6 de fevereiro de 2014

Ovelha negra?

O árbitro do derby irá ser o madeirense Marco Ferreira, tal como tinha previsto, no dia 21 de janeiro, neste post, quando escrevi:

"Btw, o árbitro do Benfica - Sporting vai ser o tipo da Madeira, Marco Ferreira. Será tão condicionado por ser conterrâneo de Leonardo Jardim nos dias anteriores ao jogo por ser madeirense, que acabará por tentar fazer tudo para demonstrar que não se deixa condicionar, mesmo que implique prejudicar o Sporting. Vai uma aposta?"


Vamos ver se esta cepa de homens madeirenses que têm saído para o nosso futebol (Cristiano Ronaldo, Leonel Pontes, Leonardo Jardim) mantém a qualidade a que estamos habituados ou se, pelo contrário, vamos encontrar a "ovelha negra" do futebol madeirense, a excepção que confirma a regra...


Que pesará mais na consciência de Marco Ferreira? Deixar mal alguns milhares de madeirenses ou milhões de benfiquistas?

“Prudência no ataque e na defesa"

Yep, é mesmo uma Taça Monumental



Sábado, 24 de Abril de 1948. (…) Eram 19.30 e Mestre Cândido ainda não entrara na sala onde, sobre uma mesa, estava o tabuleiro e respetivos bonecos destinados à lição de táctica a empregar no jogo do dia imediato. Tratava-se de um “Benfica-Sporting”, decidindo-se nesse encontro, não só o título de Campeão Nacional da época 1947/48, como ainda o Sporting poder conquistar, definitivamente, a Taça Monumental de “O Século”*. A importância do jogo tornava indispensável o emprego de uma táctica maduramente estudada e ponderada. (…)



Domingo, 25 de Abril de 1948. Na cabine do campo do Benfica, meia hora antes do jogo, toda a equipa estava pronta. Tenho uma ideia tão clara e precisa do tudo o que se passou que me parece estar a ouvir, neste momento, Mestre Cândido de Oliveira, dizendo-nos:  

   - Vamos ter uma partida até certo ponto difícil. O Benfica entra em campo com a vantagem de duas bolas; praticamente a ganhar por 2-0. Contudo, se cada um se compenetrar da sua tarefa e realizar como sabe e pode, confio na vitória que nos sirva para ganhar o campeonato e a Taça de “O Século”.

E Mestre Cândido iniciou a lição:

  - Muito cuidado na defesa, porque todos sabemos que o Benfica vai entrar a todo o gás, procurando, nos primeiros minutos, aumentar a vantagem. Não podemos consentir que tal se dê. O Travassos auxiliará a defesa, pelo que jogará ligeiramente recuado. Procurará lançar os seus companheiros da frente com passes longos, de preferência aos extremos. Assim que a nossa linha da frente perca a bola em favor do adversário, o Travassos entrará, imediatamente, a defender. O Vasques auxiliará a defesa mas terá de estar ao ataque sempre que a bola esteja no campo adversário. Assim, teremos à frente quatro avançados em luta constante com a defesa do Benfica.

  - E tu, Moreira, não largarás nunca o Julinho. Onde ele estiver estarás tu. O Julinho não poderá ganhar nenhum lance; tu não deixarás. Antecipa-te sempre. Não o largues.
  - Os médios não largarão os meia-ponta contrários, quando estes vierem para o nosso campo. Por outro lado, os nossos meia-ponta não poderão deixar em liberdade os médios do Benfica, quando sofrermos um ataque, mas quando formos nós a atacar acompanhem a linha da frente, mas não se esqueçam que o adversário poderá contra-atacar rapidamente. Cautela, portanto.
  - Vocês, os avançados, procurem fazer um ou dois golos o mais rapidamente possível.
  - Estou em crer que mesmo sem a colaboração 100% do Travassos, vocês quatro conseguirão vencer a defesa do Benfica.
  - Assim que estivermos em igualdade, quer dizer, se tivermos a sorte de fazer dois golos e eles nenhum, então, em igualdade, vamos jogar – embora com toda a cautela na defesa – o nosso jogo de ataque em forma.
  - Quero dizer-lhes, com toda a sinceridade, que estou absolutamente convencido de que ganharemos o encontro pela margem necessária. Se cada um cumprir, cabalmente, a sua tarefa, o campeonato será nosso”.

Claro está que outros pormenores foram, também, estudados, mas referi-los agora seria maçador. (…) A táctica adoptada pode sintetizar-se nesta frase: “Prudência no ataque e na defesa”. Ponto culminante a atingir: três golos sem resposta.

O sistema de jogo aconselhável devia assentar numa defesa e num ataque prudentes e cautelosos. Uma vez cortado o ímpeto inicial da equipa adversária e conseguidos os golos que nos dessem a igualdade (dois), então seria de boa visão forçar o ataque, procurando explorar a natural perturbação do adversário.

O leitor poderá fazer esta pergunta: E se o Benfica tivesse feito um golo antes de o Sporting o conseguir, como jogaria a equipa “leonina” desse momento em diante? Tentarei responder:

Mesmo que essa hipótese se verificasse, o Sporting não abandonaria o sistema inicial – pelo menos no decorrer da primeira parte. Tentaria organizar-se na defesa, se fosse possível melhor ainda do que até aí, para refrear o golpe de força que esse golo daria ao adversário. Pois não era de esperar que a equipa do Benfica, em tais circunstâncias, se lançaria ao ataque com redobrado ímpeto? Logo, para evitarmos um desastre, os cuidados na defesa deviam ser redobrados. Seria loucura a equipa do Sporting – ou qualquer outra em situação idêntica – lançar-se deliberadamente ao ataque. Sucumbiria inevitavelmente!

A equipa do Sporting (refiro-me à daquele tempo) não cometeria tal erro, nem o técnico responsável nos aconselharia semelhante processo de jogo. Os jogadores não tinham cabeça só… para usar chapéu!

Admitindo, contudo, que o Benfica, nesse jogo, tivesse conseguido uma vantagem de três bolas nos 45 minutos iniciais, na segunda parte, então, o caso mudaria de figura. De resto, esta hipótese foi prevista por Mestre Cândido de Oliveira. Nada andou – nem andava nesse tempo! – ao sabor das ondas…
Na segunda parte, dizia, a equipa do Sporting empregaria táctica diferente e faria como diz o Povo: “perdido por um, perdido por mil” e jogaríamos assim: médios e avançados, uma vez de posse de bola, atacariam em massa, em fúria. Quando surgisse o contra-ataque, os interiores e médios a defender com unhas e dentes, em marcação cerrada, com a ajuda dos três companheiros de defesa. Por nossa vez procuraríamos, também, contra-atacar rapidamente, de modo a aproveitarmos possíveis brechas no sistema defensivo do Benfica, provocadas pela fúria do seu ataque.

É evidente que esta táctica só é possível impor a um conjunto possuidor de extraordinária preparação física e que na cabeça dos jogadores haja massa cinzenta… utilizável. Não me afasto da verdade afirmando que a equipa do Sporting, nesse tempo, possuía as duas coisas: perna e cérebro. Deixemos o campo das hipóteses e voltemos à realidade do encontro disputado em 25 de Abril de 1948. O Sporting bateu o Benfica por 4-1, ganhando o título de Campeão Nacional e ficou, definitivamente, detentor da Taça Monumental de “O Século”!


*Troféu instituído pelo jornal O Século em 1938, a propósito do cinquentenário da introdução do futebol em Portugal (em 1888), e que premiava a primeira equipa a conseguir três títulos nacionais consecutivos ou cinco alternados, ou caso não se registasse nenhuma das situações, quem fosse campeão nacional no 10º ano da sua disputa, o que veio a acontecer em 1949, ano do primeiro tricampeonato leonino.


in Memórias de Peyroteo - A autobiografia do maior goleador do futebol português, págs 118, 119, 120, 121 e 122.


4 de fevereiro de 2014

Jefferson

A propósito de um comentário de um leitor anónimo neste post, lembrei-me de rever o lance da lesão do Jefferson e que lhe deixou o tornozelo neste estado:


"Boletim clínico: Contraiu uma entorse grave no tornozelo esquerdo. Encontra-se em tratamento." in Sporting.pt


O .gif:


Nem falta foi, quanto mais levar cartão. Futebol Português!! \m/

(a imagem é "pesada" - 4mb - e demora um pouco a carregar. :P)

3 de fevereiro de 2014

Giríssimo

He's done it again.

Depois do jogo de Arouca, a televisão pública brinda-nos mais uma vez com um resumo adulterado do jogo do Sporting, desta vez contra a Académica. Mas os outros protagonistas continuam os mesmos: Sporttv, RTP e o seu jornalista, Alexandre Albuquerque.

A meio da peça "jornalística" (aos 23m), assinada pelo Alexandre, sai isto:

""A primeira parte fecha com um lance controverso. Fernando Alexandre é agarrado na área por Adrien Silva. O árbitro Paulo Baptista mandou seguir."

Reparem na peremptoriedade de Alexandre: "Fernando Alexandre é agarrado na área por Adrien Silva."

E reparemos no vídeo que a RTP utiliza para demonstrar o lance:




E, de facto, esclareceu bastante os espectadores da televisão pública... principalmente aqueles que queriam saber as horas e o estado do trânsito na VCI do Porto.

E no Jornal da Tarde também não foi muito melhor, excepto para sabermos se a senhora da linguagem gestual puxou alguém com o braço:





Vejamos agora uma repetição que a Sporttv transmitiu, despercebidamente, durante o intervalo do jogo e que não foi mais vista em qualquer outro resumo do jogo nos mais diversos canais de televisão nacionais.





Acho que é evidente, logo no início da jogada, o puxão... do Fernando ao Adrien.




E pronto, é isto todas as semanas. Já não basta nos roubarem no campo, temos ainda de levar com a ideia generalizada e propagandeada por esta imprensa quadrúpede de que o Sporting foi beneficiado, quando na verdade, formos prejudicados.


Bom, resta-me ao menos agradecer ao Alexandre Albuquerque e à RTP/Sporttv o facto de, graças aos seus resumos dos jogos do Sporting, conseguir agora perceber o que sentem as mulheres que são violadas e que depois lhes dizem que o foram por culpa própria, por usarem mini-saia e pintarem os lábios.

E as estas lições de sexualidade vindas do jornalista desportivo que acha o David Beckham "giríssimo" tem a sua piada... (Queria colocar aqui o link para o vídeo Youtube onde se ouve o gajo dizer isso em directo, durante um jogo Man Utd - Benfica, mas não encontrei! Juro que foi verdade. Pelo menos este tipo que comentou num blog em 2011 também se lembra - enganou-se foi no canal, não foi na Sporttv, foi mesmo na RTP)


E na tal contagem de espingardas para o derby, já nem vale a pena perder tempo com isso... Sem William, Jefferson e com a onda vermelha "apaixonada" bem viva, como se viu em Barcelos, resta-nos esperar pelo pior e tentar lutar com dignidade. Não peço mais.



SL


P.S. Esqueci-me de acrescentar o "tribunal" do jornal O JOGO, onde os três ex-árbitros têm a mesma opinião: Foi Fernando quem puxou primeiro o Adrien.



Palavra de Peyroteo


2 de fevereiro de 2014

+1... ou -4


Mais sereno que uma estátua da Ilha da Páscoa

No episódio “Remember When” dos Sopranos (temporada 6, episódio 15), Junior Soprano, o homem a quem Tony Soprano tinha mais respeito que ao próprio pai, é colocado num asylum, isto é, numa casa para velhotes com Alzheimer e coisas parecidas, e das primeiras coisas que faz quando lá chega é organizar um jogo de poker usando botões de camisas brancos e vermelhos como chips, vendendo coca-colas e barras de chocolates aos participantes da jogatana (doentes psicóticos, sofredores de alzheimer, esquizofrénicos, etc) . Resquícios da sua vida de mafioso.

O Porto é o Junior dos Sopranos.  Mesmo depois de Apitos Dourados, fruta, cafézinhos, viagens ao Brasil, foguetes no estádio e cenas parecidas, a tentação de começar um jogo decisivo da "Taça da Cerveja" três minutos depois de a partida do adversário directo se ter iniciado é maior do que a vontade de um ex-alcoólico russo em beber um shot de vodka na festa de aniversário do irmão. Está-lhes no sangue.

Por outro lado, dá para aferir da reputação e credibilidade que o Porto, apesar de dezenas e dezenas de títulos alcançados nos últimos anos, conseguiu granjear. Três míseros minutos de atraso e ninguém, Sportinguistas, Benfiquistas e mesmo alguns Portistas (o próprio Paulo Fonseca admitiu que no Porto não há “anjinhos”…) consegue evitar pensar que houve algum tipo de marosca, tramóia, trafulhice, chico-espertice ou… dolo no infame atraso da equipa do Porto. Semeiam ventos, colhem tempestades. Mesmo que em copos d'água.

Entretanto, contratámos o Cristiano Ronaldo do Egipto e o Nani de Cabo Verde. Hum, espera. Ok. Siga. Para vir o o Heldon, ‘tá na cara que um dos extremos – Capel, Wilson Eduardo, Carrillo ou Mané - ‘tá de malas aviadas para fora de Alvalade. Aceitam-se apostas. Pode ser em pesetas.

A grande questão é saber como é que o Shikabala (o melhor nome de sempre de um jogador de futebol) e o Heldon se vão incorporar na máquina oleada que o Jardim montou. Será que vamos assistir a um episódio dos Simpsons em que chega um novo puto à escola primária de Springfield e que ameaça roubar as gargalhadas que os colegas anteriormente dedicavam às partidas do Bart Simpson ou, ao invés, assistiremos a uma assimilação do egípcio junto do grupo leonino tão suave como a integração da Fanny numa festa no Elefante Branco? Se o Shikabala tivesse assinado pelo Sporting em 2013, teria razões para duvidar do seu sucesso em Alvalade. Mas ele assinou em 2014.

Isto para dizer que confio em Jardim. Jardim é aquele tipo de pessoa que qualquer ex-combatente do Ultramar quereria ter como seu Furriel numa noite quente de Janeiro de 1972, no Cafunfo, norte de Angola, enquanto se ouvia gritos de “Morte ao branco!” a ecoar na escuridão da floresta. Confio na sua serenidade. O homem é mais sereno que uma estátua da Ilha da Páscoa.

Viram ali o olho a piscar?? :)



Gostei muito de ouvir ontem, tanto o Paulo Fonseca como o Jorge Jesus, no final dos seus jogos no Funchal e Barcelos, respectivamente, a queixarem-se do “estado do relvado”. Aposto que o Joaquim Rita também achou piada. Ou não.

1 de fevereiro de 2014

Atrás do Sporting, como sempre.

'Tava na dúvida se haveria de escrever alguma coisa sobre isto ou não, mas depois de ter visto a última convocatória para a seleção sub-21 (entre os quais, cinco jogadores do Sporting e cinco jogadores do Benfica), resolvi escrever algo.

Na última quinta-feira, no artigo intitulado "Benfica Made in Seixal", escrito pelo mais recente colunista do jornal estrangeiro que dá pelo nome de "Record", Bruno Prata, em que o gajo dedica-o a tecer loas à formação do Benfica e mais não sei o quê, chega-se à brilhante conclusão de que "na presente fornada dos sub-21, o Benfica já divide o protagonismo com o FC Porto, Sporting e Guimarães, e nos sub-19 até leva muita vantagem." (os sublinhados são meus).




Se nos sub-21 até posso concordar (na última convocatória para um jogo oficial, houve 4 convocados do Sporting e 3 do Benfica), já nos sub-20 a discrepância é grande (Sporting 8, Benfica 5) e nos sub-19 ainda maior (7 do Sporting, 3 do Benfica).

Relembro: na crónica do Bruno Prata, o gajo escreveu que "(o Benfica) nos sub-19 até leva muita vantagem", mesmo que na última convocatória da dita seleção o Sporting coloque 7 jogadores seus e o Benfica apenas 3. Mas vantagem em quê, mesmo?


Juro que, a certa altura, depois de ter visto estas convocatórias, comecei a pensar "Epah, não pode ser, tenho de estar a ver mal a coisa, o jornalista profissional do Record é que tem de estar certo, não pode ser, estou a ver mal isto!" e é por isso que vos peço ajuda: estarei a enlouquecer mas afinal, a formação do Benfica continua igual ao de sempre, isto é, atrás da do Sporting?

É oficial: João Querido Manha declara guerra a Bruno de Carvalho (e ao Sporting, pois claro)



Ok, talvez seja um pouco sensível, mas p'ra mim isto é guerra e o Manha pôs-se ao lado de Luís Filipe Vieira.