais eco e força às mentiras desta gente. O meu conselho ao Presidente é que ignore o que esta gente diz e escreve. Os posts no Facebook (tanto de BdC como de Nuno Saraiva) só acabam por dar mais visibilidade às mentiras daquela corja. Ignorem-nos. E quando um qualquer André Ventura desta vida disser ou escrever uma mentira, é publicar um simples comunicado "O que o senhor bardamerda número 5 disse é mentira e o Sporting agirá judicialmente contra ele". Mais nada."

16 de fevereiro de 2017

(Ainda) do Palhinha e da hipocrisia

Quando Jorge Jesus, até contrariando o mito de que nunca se dá como culpado nos maus momentos, assumiu ter “dado o guião errado” a Palhinha no jogo do Dragão e lhe apontou os maus primeiros 30 minutos (que acho que todos vimos, tal como os bons restantes 60), a imprensa, com o seu habitual moralismo fácil e superficial, foi incrivelmente rápida a fazer sobressair essas palavras, muitas vezes descontextualizado e mentido, até. Em segundos, estavam as lanças todas apontadas. A JJ, que, de repente, em vez de ter apontado naturalmente um momento individual do jogo, já tinha culpado, criticado e queimado o jogador; ao Sporting, que rapidamente descobriram ter recuperado os miúdos dos empréstimos para nada; e ao próprio Palhinha, que tornaram num coitadinho incapaz e violentado. E essa é a maior ironia de todas: a imprensa, enquanto criticava Jesus por aparentemente queimar o miúdo, fazia exactamente o mesmo. Todos podiam ter desfeito logo a falsa questão, chamando à razão os que iam na polémica e, para quem acha que JJ o criticou mesmo, o próprio treinador. Teria sido tão fácil exaltar tudo o que de bom ele fez nos minutos que se seguiram à primeira hora, pegar nas estatísticas que até foram (bastante) superiores às de Danilo, reforçar que o discurso do treinador só referiu aquela meia-hora e nada disse sobre o resto do jogo, pegar noutros casos em que JJ individualizou sem que isso quisesse depois dizer que deixasse de acreditar no jogador em causa, etc. Mas todos os meios de comunicação preferiram o fácil, atacando o monstro do treinador e fazendo de vítima o indefeso do miúdo (arte em que se têm especializado, com os jogadores do Sporting a serem os coitadinhos que recebem pouco, que estão presos, que levam com gritos, que são chamados à atenção em público, etc.) Alimentaram a polémica, chamando o seu nome para o tribunal da opinião pública, com a ideia adquirida de que esteve mal, foi culpado, etc. (o que JJ no fundo nem disse, ainda por cima). Ou seja, quem criticou JJ por prejudicar o Palhinha acabou por fazer exactamente o mesmo.
Hoje, esses santinhos da imprensa, que supostamente defendem sempre os oprimidos dos adultos, conscientes, profissionais, bem pagos, que são os jovens jogadores do Sporting, não hesitaram em atacar mais um deles, dizendo que o Francisco Geraldes foi, "contrariado" e "forçado", despromovido para a equipa B (quando, curiosamente, Rui Pedro foi só ajudar o Porto B, para depois voltar à equipa principal). Sei que também este é um não-assunto, até porque todos sabemos o valor do Xico. A questão aqui é o quão exposta fica a hipocrisia dos media deste país, que fazem de Jesus uma besta por simplesmente individualizar um jogador (que ele próprio lançou), mas todas as semanas aproveitam todas as oportunidades que têm para fazer muito pior, tentando queimá-los mesmo antes de começarem. Sei que já estamos fartos de saber desta dualidade (e por vezes má intenção, mesmo) do jornalismo português, mas é sempre bom deixá-la à vista, até porque penso que, neste tema particular da formação, vai acentuar-se cada vez mais.

A aposta de JJ na formação do Sporting não é só isso. É o desmoronar de uma teoria que o Benfica e todos os seus "aliados" têm montado ao longo dos últimos anos. Se se confirmar a sua aposta na formação no Sporting (como tudo indica, com Gelson, Semedo, Esgaio, e agora Geraldes, Palhinha e Podence), constata-se que afinal não foi pela aversão de JJ à formação, que eles tanto têm apregoado, que o Benfica não apostou na academia ao longo destes anos. E isso reabre a questão: então, por que motivo foi? E é essa discussão que eles querem ao máximo evitar. Porque vai desaguar naquilo que sempre soubemos: simplesmente porque a formação do Benfica nunca foi boa o suficiente. É por isso que estes miúdos são tão importantes, é por isso que têm tantas lupas apontadas a si, é por isso que todos torcem para que falhem. E é por isso que temos de ser duplamente cuidadosos neste tema. Não ir em conversas fáceis e polémicas. Dar-lhes tempo, sempre com a exigência e a seriedade habituais. Por um lado, até é bom. Esta pressão toda vai funcionar como um teste: não só ficam já a perceber que pertencer ao Sporting é ter muita gente contra nós, como ficamos nós a perceber se têm ou não o que é preciso para nos representar, porque sinceramente, um jogador que não aguenta ouvir o país a falar sobre uma frase que o treinador disse sobre ele não interessa muito ao Sporting. Felizmente, até aqui, na minha opinião, e ouvindo as suas declarações na academia depois do clássico, têm todos passado no teste. 

1 de fevereiro de 2017

Erro, de facto

 Não sou especialista na matéria mas sei que, basicamente, há dois tipos de erros de árbitros nos jogos de futebol, os "erros de facto" e os "erros de direito". Sei isto porque, nas milhentas polémicas do futebol português, já houve uma ou outra que tinha a ver com o assunto. Um jogo entre equipas grandes, um erro (grave) do árbitro e uma das equipas colocava a hipótese de o resultado ser anulado e o jogo repetido. Basicamente, se um árbitro conhece completamente as regras do futebol e depois comete um erro ao avaliar um lance, percepcionando mal o que realmente aconteceu, como por exemplo, quando avalia (mal) se foi bola na mão ou mão na bola, e daí resulta prejuízo para uma das equipas, por muito que hajam queixas da equipa perdedora, o resultado nunca poderá ser anulado e novamente jogado. Estes são os "erros de facto". Porém, se um árbitro comete um erro (grave), demonstrando desconhecimento das regras ou aplicando mal essas mesmas regras, há razões para resultado final poder ser anulado e/ou o jogo repetido. Por exemplo, um jogador marca golo de canto direto e o árbitro entende que não é válido e assinala pontapé de baliza. Esses são os "erros de direito".






Quando ouvi hoje o mandatário da candidatura de Pedro Madeira Rodrigues, no acto de oficialização da candidatura, elogiando bastante Bruno de Carvalho, e terminando até o louvor ao actual presidente do Sporting com um "Se tivéssemos sido campeões se calhar não estávamos aqui a apresentar uma alternativa", perguntei-me a mim mesmo "Eu ouvi bem? Estes tipos só se candidatam por causa de dois (2) pontos na classificação da equipa de futebol profissional na Liga NOS?". E a restruturação financeira? A Sporting TV? A revitalização das modalidades? O regresso do hóquei? A subida do número de sócios? O pavilhão João Rocha? Estes gajos não têm vergonha na cara? Submetem o clube a um processo eleitoral - não quero ser "mal-criado"...- vazio, triste e talvez até prejudicial, apenas porque ficamos a dois pontos do primeiro classificado da época passada?? Isto é como se uma equipa perdesse um jogo 7-0 e quisesse repeti-lo porque o árbitro se tinha enganado num lançamento lateral. A candidatura de PMR alega um "erro de facto" para anular quatro épocas de sucesso crescente apenas porque numa das épocas fizemos 86 pontos em vez de 88.

Uma candidatura séria à presidência do Sporting Clube de Portugal, neste momento e contexto, tinha de alegar, no seu manifesto, vários e graves erros à actual direção. além de meras críticas à postura ou carácter do actual presidente. Uma candidatura séria tinha de apresentar "erros de direito", como por exemplo, salários em atraso, reestruturações financeiras atrasadas pré-PER, falta de pavilhão ou subida alarmante da dívida da SAD, é que me percebem... Assim, é uma fantochada.

31 de janeiro de 2017

As diferenças #2 (ou um vislumbre do #EstadoLampiânico)

Já escrevi uma vez sobre a importância de quem narra e comenta os jogos de futebol. São eles os "professores primários" da iliteracia desportiva que assola os posteriores comentários ao jogo, sejam eles nas esplanadas, recreios da escola ou mesmo na própria tv, nos habituais e populares programas "desportivos", tipo Dia Seguinte e Prolongamento. Não menosprezem o poder do que diz o Freitas Lobo ou o Pedro Henriques, principalmente no que diz respeito à arbitragem. São eles que, na prática, decidem o que é um lance polémico ou inócuo. Eles e os realizadores da Sporttv/Benfica TV...


Normalmente, a Sporttv escolhe para comentar os jogos do Benfica fora (e a sul do país e ilhas) o seu ex-jogador, Pedro Henriques. É uma experiência engraçada comparar o que diz Pedro Henriques durante os comentários a jogos estrangeiros (Liga espanhola, inglesa, etc) sobre a arbitragem e depois ouvi-lo a comentar os jogos do seu Benfica. Parece o Dr. Jekyll e Mr Hyde, tal é a transformação. A benevolência e compreensão perante os erros dos árbitros espanhóis e ingleses desaparece para dar lugar a constantes críticas impiedosas aos erros dos árbitros portugueses, sobretudo quando prejudicam o Benfica.

Para os jogos do Sporting, a Sporttv 'convoca', normalmente, o João Aroso, ex-preparador do Sporting durante várias temporadas, no tempo de Paulo Bento. Não sei se o Aroso é Sportinguista mas é evidente a preocupação da Sporttv em escolher comentadores mais 'simpáticos' para os clubes grandes. Mas é tão grande a diferença entre uns e outros... Ficou-me na memória os minutos finais do Marítimo 1-0 Benfica, em dezembro passado. A irritação do Pedro Henriques, perante o resultado e a actuação do árbitro... delicioso. :)


Quando o Sporting jogou na Madeira há uma semana e ouvi o João Aroso comentar o flagrante erro arbitral que impediu o Sporting de levar os 3 pontos do estádio do Marítimo, lembrei-me imediatamente do Pedro Henriques e no que diria ele se o Alan Ruiz fosse do Benfica e lhe tivessem anulado aquele golo. Na impossibilidade de essa hipótese alguma vez se tornar realidade, limitei-me a gravar as reações de Pedro Henriques e João Aroso aos lances que, na altura, foram os mais polémicos dos jogos de Benfica e Sporting contra o Marítimo, de modo a comparar a 'isenção' de ambos. São evidentes as diferenças.






As diferenças #2 (ou um vislumbre no #EstadoLampiânico) от Com quem joga o Sporting? на Rutube.







O #EstadoLampiânico é isto: personagens-chave em todos os sectores da nossa vida, dentro e fora do campo, que não têm pudor em transfigurar-se da sua imagem pública neutra e 'isenta', para, na altura certa, tomar partido pelo Benfica, sem que isso lhes traga dissabores ou problemas. Duvido muito que um comentador mais afecto ao Sporting pudesse ter expressões irritadas perante erros dos árbitros como aquelas que Pedro Henriques produz. Primeiro, não teria coragem para expor assim tanto a sua "parcialidade" e, segundo, porque se o fizesse muitas vezes, o mais provável era a Sporttv dispensar os seus serviços logo de seguida.


É também a isto que Bruno de Carvalho se refere, quando fala na falta de militância dos Sportinguistas. O pudor que sentimos em tornar públicas as nossas cores, a incapacidade de moldar a nossa moral em prol do Sporting. O exemplo-mor disso mesmo é Vítor Pereira, sócio cinquentenário do clube e que durante toda a sua carreira preferiu ser visto como alguém "isento" aos olhos dos outros, mesmo que isso tenha implicado, na prática, o prejuízo do Sporting...






P.S. Ontem, no tal lance do Carrillo, foi evidente a dúvida que o lance suscitou ao narrador e comentador da Sporttv (Pedro Henriques, claro) mas, ao final do dia, o ex-jogador do Benfica não teve pejo nenhum em afirmar que era penalty. Mesmo que as imagens pareçam suscitar a dúvida se não foi o Carrillo a lançar-se para cima do jogador do Setúbal. Viva o Benfica, que se foda o resto.


Foi o Carrillo quem forçou a queda em Setúbal! от Com quem joga o Sporting? на Rutube.

30 de janeiro de 2017

22 de janeiro de 2017

Castelo

Há 2 formas de encarar o resultado do jogo de ontem na Madeira. Para quem ainda acreditava no título, é um resultado negativo. Para quem, como eu, já não acreditava no título, o resultado (e a forma como aconteceu) até foi positivo.


O Sporting começou a perder o título em Vila do Conde e Guimarães, não foi em Chaves ou Funchal. E não vou agora bater no ceguinho e explicar por que razão estamos a fazer uma época de merda... já todos sabemos, inclusive o presidente. Como escrevi no penúltimo post, não há milagres, muito menos que envolvam o Sporting. Desde que me lembro de ser Sportinguista e de acompanhar, minimamente, os jogos, só me lembro de dois "milagres": o golo de Miguel Garcia em Alkmaar e a final da Taça de Portugal contra o Braga, há 2 épocas. Mais nada. Ah, e o 5-3 contra os lampiões, para a Taça da Portugal. De resto, espero sempre o pior do Sporting. E não me tenho desiludido...


Para ganhar o título em Portugal, é preciso um bom plantel e "boas" arbitragens. O Sporting não tem ambas. E das duas, só terá hipóteses de ter uma: um bom plantel. Mas mesmo isso está em risco, pois o 3º lugar da Liga deixou de dar acesso à pré-eliminatória da Champions, o que significa que para o ano vamos ter, muito provavelmente, um plantel ainda mais "fraco" que o actual. Pelo menos no papel. Depois na prática, logo se verá. No "papel", Petrovic seria melhor que Palhinha. Na prática... viram o jogo de ontem?




As "boas" arbitragens... Não podemos contar com elas. E quando pior jogamos, piores arbitragens teremos. Já estou farto de o dizer: os árbitros portugueses são medrosos, cheiram melhor que ninguém onde o "poder" está e é para esse lado que melhor apitam. Na época passada estávamos "poderosos" e foi das épocas onde menos senti essa animosidade contra o Sporting. Este ano começámos fracos e os árbitros sentiram-no à distância. Sempre que puderam, malharam no Sporting. É "normal". Por isso é que digo que, para quem já não acreditava no título esta época, o resultado (e arbitragem) de ontem foi o melhor que nos podia ter acontecido.




"Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…"






O que resta ao Sporting esta época é guardar as "pedras" (leia-se, más arbitragens) e, no momento certo, construir um "castelo". Não sei se sabem mas é possível definir, ao minuto, o momento em que o Benfica construiu o seu castelo. E nem sequer tinham tantas pedras como isso... Foi no dia 13 de setembro de 2010, três dias depois de uma derrota em Guimarães, que o #EstadoLampiânico começou a edificar o castelo do "tetra".








São notáveis as semelhanças. Benfica tinha contratado JJ em 2009/10 e foi campeão logo nessa época, confirmando aquilo que tinha prometido quando foi anunciado como treinador dos lampiões. A época seguinte começou de forma terrível, com três derrotas em Agosto. Na 4ª jornada, em Guimarães, o Benfica perde novamente, num jogo arbitrado por Olegário Benquerença. Não sei dizer se nas derrotas de agosto o Benfica tinha algumas razões de queixa das arbitragens mas lembro-me perfeitamente, até porque fiz um vídeo na altura sobre isso, que o Benfica não tinha assim tanto por que se queixar de Olegário... os próprios narradores do jogo na Benfica TV assim o confirmaram na altura. Contudo, isso não impediu de o Benfica reagir - e em força - contra o Conselho de Arbitragem, liderado por Vítor Pereira. Foi um ataque concertado, que envolveu almoços com diretores do jornal A BOLA, e que culminou num anúncio/comunicado público demolidor, talvez sem direito a perguntas dos jornalistas, não sei, de Luís Nazaré, o então presidente da Mesa da Assembleia Geral do Benfica.


 Houve de tudo: apelo aos sócios (e adeptos...) para não irem aos jogos fora; cancelamento de negociação direitos TV (e consequente transmissão dos jogos em casa no próprio canal do clube - o "xeque-mate" ao "sistema" do Porto de Pinto da Costa); ameaça de boicote à Taça da Liga; solicitar uma audiência ao Ministro da Administração Interna; declarar o Secretário de Estado de então, Laurentino Dias, como 'persona non grata'. Absolutamente brutal.


Foi um ataque contundente e que teve resultados absolutamente avassaladores. O "castelo" do Benfica está à vista: antes de desfrutar a reforma dourada no Brasil, Vítor Pereira extinguiu a antiga geração de árbitros, para dar lugar a esta nova vaga de árbitros de "aviário"; o Benfica deixou de vender os direitos transmissão tv à Sporttv e começou a transmitir os seus jogos na sua própria TV, conseguindo com isso definir os horários dos jogos caseiros e ter maior controlo editorial sobre aquilo que é percecionado como "realidade" para os adeptos de futebol em Portugal, no que aos jogos do Benfica em casa diz respeito. É um "poder" enorme, estratosférico. Tetra-campeonato à vista.

Este ano, o Sporting decidiu dar uma oportunidade ao novo presidente do Conselho da Arbitragem (mas cujos árbitros e observadores são os mesmos de outras épocas) e não reagiu quando tinha de reagir. Pós-Guimarães e/ou pós-Luz. Agora é tarde demais. As silver bullets são para ser disparadas no momento certo. Estar a 10 pontos do primeiro lugar não é o momento certo.

A "estrutura" do Sporting é fraca, quase obsoleta mas "isto" que temos vindo a assistir esta época é completamente patético. Damos votos de confiança ao Conselho de Arbitragem, somos roubados na Luz e não reagimos, somos eliminados na Taça da Liga e fazemos 'blackouts' e depois desmentimos, empatamos em Chaves e falamos para a Sporting TV, posts Facebook, entrevistas à CMTV, "bate-bocas" com comentadores... enfim, pior é impossível. Urge recolher as "pedras", guardá-las bem e, no momento certo, começar a construir o "castelo". E se não souberem quando isso é, eu ajudo: à primeira derrota/empate da próxima época, ao mínimo erro arbitral. É por isso que o empate de ontem foi positivo... se estivermos já a pensar na próxima época.

Além daquelas ideias lampiãs de 2010, há outras que o Sporting pode, e deve. adoptar nessa "construção"... um dia, partilhá-las-ei aqui.




16 de janeiro de 2017

A Grande Evasão

A árvore


Esta época está a ser um tremendo fracasso. Mesmo que nos apuremos para a final da Taça de Portugal (a perspectiva de a podermos perder contra os lampiões "tetra-campeões" e vê-los a comemorar uma dobradinha, é assustadora...), esta época já "foi". Só por um milagre é conseguiremos ser campeões. E como todos nós sabemos, no Sporting não há milagres.  No início da época, havia João Pereira, Schelotto, Zeegelaar e Jefferson, como opções reais para as laterais. Em Chaves, jogámos com o Esgaio na direita e Bruno César na esquerda, ambos "terceiras" e irreais opções para o lugar. Não há milagres.

O diagnóstico a esta terrível metade de época já tem vindo a ser feito por muita gente, desde jornalistas, comentadores, adeptos e bloggers. É falacioso apontar uma única razão para "isto". Não é problema exclusivo dos árbitros, dos jogadores, do JJ ou do BdC. É de todos. As falhas cometidas por estes personagens, quando juntas, redundam em oito pontos de atraso para os lampiões, quarto lugar atrás do Braga (se vencerem hoje), eliminação das provas europeias e Taça da Liga. Uma vergonha, tendo em conta aquilo que foi alcançado na época passada e o que nos foi "prometido" para esta época. As contratações, mais uma vez, não foram reforços para a equipa, excepto Bas Dost. Campbell é voluntarioso mas demasiado trapalhão. Alan Ruiz pode ter um pé esquerdo que vale 5 ou 6 milhões de euros mas agonia-me ver aquela falta de vontade de correr, lutar, esforçar-se. Se Bas Dost se lesiona (3x na madeira!), temos como alternativa André e Castaignos. Castaignos... eu, que não me considero um expert em futebol, sabia bem do flop que este tipo foi em Itália, no regresso à Holanda e depois na 2ª divisão (!) alemã. Juro que não compreendo como é que foi possível haver alguém no Sporting que tenha achado que este gajo seria útil. Não compreendo mesmo. É um Pongolle mas mais barato.


JJ é o melhor treinador português mas é o pior manager que o Sporting teve desde Costinha. A forma como o Sporting entra em todos os jogos maravilha-me. As "apostas" de JJ horrorizam-me. Há muito tempo que ambicionava ver a equipa do Sporting entrar em qualquer estádio português - e em muitos europeus...- de forma autoritária, controladora e corajosa, sem medo de impor o seu jogo no meio-campo adversário. O problema é que esse meu deleite se esgota rapidamente, à medida da monotonia que o tal jogo autoritário e corajoso do Sporting se vai transformando num tipo de jogo previsível, inócuo e, pior, inseguro , pois estes jogadores do Sporting não fazem qualquer tipo de pressão alta imediatamente a seguir à perda de bola, o que transforma qualquer bola perdida por nós perto da área contrária, num contra-ataque perigoso para a nossa baliza. O plano inicial de JJ para o jogo do Sporting contempla muita posse de bola, circulação segura da bola e zero oportunidades de golo para a nossa baliza. O problema é que a realidade destrói sempre esse plano: em todos os jogos sofremos golos. E a equipa não está montada, física e mentalmente, para jogar no risco, à procura do "prejuízo". Lembrei-me que Markovic, por exemplo, é um jogador de "contra-ataque", de bola na frente e correr atrás dela. Ora, se o Sporting não joga assim, obviamente Markovic nunca terá sucesso nesta equipa. Não há milagres.

Sobre os árbitros, é chover no molhado. Se eu fosse treinador/presidente do Sporting, treinaria minha equipa para entrar em campo como se estivesse já a perder 1-0. Espanta-me esta constante bonomia dos responsáveis do Sporting perante a arbitragem nos inícios de épocas, como se durante o verão os árbitros tivessem deixado de ser benfiquistas... Eles não mudam. Eles são poucos e vão continuar a ser os mesmos durante mais algum tempo, pois parece que até o limite de idade (45 anos) vão alterar, para os 48 ou 50 anos, tal como se faz em Inglaterra. Sim, o Bruno Paixão ainda só tem 42 anos. #medo

É por isso que me irrita a tal falta de "ganas" com que os jogadores do Sporting enfrentam os jogos da Liga Portuguesa. Eu vi mais "vontade" nos jogadores do Feirense e do Chaves do que nos jogadores do Sporting. É triste mas é verdade, foi o que senti. Jogar melhor não significa ganhar mais. Ganha quem quer ganhar mais. Fazer "aquele" corte de carrinho aos 89 minutos, mesmo que isso signifique foder o joelho e arriscar uma lesão, desde que isso implique negar a oportunidade ao adversário de rematar à nossa baliza, é isso que deve estar em permanente pensamento na cabeça dos jogadores.

Custa-me dizer isto mas eu não vejo esta "vontade" colectiva no Sporting. Olho para a equipa e para os jogos e não consigo deixar de pensar na inveja que Adrien e William devem sentir dos seus colegas de seleção que jogam em Espanha, Alemanha ou Itália, no desconforto de Gelson em ser o jogador que tem o salário mais baixo da equipa ou na dúvida que Coates terá em ficar neste "extravagante" Sporting ou considerar os inúmeros convites que certamente terá de outros clubes europeus (e, quem sabe, portugueses...).




De todos os jogadores com contrato com o Sporting, daquilo que me é dado a ver, ao longo destes anos todos em que acompanho a equipa e os jogadores, apenas UM jogador do Sporting percebe bem a angústia que estamos a atravessar: Francisco Geraldes. É o único que eu tenho quase a certeza que percebe o que se está a passar. Ontem vi a "entrevista" aos capitães do Sporting na Sporting TV e a cara de desânimo dos dois, por este momento terrível do clube (8 pontos dos lampiões e com 14 anos sem títulos), é igual à minha quando não acerto o Placard por um jogo. Queria vê-los fodidos com a situação, irritados, convictos. Gostava de ver capitães do Sporting a chegarem ao fim dos jogos com sangue na camisola, literalmente. Não gosto de ver jogadores serem substituídos ao mínimo toque...

Os capitães têm de dar o exemplo e, daquilo que observo e tendo em conta aquilo que parece que se passou no balneário de Chaves, há problemas reais no balneário porque, ou os responsáveis do Sporting (BdC) não crêem que eles estão a dar tudo o que podem - o que é grave - ou os jogadores julgam que estão a dar tudo o que podem... e se isto é "tudo" aquilo que podem dar, temos problema, porque precisamos de muito, muito mais.

Faltam mais "galinhas pretas" no relvado de Alvalade e menos passarinhos no balneário.





A floresta




Esta época já foi. É importante que os responsáveis do Sporting entendam isso. Não há milagres na Liga tuga. É essencial começar a preparar já a próxima época. E a próxima época tem de ser com BdC e JJ no leme. Olho para o futebol português e imagino-o como um grande campo de prisioneiros da 2ª Guerra mundial. Os soldados alemães são os lampiões (e os árbitros, os portistas, jornalistas...) e os prisioneiros ingleses, os Sportinguistas. Há anos que estamos a tentar fugir da prisão, porque esse é o "dever de todo e qualquer oficial - tentar fugir da prisão e atormentar o inimigo ao máximo", como dizia o capitão Ramsey, interlocutor dos prisioneiros ingleses, ao Coronel Van Luger, no clássico "A grande evasão", de 1963.

Com Dias da Cunha, Soares Franco e Bettencourt, tentámos cumprir as regras e obedecer aos alemães, na esperança de obter dividendos que nunca vieram. Com Godinho Lopes e Pereira Cristóvão deu-se um passo maior que a perna e a atemorização aos árbitros alemães saiu pela culatra. Com BdC e JJ estamos a fazer aquilo que deve ser feito numa prisão: tentar fugir. Estamos, neste momento, a escavar um túnel e que nos levará - oxalá - para fora da prisão, rumo ao título. Imagine-se o absurdo que seria, se, a meio da construção do túnel, com este escavado até poucos metros da rede, houvesse um grupo mínimo de prisioneiros que resolvesse causar uma rebelião junto do grupo, de modo a desistir do túnel e começar, de novo, outra forma de sair da prisão. Todo o tempo despendido na construção do próprio túnel, o tempo gasto em reconhecer o terreno, a confiança ganha para conhecer as rotinas dos guardas, as vulnerabilidades do "sistema"... tudo por água abaixo para começar outro método de "fuga"? E este novo método envolveria ainda mais tempo, porque os "rebeldes" aparentam ter ainda menos capacidades do que os que estão neste momento a escavar. É o que tem acontecido ao Sporting nesta última década. Andamos a tentar novos métodos de fuga sempre que acontece uma adversidade. Não podemos dar-nos ao luxo de começar tudo de novo.

Urge preparar a próxima época, verificar quem está em condições de "escavar" e concretizar a fuga e dizer, cara a cara, aos "inaptos" que não se pode contar com eles, tal como fez o líder de esquadrão, Roger Bartlett, ao falsificador Tenente Colin Blythe, que a meio do tal "clássico" de 1963, perde quase totalmente a visão e torna-se um risco para a missão. Por amor de Deus, o Octávio Machado ganhou estatuto no futebol português porque andava durante a semana, às tantas da manhã a controlar os jogadores do Porto, de modo a obrigá-los a cumprir os planos de treino! Ninguém me consegue convencer da utilidade de Octávio no actual Sporting. O Sporting não se pode dar ao luxo de desperdiçar recursos. Cortar no que seja possível cortar (incluindo jogadores!) e apenas trazer para o Sporting quem é, de facto, mais-valias.


Todos os presidentes cometem erros. Desde Luís Filipe Vieira a Florentino Pérez. Por muito mal que esta época termine e se não surgir uma oposição verdadeiramente superior à actual direção, é essencial que BdC continue. E JJ também. Não vislumbro outra solução sem ser continuar a escavar.






O túnel de "A Grande Evasão"

10 de janeiro de 2017

Como Jorge Mendes fodia o Sporting (de Paulo Bento e Soares Franco)

No Twitter, apanhei há minutos um tweet de um jornalista português (ou luso-francês), Nicolas Vilas, que trabalha para um canal desportivo francês, o SFR Sport. Era um vídeo de um programa onde o entrevistado aparentava ser Selim Benachour, ex-Vitória Guimarães, e onde se falava de Jorge Mendes, comissões, Ilhas Caimão e Sporting. Perguntei se alguém sabia francês e um adepto Sportinguista residente em França, traduziu, o @Raffaellopes__ (obrigado!).

Agoniem-se:










Més que un Estat

O #EstadoLampiânico não se resume apenas aquilo que vemos nos campos de futebol.

Já o sigo há bastante tempo no Twitter e tenho o blog nos meus favoritos mas admito que não sou leitor assíduo, até porque o blog é demasiado "táctico". Refiro-me ao blog "Lateral Esquerdo", escrito por um treinador de futebol, Pedro Bouças. Como disse, não sigo muito o blog e não tenho nada positivo ou negativo a dizer sobre o próprio blog e o seu autor. Refiro apenas que nas redes sociais, o blog (e o seu autor) sempre teve uma aura de "blog de culto", e  vi-o ser muitas vezes referido e partilhado no Twitter.

Há umas semanas, lembro-me de ter visto referências ao facto de o autor do blog ter sido convidado para participar na Benfica TV, julgo - pelo que li no Twitter - a convite de um "militante" lampião, o JG1904, mais um daqueles filhos de Sportinguistas e que o Complexo de Édipo ajuda a explicar o seu ódio ao Sporting (e a chegada de Bruno de Carvalho à presidência do Sporting também explica, claro). Bom, li que tinha ido à Benfica TV e tal, não pensei muito no assunto. Para dizer a verdade, sempre que li o blog, julguei sempre tratar-se de algo mais pró-verde do que pró-Benfica mas é apenas uma suposição. Se for o contrário, atesta bem a isenção do autor. 

Mas é seguinte que quero fazer notar: como disse, já acompanho o blog há já algum tempo, sempre foi um blog "semi-obscuro", apenas para tipos que gostam de tácticas e não sei quê - não é um blog de "massas" - , mas tenho a certeza de que os jornalistas desportivos deste país, pelo menos a maior parte, conheciam o blog. Vi algumas vezes jornalistas a partilharem posts do blog. Bom, após o tal convite à Benfica TV (nem sei se continua a lá ir), reparo numa reportagem no jornal A BOLA, há umas semanas, onde o autor do "Lateral Esquerdo" é convidado a dar uns bitaites sobre o Manchester United, creio. É verdade que já não costumo ler A BOLA com tanta atenção como o fazia anteriormente mas não me lembro de o ter visto o Pedro Bouças escrever por lá... E hoje reparo que o site do Record (não sei se também terá espaço em "papel") também já tem uma secção do Lateral Esquerdo, escrito pelo próprio Pedro Bouças.


Como disse, nada contra o Pedro Bouças, absolutamente nada. Que fique bem claro. Apenas quero constatar que é engraçado ver que os jornais desportivos só se interessaram pelo Lateral Esquerdo após a "benção" da Benfica TV. A minha área não são os meios de comunicação social nem nunca tive interesse pessoal no assunto (só me interesso por causa do Sporting) mas se eu fosse um recém licenciado na área, sei bem qual seria a primeira coisa que colocaria no curriculum vitae: "benfiquista". Aposto que foi isso que escreveram (na verdade, acho que nem precisaram) os tipos do Azar do Krajl e do Insónias em Carvão para começarem a colaborar no Expresso e Record, respectivamente.

Estamos em plena era dourada (ou vermelha...) daquilo que eu gosto de chamar "A Banalidade do Lampionismo". É normal os jornalistas, cronistas, colaboradores ou diretores serem lampiões. Ou árbitros.








BÓNUS:

Hoje reparei num tweet do vice-diretor do Record, o Nuno Farinha, onde ele criticava os Sportinguistas por se terem queixado do lance que deu origem ao golo do Feirense.







No meu leitor de RSS feeds do pc, é relativamente fácil pesquisar os últimos tweets de qualquer user do Twitter que lá adicione. Perdi cerca de 5 minutos e encontrei, apenas relativo aos últimos dois ou três meses, os seguintes tweets do Nuno Farinha a criticar árbitros e a arbitragem em geral, quase sempre relacionado com o futebol espanhol. Isto é a hipocrisia dos jornalistas lampiões de hoje. Não aceitam críticas aos árbitros e à arbitragem portuguesa mas, no fundo, eles são iguais a nós... aliás, são piores, porque também são fanáticos e, ao mesmo tempo, jornalistas, com capacidade de influenciar opiniões. O verdadeiro #EstadoLampiânico.


9 de janeiro de 2017

4 de janeiro de 2017

Sporting, Sporting...

O penalty. Quando o tipo que sofre a falta diz na flash-interview que sentiu "um toque nas costas" e logo a seguir o treinador diz que o jogador sofreu "um toque na perna", está tudo dito. Em caso de dúvida, penalty contra o Sporting. A minha opinião? Há um toque no jogador - o futebol é um jogo de contacto - mas insuficiente para fazê-lo cair. Edinho aproveitou para se deixar cair. Contra o Benfica, nunca seria marcado penalty. Não haveria coragem para tal.

A confusão. Acho inacreditável a falta de controlo emocional de TODA a gente do Sporting. TODA. Acho que até o Paulinho foi se meter na confusão. Ora, isto não era a final da Liga dos Campeões, nem sequer era a final da Taça da Liga Lucílio. Esta merda de competição não merecia (e enquanto escrevo isto, não sei se alguém foi expulso ou não) que houvesse jogadores do Sporting expulsos pós-jogo por protestos ou algo pior. Foi notória a incapacidade do William para exercer aquilo que braçadeira lhe confere: autoridade. Enquanto Coates e Jefferson corriam o risco de espetar uma cabeçada no árbitro e perderem uma série de jogos para a Liga, William estava sozinho na área, sorrindo para cena, impávido e sereno... Enfim, o problema deve ser meu.

André "Balada". Inacreditável como este gajo falhou dois golos em um minuto. Disse-o em voz alta "Vamos lá ver se estes golos não nos vão fazer falta...". E fizeram. Inacreditável a quantidade de merda que contratámos esta época: André, Markovic, Castaignos, Alan Ruiz... só merda. Se Bas Dost ou Gelson se lesionam, vai ser bonito.

O jogo. Ver um jogo do Sporting começa a ser enfadonho. Começa sempre com a equipa do Sporting a ter mais posse de bola, a trocá-la infinitamente no meio-campo, à espera de uma oportunidade para rematar, e quando esta surge, fazer um remate de merda ou mandar a bola ao poste. Na primeira oportunidade que o adversário tem junto à nossa baliza, pimba, faz golo. Começa a segunda parte e ao primeiro sinal de anti-jogo por parte do adversário, "click", e os jogadores do Sporting lembram-se de quem têm de vestir o fato-macaco, ganhar humildade e começar a correr, a sério, para conseguirem ganhar a merda do jogo ou, pelo menos, marcar um golo. Tem sido, sistematicamente, esta merda. Punhetas na bola, punhetas na bola e ninguém a mete dentro da baliza.

A política. Estamos a ser "comidos de cebolada" à força toda, fora e dentro do campo*. Aparte do lance do penalty, foi evidente, mais uma vez, a falta de critério da equipa de arbitragem... foras de jogo mal assinalados, cantos tornados em pontapés de baliza, faltas não assinaladas, enfim, o normal. Isto um dia depois de Bruno de Carvalho ter vindo, mais uma vez, depositar confiança no novo Conselho de Arbitragem, que está em "mudança", vamos dar tempo, blá, blá, blá. Não sei se o tal puto, filho do CA, está no Sporting por "charme" ou coisa que o valha, não sei o que o CA "prometeu" ao Sporting, não sei nada; o que sei é que, dentro do campo, as coisas não mudaram. É normal os clubes perderem jogos com queixas da arbitragem.Acontece em todo o lado. Anormal é haver um clube que não se queixa há anos: Benfica.Mas isto já era evidente desde o jogo com os lampiões e era aí, logo, que se exigia um murro na mesa. Creio que já é tarde demais mas, foda-se, acordem, caralho! Blackouts (acabou-se as entrevistas do Coates à A BOLA e de BdC à CMTV!) conferências pré-jogos exclusivo Sporting TV, atrasos e respostas monossilábicas nas flash-interview obrigatórias (e em TODAS as modalidades), comunicados curtos e grossos (por favor, posts no Facebook, não!) denunciando o que há a denunciar e "siege mentality" a instalar, já, em Alvalade, até ao final da época.


O futuro. Esta época já foi, o título está entregue. Só peço duas coisas até final da época: o 2º lugar e a contratação definitiva de Coates.




*Quando tinha acabado de escrever isto, vi o seguinte vídeo partilhado pela net, supostamente gravado pelo lampião Fábio Cardoso (que cometeu uma falta flagrante sobre Gelson que nem o árbitro nem o fiscal de linha assinalaram...) e que demonstra o respeito que nos têm. Eu sei o que faria se fosse presidente do Sporting.

Entrevista de Coates à merda d'A BOLA













Juro que não percebo porque razão o Sporting autoriza este tipo de entrevistas "exclusivas" à A BOLA. Bem sei que ainda ontem escrevi que o Adrien, por exemplo, devia dar uma entrevista "táctica", de murro na mesa, apontando o dedo ao #EstadoLampiânico e direcionada à cúpula do nosso futebol (FPF, LPFP, etc) mas este tipo de entrevistas "positivas", para adepto ler, podem muito bem ser dadas ao jornal do clube. Não percebo a necessidade de fornecer este tipo de material à merda d'A BOLA. A BOLA das entrevistas tradicionais de início de ano ao presidente do Benfica. Percebo a necessidade quid pro quo com alguns meios de comunicação social mas não chega já a relação com o Record? É preciso darmos a pérolas ao jornal mais lampião que há? Ainda por cima para o uruguaio vir pôr em dúvida aquilo que o presidente tinha garantido um dia antes (contratação definitiva do jogador) na entrevista ao Record? Foda-se.

3 de janeiro de 2017

Militar

O último grande tema de conversa lançado por Bruno de Carvalho no seio dos Sportinguistas é, precisamente, a falta de militância destes. BdC referia-se, concretamente, à falta de coragem de Sportinguistas em posições de relevo social (empresários, presidentes câmara, deputados, jornalistas, etc) assumirem-se como tal e ajudarem o Sporting em ocasiões em que essa "militância" seja necessária. BdC tem toda a razão. Ao tempo que isso é evidente e ao tempo que falo nisso. Vivemos num #EstadoLampiânico, seja na economia, no jornalismo, na justiça, em todo o lado... O peso específico do Sporting, fora dos relvados de futebol, é pouco mais que zero.  Como é que se mede o #EstadoLampiânico? Mede-se por cada camisola vestida por um pai de família às compras num domingo de manhã no hipermercado, por cada blog com "Benfica" no nome ou por cada cantiga infantil "avermelhada" que é cantada num qualquer jardim de infância português. Ou por cada perdão fiscal dado ao Benfica ou por cada árbitro nacional assumidamente benfiquista... Perceberam a ideia. Eles são muitos e estão em todo o lado.

O Sportinguista é o mais militante dos adeptos portugueses... ao fim de semana. Durante a semana, a militância doença pertence aos lampiões. Duas palavras: Pedro Guerra.

Como disse, concordo completamente com BdC quando diz que há falta de "militância" nos Sportinguistas. Voltou a dizê-lo ontem e hoje, na entrevista que deu ao Record. Nessa longa entrevista, BdC foi mais longe e disse quem são os Sportinguistas que mais falta de "militância" a demonstrar actualmente: os jogadores. Quando escrevi um post a denunciar aquilo que eu achava que era uma falta de "vontade de ganhar" dos jogadores do Sporting, comparado com aquilo que se vê em Porto e Benfica (jogar bem e melhor do que os outros nem sempre chega para vencer), estava longe de imaginar que o presidente do Sporting também acha o mesmo. Não acreditam? É ler a mensagem, nada subliminar, de BdC.



"(...) É lógico que não podemos retirar a responsabilidade dos jogadores. Estamos a falar de pessoas que ganham muito dinheiro e que têm de ser altamente profissionais."


"(...) Se o Sporting não tivesse tido o azar descomunal que teve na Polónia [pára de falar]... Bem... uma das músicas que mais gostei da Seleção portuguesa foi uma que era 'quero mais, quero mais'

"- Menos ais, menos ais. Queremos muito mais"...

Exatamente! Sempre gostei dessa música [Hino da Galp, 'Quero Mais', de 2004] e não quero ser eu a fazer isso no Sporting. O raciocínio tem de ser esse. Deixar a coisa do azar, do árbitro e afins. Temos de conseguir resultados. Ponto!"

"(...) Com o Jorge Jesus, os jogadores têm de estar muito bem preparados para mudar o que sabem e reaprenderem um pouco, isto tudo sem perderem as suas características individuais e criatividade. Têm de saber mudar o 'chip' (...) Mas o que eu gostava enquanto presidente do Sporting é que os adeptos continuem a acreditar naquilo que foi ouvido no final do mercado. Que, de facto, temos o melhor plantel dos últimos tempos."

"Está no lote dos atletas mais bem pagos do Sporting, por isso também não podemos olhar para o Adrien e pensar: 'Coitado, está a passar por uma situação terrífica'."






Obviamente, BdC nunca poderia vir a público dizer que os jogadores do Sporting são pouco "militantes" ou que é por causa deles que estamos a oito pontos do Benfica mas é evidente, pelo menos para mim, que BdC acha que sim. O que é bom, pois é sinal que não enfiámos a cabeça na areia e que se percebe onde está o Sporting a falhar. Os jogadores do Sporting têm de ser os primeiros a "militar" e a sensação com que eu fico, por vezes, é que não se fez tudo o que estava ao seu alcance para ganhar - e não me refiro exclusivamente ao que fazem dentro de campo. Por exemplo, faz algum sentido que tenha de ser Bas Dost a vir falar dos árbitros? Atenção, acho muito bem que o diga mas não pode ser só ele... Que peso teria se um dos 3 campeões europeus do Sporting desse uma longa entrevista a meio de comunicação social "peso-pesado" (A BOLA, Record, RTP, SIC, por ex) e mencionasse que se sente descriminado pelos árbitros portugueses ou que, pelo menos, não percebia a diferença de tratamento disciplinar, em relação a outros clubes? Uma coisa é dizer numa flash-interview que fomos prejudicados num jogo; outra é, a meio da semana, apontar o dedo ao #EstadoLampiânico. Podia explicar aos portugueses o que sentiu quando foi expulso em Alvalade na época passada, por exemplo.

Se Adrien ou outro qualquer jogador, por sua própria iniciativa, não sente vontade ou necessidade de o vir fazer, alguém do Sporting tinha obrigação de fazer entender aos jogadores quão importante é "militarem" em prol do Sporting, dentro e fora do campo. Não pode ser sempre o presidente a fazê-lo.*






*Tenho pena que JJ não se tenha também envolvido mais na denúncia do #EstadoLampiânico. Muita pena.