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17 de outubro de 2014

Mais fortes

Era p'ra fazer também do jornal Record mas dava muito trabalho.


O Sporting ser roubado no Dragão é tão banal como um turista francês ser roubado no eléctrico 28.


O Sporting, quando ia jogar ao Dragão, ia mesmo como se fosse um turista qualquer, rumo ao desconhecido, como se fosse lá jogar pela primeira vez. "Ah, tão bonito, deixa cá virar costas enquanto o steward me espanca as costas" e... tau! Penalty contra o Sporting. Porquê? Porque sim. 1-0. "Ah, mas o Porto é tão bonito! Tão tradicional e moderno ao mesmo tempo!"... Pimba! 2-0! Como? De penalty. Porquê? Porque o Jorge Sousa, um árbitro que conhece bem a casa, viu um jogador do Sporting a cair e a bola bater-lhe no braço.

Ahh... Fui "bandarilhado" (pelo Pinto da Costa), chorava o Godinho Lopes no final desse Porto 2-0 Sporting de 2011/12.


Não tenho ilusões. Vai ser muito difícil ir jogar amanhã ao Dragão e sair de lá com a carteira ainda no bolso, quanto mais com a máquina fotográfica, carregada de fotos dos fruteiros a vociferar contra o árbitro da casa que não conseguiu impedir que o Sporting saísse de lá com os três pontos. Muito, muito difícil.

Vai ser difícil ganhar no Dragão mas tenho a certeza de uma coisa. É que, no final do jogo, o nosso presidente não sairá de lá "bandarilhado" coisa alguma. Bruno de Carvalho, das duas, uma, ou vai sair do Dragão em ombros ou com uma espada enfiado no cachaço, sendo que ambas as opções são mais dignas do que a anterior.

A imagem que coloquei acima diz respeito apenas às edições de 5 a 16 de Outubro do jornal A Bola, ou seja, uma semana e meia, sensivelmente. Durante esses dias apenas se falou sobre duas coisas: seleção e Bruno de Carvalho.

Não se falou de tácticas, do Sarr, do Mané, do Maurício, do Montero, do Slimani, do Marco Silva, do João Mário, do André Martins, do Jonathan, do Jefferson, do William, do Arsenal, do Shikabala, nada. Só Bruno. Ok, talvez se tenha falado um pouco do Shikabala mas, por exemplo, se compararmos com a polémica que foi como quando o Bojinov falhou aquele penalty (e que implicou a sua saída do Sporting...), apercebemos-nos bem da capacidade de "encaixe" do actual presidente do Sporting.

Bruno de Carvalho já "encaixou" mais neste ano e meio de presidência do que os presidentes "croquettistas" todos juntos. E aquilo que não nos mata, torna-nos mais fortes.

Qualquer que seja o resultado de amanhã, não tenho dúvidas: o Sporting sairá mais forte do Dragão.

2 de fevereiro de 2014

Mais sereno que uma estátua da Ilha da Páscoa

No episódio “Remember When” dos Sopranos (temporada 6, episódio 15), Junior Soprano, o homem a quem Tony Soprano tinha mais respeito que ao próprio pai, é colocado num asylum, isto é, numa casa para velhotes com Alzheimer e coisas parecidas, e das primeiras coisas que faz quando lá chega é organizar um jogo de poker usando botões de camisas brancos e vermelhos como chips, vendendo coca-colas e barras de chocolates aos participantes da jogatana (doentes psicóticos, sofredores de alzheimer, esquizofrénicos, etc) . Resquícios da sua vida de mafioso.

O Porto é o Junior dos Sopranos.  Mesmo depois de Apitos Dourados, fruta, cafézinhos, viagens ao Brasil, foguetes no estádio e cenas parecidas, a tentação de começar um jogo decisivo da "Taça da Cerveja" três minutos depois de a partida do adversário directo se ter iniciado é maior do que a vontade de um ex-alcoólico russo em beber um shot de vodka na festa de aniversário do irmão. Está-lhes no sangue.

Por outro lado, dá para aferir da reputação e credibilidade que o Porto, apesar de dezenas e dezenas de títulos alcançados nos últimos anos, conseguiu granjear. Três míseros minutos de atraso e ninguém, Sportinguistas, Benfiquistas e mesmo alguns Portistas (o próprio Paulo Fonseca admitiu que no Porto não há “anjinhos”…) consegue evitar pensar que houve algum tipo de marosca, tramóia, trafulhice, chico-espertice ou… dolo no infame atraso da equipa do Porto. Semeiam ventos, colhem tempestades. Mesmo que em copos d'água.

Entretanto, contratámos o Cristiano Ronaldo do Egipto e o Nani de Cabo Verde. Hum, espera. Ok. Siga. Para vir o o Heldon, ‘tá na cara que um dos extremos – Capel, Wilson Eduardo, Carrillo ou Mané - ‘tá de malas aviadas para fora de Alvalade. Aceitam-se apostas. Pode ser em pesetas.

A grande questão é saber como é que o Shikabala (o melhor nome de sempre de um jogador de futebol) e o Heldon se vão incorporar na máquina oleada que o Jardim montou. Será que vamos assistir a um episódio dos Simpsons em que chega um novo puto à escola primária de Springfield e que ameaça roubar as gargalhadas que os colegas anteriormente dedicavam às partidas do Bart Simpson ou, ao invés, assistiremos a uma assimilação do egípcio junto do grupo leonino tão suave como a integração da Fanny numa festa no Elefante Branco? Se o Shikabala tivesse assinado pelo Sporting em 2013, teria razões para duvidar do seu sucesso em Alvalade. Mas ele assinou em 2014.

Isto para dizer que confio em Jardim. Jardim é aquele tipo de pessoa que qualquer ex-combatente do Ultramar quereria ter como seu Furriel numa noite quente de Janeiro de 1972, no Cafunfo, norte de Angola, enquanto se ouvia gritos de “Morte ao branco!” a ecoar na escuridão da floresta. Confio na sua serenidade. O homem é mais sereno que uma estátua da Ilha da Páscoa.

Viram ali o olho a piscar?? :)



Gostei muito de ouvir ontem, tanto o Paulo Fonseca como o Jorge Jesus, no final dos seus jogos no Funchal e Barcelos, respectivamente, a queixarem-se do “estado do relvado”. Aposto que o Joaquim Rita também achou piada. Ou não.