19 de maio de 2016

Dr. Smith

Li há pouco tempo uma notícia sobre um médico inglês chamado Dr. Richard Smith que afirmou, numa "tese" bastante polémica, que a melhor forma de morrer seria ser vítima de cancro. Sim, de cancro. Dizia ele que, ao sabermos que temos uma data marcada para a morte, "Podemos dizer adeus, reflectir sobre a nossa vida, deixar últimas mensagens, talvez até visitar pela última vez sítios especiais, ouvir a nossa música favorita, ler poemas que nos marcaram, e preparar, de acordo com a crença de cada um, o encontro com o nosso criador ou desfrutar o esquecimento eterno".

Não sei bem quando foi que senti o primeiro sintoma. Se foi no empate com o Tondela, com o Vitória de Guimarães ou até mesmo em Dezembro, na derrota na Madeira. Sei é que quando perdemos com os lampiões, sabia, definitivamente, que algo estava mal e que esta época não ia terminar bem. Feeling de hipocondríaco sportinguista.

Ah, acrescentava ainda o Dr. Smith reconhecendo que isto é "uma visão romântica de morrer, mas é alcançável com amor, morfina, e uísque" - foi mais ou menos assim que eu fui suportando estas jornadas finais do campeonato.

Apesar do tom um bocado mórbido do post até agora, devo dizer que a ideia geral que quero deixar no final é bastante optimista.


Lembrei-me deste médico e da sua teoria depois de me ter lembrado de outra coisa: daquele épico final de temporada do terceiro ou quarto ano do Benfica de JJ, quando perderam título, Liga Europa e Taça de Portugal em três semanas. Aquilo foi um acidente automóvel-ferroviário-aviação, tudo junto. Um choque tremendo. O maior desastre futebolístico de um clube português, que eu me lembre.

E no entanto, mesmo após tamanho cataclismo e sem muito tempo para pensar, Luís Filipe Vieira tomou a opção menos provável de todas e a que se provou mais acertada: manteve Jorge Jesus como treinador e venceu os dois campeonatos seguintes. Chapeau para o Orelhas.




Gosto do tipo no canto superior esquerdo. "Filho da puta" três vezes seguidas. :)




 Ora, se há coisa maravilhosa no futebol é que este, ao contrário da nossa mundana existência na terra, nunca acaba. Mal um campeonato "morre", nasce outro logo a seguir. O Benfica que o diga, pois depois dessa "tripla morte", é agora o actual "tricampeão" português. O futebol é mesmo do caralho... E no Sporting, malgrado esta época ter terminado da forma mais miserável possível - ser o primeiro dos últimos -, a "morte" desta época teve ao menos o condão de nos ter dado tempo para "reflectir sobre a nossa vida", "deixar últimas mensagens" e "preparar o encontro com o nosso criador ou desfrutar o esquecimento eterno". E avaliando pelas decisões tomadas imediatamente após a conclusão do campeonato, não tenho dúvidas de que este Sporting acredita na reencarnação e que, na próxima época, estaremos vivos novamente e a lutar pelo campeonato outra vez. Ah, e pró ano não há Vítor Pereira no Conselho de Arbitragem. Só posso estar optimista.


















1 comentário:

escritor de pacotilha disse...

Entretanto está lá um tipo falecido, justamente por cancro.

Não alinho naquela de que na morte todos os homens são santos. Enquanto árbtiro, Paraty prejudicou o Sporting inúmeras vezes, por incúria, vontade ou incapacidade, e beneficiou muitas vezes o Benfica. Não me esqueço. Não fiz minuto de silêncio porque um homem, como diz Ortega y Gasset, é o homem e as suas circunstâncias. Do Paraty casado e pai de filhos não se pode dissociar o Paraty árbitro ladrão.